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16/03/2016

Despir o ego [More República Masónica]

Y 24|MAIO|2002
more república masónica|música

more república masónica
despir o ego

Independência, integridade, persistência. São três das ferramentas com as quais os More República Masónica construíram a sua loja de rock, agora reaberta com a antologia Egostrip – A Retrospective, uma viagem de egos em direção à essência.

Faz 12 anos que os More República Masónica (MRM) iniciaram a obra e para celebrar a efeméride nada melhor do que rever as iniciações passadas através da compilação “Egostrip – A Retrospective”, agora editada, que reúne uma seleção de temas remasterizados dos álbuns lançados pelo grupo até à data: “More More More” (1992), “Blow Your Mind (with Supersonic Meditation)” (1995), “Equalizer” (1996) e “Chemical Love Songs” (2000, com produção de Jack Endino, um dos papas do “grunge”). O percurso faz-se cronologicamente de trás para a frente e, segundo a visão dos República Masónica – presentemente, formada por três dos músicos fundadores, Jorge Dias, Paulo Navarro e Nuno Castêdo –, “é assim que faz sentido”.
“Poucos duraram o que nós já durámos”, garante com orgulho Jorge Dias, baixista e, mais recentemente, teclista dos MRM. O segredo não tem nada de maçónico e muito menos de secreto: “Basicamente, a gente gosta disto!”. “Isto” parece simples, mas não é fácil manter firme uma ideia e muito menos bater-se por ela. Mas há uma ponta escondida, embora também neste caso esteja longe de se apresentar como a salvação do mundo. Mas salva-os a eles. É que se eles gostam de “isto”, não é menos verdade, acrescenta o baixista dos More, que nenhum dos elementos da banda “precisa disto para viver” o que, à partida, lhes garante “uma certa dose de liberdade” de trabalho. Não em “full time” mas num “part-time”, de maneira “insistente” e “consistente”.
Amadores na plena aceção do termo, é esta insistência e consistência, às quais se poderá acrescentar uma grande dose de fé no que fazem, que tem permitido a evolução segura de uma música que nunca se preocupou com a urgência e as pressões da atualidade. “Há bandas que aparecem, são faladas durante dois minutos e desaparecem em seguida, sem que tenham cumprido as expetativas”. É o que acontece em Portugal numa percentagem superior ao que seria desejável. Mas essa é uma questão da qual os MRM têm sabido precaver-se. “Desde o início que temos consciência – ou no subconsciente – que o nosso tipo de música não é para vender avidamente, ou para combater nessa jogada comercial que é a maior parte do mercado português”. Jorge Dias sintetiza, em suma, a posição dos MRM, apontando uma “atitude de não-compromisso com o mercado”, a par do esforço em “manter a música o mais pura possível”.

evoluir na continuidade. A luta continua e, volvidos 12 anos sobre a abertura das “hostilidades”, o grupo não dá sinais de ceder. Nota-se, isso sim, uma evolução na continuidade de que os MRM se orgulham e que Paulo Navarro define como a tentativa constante de “atingir sempre um patamar superior” àquele em que se encontravam anteriormente, ainda que sem pôr de parte a expetativa de o grupo poder vender cada vez mais discos e, deste modo, fazer chegar a sua música a mais pessoas. “Hoje já conseguimos chegar a um número maior de pessoas porque possuímos alguma estrutura a nível de distribuição, já não temos que ser nós a fazer tudo, embora a atitude de gravar discos continue a depender de nós”, diz Jorge Dias, garantindo a imunidade completa dos MRM “ao que o mercado exige”. “Nunca alinhámos em moda, estamo-nos completamente nas tintas para o que está a dar ou não neste momento”, conclui Nuno Castêdo, o mais introvertido do trio.
Não é fácil definir a música dos More República Masónica. É rock. Tem força. É combativo. Mas cada vez mais imbuída de uma faceta que remete para o psicadelismo (Luís Simões, dos Saturnia, toca “sitar” em dois dos temas que farão parte do próximo álbum de originais dos More, já gravado, mas ainda sem data de lançamento). Apesar de os três elementos ouvirem coisas tão díspares como Six by Seven, And You Will Know us by the Trail of Dead, Wilco, Gomez, Josh Rouse, Boards of Canada, The Hives, ou The Strokes, e de cada vez mais transformarem cada ensaio numa tertúlia de troca de impressões, discos e de discussão do “estado da nação”, a música dos MRM evidencia uma vitalidade que os anos não conseguem apagar. Se os MRM são, como afirma Jorge Dias, “uma banda de continuidade”, é nessa linha sem falhas, que une o primeiro álbum ao penúltimo, que a energia flui, sem vazamentos. “O grupo viveu sempre de três correntes”, conclui Jorge Dias: “o punk rock, aquele lado ‘do it yourself’ e mais imediatista, o hard rock, mais ligado com a nossa primeira fase de um rock mais pesado e agressivo, e o psicadelismo, o lado mais ambiental, de atmosferas mais complicadas”.
Para confirmar, basta escutar de fio pavio o antológico “Egostrip”, título escolhido para dizer, também ele, alguma coisa, como Jorge Dias explica: “Começámos a rever o nosso passado e vimos que há um certo lado de ‘ego trip’, o orgulho do que já se fez, por outro lado tem também essa faceta engraçada de se conseguir ver os pontos fracos e os pontos fortes, como um despir…”.
Um “despir” progressivo que justifica a ordem cronológica inversa com que foram arrumados os 18 temas da antologia (a única novidade é uma versão de “Zip zap woman” dos Pop Dell’Arte), como se nessa viagem em direção à fonte se guiasse o auditor até à descoberta da “essência” do grupo, presente desde a sua génese. Mais prosaico, Nuno Castêdo fala, a propósito deste disco, do “fecho de um ciclo” e, referindo-se no que se lhe seguirá, ao “início de um novo”. “Um salto para a frente”, nas palavras de Jorge Dias. Uma mudança, enfim.

Mas será mesmo a revolução ou um cerrar de fileiras ainda com mais força? É ainda Jorge Dias quem abre a porta que dá para o que o futuro esconde ao virar da próxima esquina: “No início, os tais três lados que estavam separados – punk, hard rock e psicadelismo – um tema mais assim, outro mais assado, aparecem agora juntos. Temo-nos afastado cada vez mais das correntes em si para conseguir que o nosso som, hoje em dia, seja uma amálgama disso tudo”. Afinal de contas, um outro ponto de equilíbrio entre uma insatisfação permanente e uma perceção, nunca interrompida, do tal “estado da nação” onde os MRM insistem em não querer sujar os pés. Dois pólos complementares bem ilustrados pelos títulos de duas das canções incluídas em “Egostrip – A Retrospective”: “More more more” e “Too much reality”. Uma realidade que poderá esconder mais do que aquilo que mostra. Mas isso, os More República Masónica deixam para o ouvinte decidir…

17/08/2014

More República Masónica - Chemical Love Songs



29 de Setembro 2000
PORTUGUESES

 
More República Masónica
Chemical Love Songs (7/10)
Metrodiscos, distri. Zona Música

            Os More República Masónica são um caso raro de fidelidade a uma causa que muitos consideram perdida: o rock. É dentro deste quadro que o quarteto tem evoluído, acrescentando sucessivos ingredientes a uma música que insiste em não se desvincular das raízes, sejam elas o som de Seattle do início da década ou, recuando ainda mais na procura de alicerces, o clássico hard rock dos anos 70 personificado pelos Led Zeppelin. “Chemical Love Songs”, com produção de luxo entregue a Jack Endino, é definida pelo grupo como a “banda sonora inspirada nos fracassos e nos sucessos da vida diária”. Logo no tema de abertura, “Chemical love intro”, os More investem numa vertente, o Psicadelismo, ao qual têm dado crescente atenção à medida que o som tem progredido do clube dos peso-pesados para a garagem do ácido, local onde as perspetivas perderão em evidência para ganhar em longo alcance. A República Masónica faz-se hoje, mais do que nunca, com canções, ainda que os versos valham tanto como os “riffs”. “Celebrating the sun”, um dos momentos mais fortes de “Chemical Love Songs”, vive de um crescendo de guitarras incandescentes, “acid jam” dedicada ao sol, filtrada, todavia, por um par de óculos-escuros, menos filiada nos Verões californianos dos Grateful Dead (o título podia ser deles…) do que nas trips dos Amon Düül II de “Phallus Dei”. “Diary” lembra-se de que os anos 60 existiram e de que os Velvet Underground foram (também) uma banda pop mas é a corrosão lisérgica do tema final, “Emptiness song”, a demonstrar que os MRM não ficaram surdos ao krautrock nem, provavelmente se importariam que o próximo álbum fosse produzido por Julian Cope…

22/07/2014

Compêndio de Química [More República Masónica]



2 de Julho 2000

Compêndio de Química

O amor é uma reação química. O mundo é um lugar de falsidade onde nada é aquilo que parece. São duas das ideias presentes em “Chemical love Songs”, o novo álbum dos More República Masónica produzido por Jack Endino, o mesmo dos Nirvana. Um álbum de militância rock com a porta aberta para o psicadelismo e para “a essência das coisas”.

            “Chemical Love Songs”, subintitulado “Soundtrack inspired by achievements and failures of everyday life” começa e acaba com um sample de “sitar”, lançando de imediato a suspeita de que os More República Masónica andaram em viagem. Eles confirmam. Viajaram pelo interior deles próprios, mas apenas de um trabalho de introspeção que dispensou qualquer tipo de aditivos químicos, garantem.
            Com um som mais “eletrónico” e cheio que o das bandas anteriormente produzidas por Endino (Nirvana, Soundgarden, Mushoney…), “Chemical Love Songs” é, na ótica dos MRM, ainda e sempre um álbum de “rock”, que não tem medo de usar as máquinas nem de experimentar novas ideias. Endino soube “captar a essência da banda”, esclarece Jorge Dias, baixista, ocasional teclista e autor de algumas letras da banda. O resultado é um “álbum com um bom som, bem gravado”.
            Um “bom som” que capta a energia das referências musicais dos More, dos velhos Led Zeppelin e dos anarcas de Detroit aos grupos psicadélicos, mas que sabe reconvertê-los numa perspetiva pessoal. “Fizemos coisas que nunca tínhamos feito, como gravar canções a partir de ‘loops’”. Essa perspetiva pessoal levou, inclusive, os MRM a tomar como ponto de partida para a gravação, as suas experiências pessoais, ilustradas na tal banda sonora interior que o subtítulo refere. “Não vivemos em nenhum filme estranho, em nenhuma realidade paralela. Vivemos aqui e aquilo que fazemos reflete aquilo que somos. As canções falam da nossa vida e dos nossos pensamentos. Explorámos as catacumbas que temos cá dentro. E descemos tanto que acabámos por chegar aos elementos químicos, à essência das coisas”, explica Jorge Dias, para quem “as letras não se fecham sobre si, para que toda a gente se possa identificar um bocado com elas”. O álbum era para ter em todos os títulos das canções o nome de elementos químicos. Acabaram por ficar “Oxygen” e “Mercury”, na tabela onde se escreve, também, a essência do rock.
            Temas como “A prayer for the year 2K”, “Megastore” ou “Answer machine” alertam para uma realidade feita de aparências onde o próprio amor, “em última análise, é o produto de reações químicas”. “UST”, outro dos temas de “Chemical Love Songs” significa “Unresolved Sexual Tension”, uma “figura de estilo utilizada no cinema onde duas ou mais personagens têm uma ligação de tensão sexual entre elas que nunca se resolve, como no ‘x-Files’, onde o par de protagonistas passa o tempo a flirtar uma com a outra mas aquilo nunca se resolve…”.
            “Chemical Love Songs” descreve, no fundo, diz Jorge Dias, “uma época em que as pessoas se ligam mais através de fatores externos do que propriamente por motivos pessoais. Pelos estilos de música ou pelas drogas que consomem em conjunto”. No caso dos MRM a química entre os quatro elementos da banda – Jorge Dias, Paulo Coelho, Paulo Vitorino e Nuno Castedo – funcionou em pleno. Para os More não é a música eletrónica ou de dança, que consideram uma “moda passageira” e um “universo hedonista”, que faz mexer as multidões mas o rock, a única coisa que “consegue encher estádios”. Sente-se isso, ao escutar uma faixa como “Celebrating the sun”, uma corrente de energia que liga “um rock mais pesado, às vezes quase metal, e o psicadelismo, a um lado mais atmosférico”. Os More República Masónica fazem, afinal de contas, a defesa da canção. “É a molécula fundamental do nosso trabalho”, reconhece Jorge Dias: “É esta tradição que queremos perpetuar à nossa maneira”.
            Na caixa de “Chemical Love Songs”, sob o suporte do CD, pode ver-se o desenho de um labirinto. As volutas do cérebro? “Isso é que tem piada, cada pessoa lê o disco à sua maneira”, diz Jorge Dias, para quem “o labirinto tem a ver com o facto de o amor ser uma coisa tortuosa. Para se chegar a algum lugar, podia andar-se a direito, mas não, tem que se andar de um lado para o outro, para trás e para a frente, até se conseguir encontrar esse caminho”.

18/11/2008

More República Masónica - Blow Your Mind

Pop Rock

7 de Junho de 1995
álbuns portugueses

More República Masónica
Blow Your Mind
ED. NUMÉRICA

“Give me the seeds of your insanity” cantam os MRM no tratamento inicial de electrochoques de “Mad river”, sob a sombra ameaçadora de um “riff” que poderia ser dos Led Zeppelin ou dos MC5. É só rock and roll, cantado em inglês, com um pé nos anos 70 e outro nos 90, uma explosão da consciência, através da “meditação supersónica”, “recomendado”, pelo grupo, aos pacientes, “quando se verifiquem sintomas de perda de conhecimento originados pela síndrome pós-seattleano”. Não é remédio santo nem os quatro elementos do grupo se levam a si próprios muito a sério, quando vestem a pele de um “Soul preacher” cheio de veneno e vazio de moral ou se sujam na sonoridade de garagem de “Butt”. “Everyday’s blues”, um dos temas mais conseguidos do disco, trepa pelas costas do psicadelismo, ou da ideia que os MRM têm do psicadelismo, e desce ressacado pelo outro lado. Ziggy Stardust regressa com grau máximo de acidez em “I’m free” e “Man out of me” não destoaria numa estação de pesados FM. A história dos More República escreve-se sobre um novelo de passados desencontrados do rock anglo-americano das últimas duas décadas, volta a cara às correntes dominantes, faz paródia com elas e segue a correr sobre os “riffs” da guitarra e do baixo para um lugar que, se calhar, nem eles sabem onde fica, onde a regra é a distorção, o refúgio, o ruído (“Rev.jam”) e os alvos a alienação (“Tunnelvision”, outro dos instantes fortes de “Blow Your Mind”) e a pulverização de referências. Se a verdade, como eles dizem em “Too much reality”, está “na cabeça” e a realidade “é demasiado rápida”, o que é que se pode fazer? Estourar a cabeça! (7)

26/07/2008

Ácido no equalizador [More República Masónica]

POP ROCK

9 de Outubro de 1996

More República Masónica lançam “Equalizer”

ÁCIDO NO EQUALIZADOR

Entre “Blow your Mind (with Supersonic Meditation)”, o álbum anterior, e o novo, “Equalizer”, os More República Masónica (MRM) movimentaram-se na procura de um novo som. Para tal, conseguiram os serviços do produtor Marsten Bailey e a colaboração dos convidados Mário Resende, dos Duplex Longa, no violino, Ana Santos e Darin Pappas, dos Ithaka, nas vozes, e Paulo Vitorino, ex-Clandestinos, na guitarra, que entretanto passou a ser elemento permanente da banda. Para Paulo Coelho, guitarra e voz do MRM, “a escolha de um produtor envolveu um trabalho maior, quer em termos de ensaios, quer em termos de resultado final, no estúdio”, resultando num som “mais trabalhado”. “Equalizer” inclui onze temas, compostos e escritos pelo grupo, à excepção de “Roads”, versão autorizada da canção dos Portishead.
Com tanta ou mais força que “Blow your Mind”, “Equalizer” destila um psicadelismo às avessas, presente na ironia como os sons e as guitarras são trabalhadas. O som de Detroit, de bandas como os Stooges e MC5, é reciclado num híbrido que prolonga os seus tentáculos pelo “hard rock” dos anos 70. Nos MRM, o “ácido”, mais do que lisérgico, é sulfúrico, tal a corrosão dos sons e o sabor a óleo e a ferrugem das palavras. A abertura, com o título “21st century flower power” é, para Paulo Coelho, a desmistificação feroz de uma maneira de estar na sociedade contemporânea. “A primeira flor do século XXI, em que as pessoas têm a tendência para ser mais materialistas”.
A assimilação de influências exteriores nunca constituiu, aliás, um problema para os MRM. “Temos uma atitude demasiado sincera, aquilo que ouvimos no dia-a-dia reflecte-se na música que fazemos. Era impensável, quando começámos a tocar, fazer uma versão dos Portishead, nem sequer conhecíamos essa música, que não tem muito a ver com o rock. Encontrámos nessa banda, ao nível das letras, qualquer coisa de misterioso.”
Acreditam que o rock não pode nem deve ser quadrado, mas sim evoluir para formas de sofisticação crescente. Termos como “rock sinfónico” e “música progressiva” não os assustam. “O rock, numa determinada altura, esgotou os seus recursos. O facto de as pessoas irem buscar influências aos anos 70 deriva desse esgotamento. Ao nível social, os anos 70 e 90 equiparam-se um bocado.” E se o psicadelismo, na sua forma original, não dispensava o uso de drogas alucinogéneas, a verdade é que os More vão por outro lado, interiorizando a mitologia sem lhes colher os (perniciosos) efeitos. “A nossa música tem a ver com todas as drogas, apesar de não as utilizarmos. Se calhar, talvez nos fizesse bem. É uma questão de estado de espírito.”
Na sequência do lançamento de “Equalizer”, os More poderão ser vistos num “videoclip” com o tema “Electric mastermind” – “sobre pessoas eternamente em busca de mitos, sem saberem onde os irão encontrar” -, estando a apresentação ao vivo do álbum marcada para amanhã à noite, no Garage, em Lisboa, num espectáculo que contará igualmente com a participação da banda convidada, Gasoline.

More República Masónica - Equalizer

POP ROCK

6 de Novembro de 1996
portugueses

More República Masónica
Equalizer
EXIT ESTUDIO, DISTRI. MÚSICA ALTERNATIVA

Um ano depois da edição de “Blow your Mind (with Supersonic Meditation)”, os More República Masónica apuraram o seu gosto de melómanos pelo rock’n’roll das últimas três décadas, recorrendo desta feita aos serviços do produtor Marsten Bailey, na procura de um som mais sofisticado. Ou mais “equalizado”… Agora, por trás da barreira das guitarras eléctricas, tão saturadas de adrenalina e de memórias como no álbum anterior, chegam à superfície da mistura outro tipo de sonoridades, ora acústicas, ora com proveniência exterior, como o violino de Mário Resende, dos Duplex Longa, a conferir a “Bloom” e “Roads” o mesmo tipo de tempero que John Cale adicionava, com a sua viola de arco, à metalomecânica dos Velvet Underground. Rock com cheiro a flores murchas e consistência de óleos pesados continua a ser o domínio preferencial dos More República Masónica, desta feita com abertura ao “reggae”, em “Grounded song”, a inclusão de uma “pastiche” de Frank Black ao volante dos Cars, em “Karaoke nightmare”, e o mesmo ouvido atento às sirenes do som de Detroit, de bandas como os Stooges e MC5. Ou ainda o registo alucinatório-mutante dos Chrome, num tema de violência terminal, como “Parasite”. O que significa que para os MRM psicadelismo é sinónimo de “bad trip”, na equalização psicótica de épocas e registos díspares em que o “speed” e o “riff” recortado a canivete são factores comuns de mais esta sessão de “meditação supersónica” a que a divagação sonambúlica, na versão de “Roads”, dos Portishead, vem pôr termo. (7)