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10/04/2018

Assunto Coltrane



Fernando Magalhães
05.04.2002 150336

Excelentes as contribuições que acabei de ler a propósito da minha pequena "provocação" sobre Coltrane! :)

Era essa, exatamente, a minha intenção.

Claro que JC é um músico genial, apenas pretendi agitar um pouco as águas porque amiúde se valoriza em certos artistas, precisamente o lado mais "folclórico", determinado tipo de imagens, clichés, etc, tendentes a criar uma consensualidade que tende a deificar (fossilizar) esses mesmos artistas.

Fala-se hoje, se calhar, mais de JC, e ouve-se menos a sua música...

Dito isto, e respondendo a certos comentários particulares:

- Tenho o "Giant Steps", que considero um álbum fabuloso. Já, coisas mais recentes, como o "Interstellar Space" ou "Meditations" me suscitam algumas reservas...
"Sun Ship" é outro dos meus preferidos.
E, já aqui o disse, a versão (pirata???) de um concerto ao vivo de "A Love Supreme", executado na íntegra e em versão "aumentada", digamos assim, em Antibes, no mesmo ano da gravação do álbum de estúdio e com a mesma formação, é qualquer coisa (ao nível da interpretação do saxofonista) de espantoso.

- Nick Drake outra vez...Enfim...Não emiti qualquer opinião valorativa sobre a sua música, citei apenas o tal lado "folclórico" da sua vida. A minha opinião? "Five Leaves left" (9/10), "Bryter Layter" - 9/10, "Pink Moon" (7,5/10).

FM

02/08/2016

Canções da depressão [Nick Drake]

Pop Rock
22 de Agosto 1990



Como se sabe, ou devia saber-se, “morrem jovens aqueles que os deuses amam”. Ao conceder-lhes o génio, em troca do sofrimento. Nick Drake morreu jovem. O sofrimento mereceu-lhe da divindade o dom da escrita de pequenas canções melancólicas, momentos mágicos guardados no íntimo de uns poucos privilegiados que souberam sentir a imensa tristeza e beleza da decadência e da solidão.

Gravou pouco em quantidade: três discos de originais, agora reeditados. Música discreta, arrebatada, sempre contida. Feita de sentimentos suaves, sonhos incompletos. A paixão também arde em fogo lento.
            Vivia-se a época eufórica e idealista da música progressiva. Anos 70, no princípio. Eram os anos de todos os Mozarts e Beethovens da música popular. Duplos álbuns conceptuais e grandiloquentes, às vezes pretensiosos. “Rock sinfónico” foi o selo pomposo e de mau gosto que arranjaram. Perdido no meio das vagas altaneiras dos sintetizadores-maravilha e dos solos de meia hora, um rapaz nascido em Burma, educado em Cambridge, compunha, tocava guitarra e cantava canções estranhas, tristes, diferentes. Escutadas em público, pela primeira vez, nas primeiras partes de concertos de artistas folk, como Ashley Hutchings e os Fairport Convention.

Canções da Depressão

            Joe Boyd, da Island, reparou nele e convidou-o a passar para disco as suas fantasias. Em 1969, era editado “Five Leaves Left”, introspetivo, angustiado, comparado a “Astral Weeks”, de Van Morrison. “Time Has Told Me”, “Day is gone”, “Fruit Tree”, títulos sugestivos para canções frágeis e emotivas, por vezes com arranjos orquestrais em que, na altura, poucos repararam, excetuando talvez as sensibilidades gémeas.
            “Bryter Layter” sai no ano seguinte e mostra Drake um pouco mais conciliado com a vida, pura aparência, escondendo uma crescente depressão, compensada por sessões psiquiátricas e medicamentação apropriada. Presentes no disco, alguns amigos: Richard Thompson, Dave Pegg e Dave Mattacks, todos dos Fairport Convention, e John Cale. Discretas sugestões jazzísticas suportando uma atmosfera sonhadora, única maneira que encontrou para fugir aos tons sombrios da realidade concreta. Só John Martyn, seu colega na editora, se aproximava das conceções musicais de Drake (e Tim Buckley, que também não resistiu), mas, ao contrário deste, sabendo manter a distanciação necessária entre a arte e a vida, vital para quem não aspira à condição de mártir. Algumas canções: “Not that the Vibe Survives”, “Chime of a City Clock”, “Northern Sky”, esta inspiradora dos Dream Academy, que lhe dedicaram “Life in a Northern Town”.
            Entre duas sessões psiquiátricas, parte para Paris, onde compõe algumas canções para a cantora de variedades Françoise Hardy, gravadas, diz-se, mas nunca editadas.

À maneira dos românticos

            “Pink Moon” (1972) apresenta os sinais inconfundíveis da desolação. Sozinho à guitarra e ao piano para 25 minutos intensos, deixando testemunho da “arte de se destroçar”, para utilizar a expressão com que Marc Almond tão bem soube definir certos estados de alma. “Things behind the Sun”, “Pink Moon”, o sol e a lua, o ouro e a prata, o dia e a noite, polos opostos e complementares de uma unidade que Nick Drake nunca logrou alcançar. Encontrou-a na aniquilação e no retorno ao ventre original – à maneira dos românticos. Núpcias derradeiras em que desposou a morte. Em Novembro de 1974, tinha 26 anos, sucumbiu vítima de uma “overdose” de medicamentos antidepressivos. Foram editadas compilações póstumas, como sempre acontece quando uma estrela se apaga no firmamento: “Heaven in a Wild Flower” (intitulada a partir do texto homónimo do poeta e visionário inglês William Blake, reunindo os dois últimos álbuns), “Time of no Reply” (que inclui misturas alternativas e alguns temas originais) e, finalmente, em 1986, “Fruit Tree”, uma caixa contendo quatro discos que reúnem a totalidade da obra do músico.
            Joe Boyd, seu amigo de sempre, impôs como condição para as reedições de todos os álbuns que estes nunca saíssem do catálogo.
            Recordamo-lo nos dias tristes e chuvosos de Inverno. Escrevia canções. Num quarto iluminado por um sol que não era o nosso.


NICK DRAKE

Five Leaves Left
Bryter Layter
Pink Moon
Heaven In A Wild Flower (compilação)


Reedição em LPs e CDs Island

03/08/2014

Lua ectoplásmica [Nick Drake]



23 Junho 2000
REEDIÇÕES

Lua ectoplásmica

Nick Drake
Five Leaves Left (9/10)
Bryter Layter (9/10)
Pink Moon (8/10)
Island, distri. Universal

            Nick Drake circulou pelos anos 70 como uma borboleta entre o peso-pesados do rock progressivo. Enquanto foi vivo, a sua voz frágil, as suas canções hesitantes, a sua guitarra companheira das horas de angústia e a sua solidão criativa perderam-se no meio do burburinho. Deixou-se aprisionar por fim no seu casulo de sonhos e decidiu partir. Nascia assim a lenda.
            O que ficou de Nick Drake foi uma história triste e a música, registada em três álbuns de originais, “Five Leaves Left”, de 1969, “Bryter Layter”, de 1970, e “Pink Moon”, de 1972, editados na altura com o selo Island. As presentes reedições recuperam o selo primitivo, passando a Island a deter de novo todos os direitos de autor, substituindo deste modo as anteriores publicadas pela Rykodisc. Nenhum dos novos CD apresenta qualquer tema ou informação adicional, sendo a única diferença a capa interior de “Bryter Layter”, à qual foi restituída a cor original.
            Ashley Hutchings, dos Fairport Convention, deu a conhecer Nick Drake ao produtor da Island, Joe Boyd, que lhe ofereceu um contrato de gravação. Em “Five Leaves Left”, as relações desta música com a folk inglesa (Richard Thompson, dos Fairports, e Danny Thompson, dos Pentangle, são dois dos participantes no disco) estão bem patentes em temas como “Time has told me”, “River man” – recentemente recriado pela diva da música tradicional inglesa, Norma Waterson – “Day is done” e “Cello song”, nos quais é detetável a influência de nomes como Bert Jansch ou John Renbourn, outros dois Pentangle. “The thoughts of Mary Jane” evidencia as extraordinárias semelhanças vocais de Drake com o seu amigo John Martyn, numa canção com paralelismos evidentes com a música que este fazia nessa época com a sua mulher Beverley Martyn, no álbum “Stormbringer”. “Way to blue”, com um arranjo orquestral, “Fruit tree” e o jazzy “Saturday sun”, suspenso pelo vibrafone de Tristan Frey (semelhanças, ainda aqui com a obra-prima de John Martyn, “Solid Air”) são outros tantos momentos de uma música polvilhada de estrelas sempre na iminência de, com um sopro, se apagarem.
            “Bryter Layter” mostra uma música de arranjos e produção mais sofisticados, ainda que as canções tivessem sido, quase todas, compostas por Drake no seu quarto de dormir em Hampstead. A presença da orquestra (os metais em “Hazey Jane II” fazem lembrar “Seasons”, dos Magna Carta) intensifica-se, enquanto o contingente de músicos recrutados dos Fairport Convention aumentava, incluindo agora, além de Thompson, tamb´´em Dave Pegg e Dave Mattacks. John Cale toca violeta e cravo em “Fly”, num álbum que não ficou imune aos ventos do Progressivo, como o prova a complexidade estrutural dos arranjos de “At the chime of a city clock”. “Hazey Jane I” equipara-se uma vez mais, na vocalização, a John Martyn. “Bryter Layter”, apesar de colorido por sons de todas as cores, não esconde a tristeza que tem cravada no coração. A crítica adorou o álbum, o público passou-lhe ao lado, Nick Drake escondeu-se um pouco mais no fundo.
            Lua nova. O ocaso chegava como um fim natural. “Pink Moon”, derradeiro testemunho de uma sensibilidade noturna com tendência para o absoluto isolacionismo (aqui deposto em estranhos reflexos similares a Tim Buckley), esvai-se nas sombras de uma guitarra acústica e de uma voz abraçadas numa filigrana de ectoplasma, que dizem ser o fluido de que são feitas as almas. Quando banhadas pelos “blues”. Gravadas em duas únicas sessões, as canções são mais confessionais do que nunca. E Nick Drake confessou a sua desistência. Um dose excessiva de Tryptizol garantiu-lhe por fim nunca mais acordar para uma realidade, demasiado opaca, que colidiu sempre com a transparência dos seus sonhos.

Feitas as apresentações [Reedições]



23 Junho 2000
REEDIÇÕES

Feitas as apresentações…

            “An Introduction to…” é uma série de divulgação do fundo de catálogo da editora Island, com ênfase numa década, os anos 70, em que esta rivalizava, sobretudo em matéria de artistas ligados à música progressiva, com a Harvest e a Vertigo. “Way to Blue” é um bom cartão de visita da obra de Nick Drake. Além de uma seleção de temas extraídos da sua discografia oficial, inclui duas canções de “Time of no Reply”, álbum de demos e versões alternativas editado em 1987, “Time of no reply” e “Black eyed dog” (8/10).
            Sandy Denny é apresentada através de “Listen Listen”. Sandy, também hjá desaparecida, foi uma espécie de polo feminino de Drake. Era melhor cantora do que compositora e os seus extraordinários dotes vocais podem ser apreciados quer nos Fairport Convention quer na sua discografia a solo composta por quatro álbuns, dos quais são extraídas as canções da presente coletânea: “The North Star Grassman and the Ravens”, “Sandy”, “Like an Old Fashioned Waltz” e “Rendezvous” (8/10).
            Voltamos a ouvi-la em “What we did on our Holidays”, dos Fairport Convention, título que com alguma batota reproduz o do segundo álbum da banda. “Fotheringay”, o clássico “Who knows where the time goes” (uma das interpretações clássicas de Denny), “Farewell, farewell”, Tamlin” e “Walk awhile” são algumas das canções escolhidas para a apresentação da rainha das bandas de folk rock, responsável por álbuns fenomenais como o já citado “What we did on our Holidays”, “Unhalfbricking”, “Liege and Lief”, “Full House” e “Babbacombe’ Lee” (8/10).
            John Martyn, o tal da voz parecida com a de Nick Drake (de quem era amigo), mostra-se em “Serendipity”. A coletânea bem poderia centrar-se exclusivamente em “Stormbringer”, com Beverley Martyn (o álbum seguinte da dupla, “The Road to Ruin”, infelizmente não figura), e nos três fabulosos trabalhos a solo, “Bless de Weather”, “Solid Air” (obra-prima absoluta deste músico autor de uma original fusão de jazz, pop e folk) e “Inside Out” (um clássico do jazz folk). Tudo o que veio depois é apenas interessante (6/10).
            Dos Traffic, onde pontificava a voz “soul” de Stevie Winwood, é passada em revista a sua obra em “Heaven is in your mind”. Gravaram dois álbuns magníficos, “Mr. Fantasy” e “John Barleycorn must Die” e um interessante “The Low Spark of High Heeld Boys”. Começaram por ser praticantes de uma fusão de jazz e blues tingidos de psicadelismo (“Mr. Fantasy”), passaram para o jazz rock e acabaram por estiolar num “Adult Orientated rock” enjoativo. A coletânea não faz distinções de qualidade… (6/10).
            John Cale, anunciado, entre outras coisas, como “iconoclasta”, “pensador”, “compositor clássico”, “selvagem do rock ‘n’ rol”, “músico esquizofrénico profissional”, “cyber punk” e “pai”, está bem representado em “Close Watch”. Bastaria a inclusão de “Heartbreak hotel” e “Fear is a man’s best friend” para o recomendar aos que ainda ignoram as suas atividades de terrorista. (8/10).
            Passe-se ao lado de “Walk in my Shadow”, dos Free, banda de hard-rock que se notabilizou por ter lançado o hit “All right now” que nem sequer figura na presente coletânea. Os apreciadores de riffs de guitarra não perderão em deitar um ouvido… (5/10).
            Finalmente, Julian Cope é apresentado por “Leper Skin”, que tem a seu favor incluir dois lados B de singles (reunidos em “The Followers of Saint Julian”), de permeio com temas extraídos da sua discografia compreendida entre 1986 e 1992, dos álbuns “Saint Julian”, “My Nation Underground”, “Peggy Suicide” e “Jeovahkill”. Rock e baladas/manifestos desvairados de um músico que faz das pedras a sua profissão. Sejam elas de LSD ou do templo megalítico de Stonehenge. (7/10).

26/11/2010

Droga, loucura, morte

Sons

19 de Março 1999

Droga, loucura, morte

Toda a gente sabe que a principal causa de mortalidade entre a população rock é a droga. Janis Joplin, Jim Morrison, Jimi Hendrix, Sid Vicious e uma quantidade de outras estrelas rock (Tim Buckley, Gram Parsons, Tommy Bolin, Andy Gibb, Billy Mercia, dos New York Dolls, Paul Gardiner, dos Tubeway Army...) morreram devido à mesma praga, a droga. Bastaria esta realidade para desencorajar os mais novos de alguma vez pegarem numa guitarra eléctrica ou numa bateria. Porque o rock é o caminho mais curto para a droga e, de onde se depreende, para a morte. O rock, como a droga, mata. Mentes mesquinhas garantem que, sem a droga, músicos como os acima citados jamais teriam feito a música (quiçá, perniciosa) que fizeram. Não fora assim e sabe-se lá se não teríamos hoje elementos produtivos, úteis à sociedade, excelentes empregados de escritório ou agentes de seguros, talvez mesmo advogados de sucesso.
Mas não é só a droga a mãe de todos os males. Outras causas existiram que levaram desta para melhor nomes mais ou menos gloriosos da história do rock. Desastres de viação (Alan Barton, dos Smokie, Marc Bolan e Steve Curry, ambos dos T. Rex, Clarence White, dos Byrds, Harry Chapin, Eddie Cochran, Jerry Edmonton e Rushton Morebe, dos Steppenwolf, os rockers Johnny Kidd e Dickie Valentine; inclusive de bicicleta, como no caso de Nico) e de avião (Buddy Holly e Ritchie Valens, ambos no mesmo voo, Patsy Cline, Jim Reeves, Otis Redding, Jim Croce, Ronnie van Zant e Steve Gaines, dos Lynyrd Skynyrd, Paul Jeffreys, dos Cockney Rebel, Rick Nelson, John Denver...), overdose, queda de escadas (Sandy Denny), consumo desenfreado de substâncias ilícitas, enforcamento (nada mais nada menos do que cinco – Ian Curtis, Peter Ham, dos Badfinger, Phil Ochs, Michael Hutchence, dos INXS e Richard Manuel, dos The Band), ingestão desmesurada de psicotrópicos, hipnóticos, ácidos, antipiréticos e afins, enfim toda uma série de acidentes trágicos que puseram fim a tantas e tão promissoras carreiras.
Quanto ao álcool, pode gabar-se de ter acabado com as vidas de Bon Scott (dos AC/DC), John Bonham (Led Zeppelin), Brian Jones (Rolling Stones), Clyde McPhatter (Drifters), David Byron (Uriah Heep), Gene Vincent e Keith Moon (The Who). Uma anorexia nervosa levou Karen Carpenter, dos Carpenters. A sida fez o mesmo a Freddie Mercury, dos Queen. Frank Zappa e Bob Marley não resistiram ao cancro. De Divine pode afirmar-se que comeu demais.
Há mortes mais estúpidas do que outras. John Lennon, baleado à porta do seu apartamento em Nova Iorque, é um exemplo deste tipo de estupidez letal. Al Jackson (dos Booker T and the MGs), Peter Tosh, um dos heróis da soul music, Sam Cooke e Marvin Gaye foram igualmente atingidos por tiros. Os dois primeiros, por gatunos. Cooke, por uma mulher que perseguia um pretenso violador. Gaye sucumbiu a um tiro disparado pelo seu próprio pai. Michael Mensom, dos Double Trouble, foi atacado por um “gang” de adolescentes que o regaram com gasolina e lhe pegaram fogo. Vivian Stanshall, do grupo cómico Bonzo Dog Doo Dah Band, e Steve Marriott, dos Small Faces, morreram em incêndios nas respectivas casas. Keith Relf, guitarrista dos Yardbirds, caiu electrocutado. Johnny Ace, um obscuro baladeiro norte-americano dos anos 50, perdeu a vida numa jogada infeliz de roleta russa. Graham Bond, músico inglês de jazz e blues dos anos 70, foi atropelado pelo metropolitano. O rocker Johnny Burnette morreu num acidente de pesca.
Mas há o reverso da medalha. Morrer cedo, para um músico, significa a sua mitificação, nalguns casos a santidade. Na condição, bem entendido, de a circunstância ser devidamente acompanhada por uma apropriada campanha promocional e pelo apoio dos “media”. Morrer é, nesta profissão, o caminho mais curto para o sucesso. Para a indústria a morte possui ainda o atractivo adicional de diminuir vitaliciamente as despesas com o artista e de garantir muitos e bons ganhos a longo prazo, graças à sábia administração de todo o material gravado que se conseguir sacar do caixote do lixo e guardar em arquivo para poder dedicar-se ao lançamento de futuras reedições com “material inédito” do falecido, constituído por demos, versões alternativas, ensaios, conversas de cama e outros rasgos de génio antes incompreensivelmente escondidos do público.
Claro que as vítimas sabem o que fazem e no que se metem. Acontece que muitas não aguentam. Ian Curtis, por exemplo, ou Kurt Cobain (cujo quinto aniversário da morte, em Abril próximo, está já a ser devidamente preparado) não aguentaram a suprema dor de estar vivo, as pressões do “show business” e os fracassos pessoais. No seu caso a aura de “românticos” assenta-lhes bem. Como, de resto, a todos os suicidas: Nick Drake, Peter Ham e Tom Evans, dos Badfinger, Terry Kath, dos Chicago, Marge Ganser, das Shangri-Las, Del Shannon, Paul Williams, dos Temptations, Richard Manuel, dos The Band e Phil Ochs.
A outros, porém, a morte apanhou-os de surpresa, sem aviso prévio. Esses não tiveram tempo de preparar o testamento, vítimas que foram da estupidez do destino. Talvez por isso, como no caso de Sandy Denny, que morreu ao cair de uma escada, a entrada na galeria dos mitos demorasse mais e necessitasse de requerimento, ficando em primeiro lugar para a eternidade a música, no lugar dos episódios, mais ou menos agitados e escandalosos, da vida de “star”.
Seja qual for, porém, a circunstância da morte, ficará para sempre a dúvida do que poderia ter sido a vida e obra dos que se foram antes de tempo. O que seriam hoje, se fossem vivos, Brian Jones, Jimi Hendrix, Jim Morrison? Conseguiriam eles sobreviver ao seu próprio passado ou, pelo contrário, teriam feito as pazes com a existência, aproveitando as suas benesses? Seriam ainda génios malditos ou estariam a jogar golfe com Alice Cooper e Phil Collins, a fazer duetos com Pavarotti ou a compor bandas sonoras para filmes de Walt Disney? Ninguém sabe. Ficaram a música e as lendas. Sobretudo a música, como única verdade absoluta capaz de sobreviver ao seu criador. E, paradoxalmente, à aura, tantas vezes mistificadora, criada em torno dela pela morte, essa entidade assustadora que chegará inevitavelmente para nos confrontar com o nada. E com o que sobrevive para além dele. Para os registos de necrofilia ficam as fichas de algumas das mortes mais bem documentadas. Fichas secas. Como a morte.


“Too old to rock’n’roll, too young to die”
(título de um álbum dos Jethro Tull)


Hank Williams (1923-1952)

Sofrendo de uma dor crónica nas costas, Hank procura alívio no consumo sistemático de analgésicos, tornando-se rapidamente viciado. Começa a falhar concertos, chegando aos recintos atrasado e bêbedo. No último dia do ano de 1952 a estrela da country sente-se mal durante uma viagem de carro e é transportado para um hotel de Knoxville, no Tennessee, onde chega já inconsciente. É chamado um médico que lhe ministra uma injecção com uma mistura de morfina e vitamina B. No dia seguinte, Williams é transportado, ainda inconsciente, de novo de automóvel, para o Ohio, numa viagem atribulada. Um polícia de trânsito obriga o condutor a parar por excesso de velocidade e pergunta, com ironia, se o músico está ou não vivo. Williams é conduzido finalmente a um hospital, na Virgínia, onde é declarado morto.


Buddy Holly (1936-1959) e
Ritchie Valens (1941-1959)

Dia 3 de Fevereiro de 1959. A meio de uma digressão, a “Winter Dance Party Tour”, Buddy Holly decide animar o estado de espírito da sua banda e recusa viajar num desconfortável autocarro. Aluga um voo “charter” num pequeno aparelho Beechcraft Bonanza que o deveria levar de Clear Lake, Iowa, a Moorhead, no Minnesota. Com ele seguem Richie Havens (que ganhara esse direito no jogo da moeda ao ar com o guitarrista do grupo. Tommy Alsup, e o disc-jockey Big Bopper, autor de “Chantilly lace” (que consegue o lugar por troca com Waylon Jennings). O avião descola às duas da madrugada no meio de uma tempestade de neve e cai pouco tempo depois, embatendo contra um muro e matando todos os que seguiam a bordo. O acidente serviu de inspiração ao “hit” de 1972 de Don McLean, “American pie”.


Jimi Hendrix (1942-1970)

Jimi Hendrix era um génio da guitarra. Com ou sem a ajuda da heroína, a sua Fender Stratocaster falava, gritava, explodia e incendiava-se num dos discursos virtuosísticos mais inovadores de sempre deste instrumento. Uma acumulação de excessos que se estendia à sua vida privada. Passa o dia 17 de Setembro com a sua namorada, Monika Dannemann. No dia seguinte, de manhã, ingere alguns comprimidos para dormir e, algum tempo depois, Monika repara que ele se está a sentir mal. Tenta acordá-lo. Em vão. No hospital diagnosticam uma mistura mortal de álcool e barbitúricos.


Janis Joplin (1943-1970)

Os Kozmic blues da cantora que engolia garrafas inteiras de whisky nos concertos deixam de se ouvir a 4 de Outubro. Janis é encontrada morta num quarto do Landmark Hotel, em Hollywood, com marcas recentes de agulha no braço. “Overdose” de heroína. Tinha agendado a gravação das partes cantadas de “Buried alive in the blues”, “enterrada viva nos blues”. Anos antes proferira a seguinte frase, quando da morte do presidente Eisenhower, impedindo, deste modo, a publicação de uma foto sua na capa da “Newsweek”: “Depois de resistir a 14 ataques de coração, tinha logo de morrer na minha semana. Na MINHA semana!”


Jim Morrison (1943-1971)

Circunstâncias da morte: o mistério e a dúvida ainda hoje permanecem cerrados em torno da morte do carismático cantor dos Doors. Há mesmo quem afirme que ele continua vivo, retirado da vida pública, e que a sua “morte” não passaria de um embuste destinado a camuflar o seu desaparecimento. No dia 5 de Julho o empresário dos Doors, Bill Siddons, chega a casa de Jim, em Paris, onde o músico se tinha exilado, e encontra a Pamela, a sua namorada da altura, já com o caixão selado e uma certidão de óbito assinada por um médico francês. Causa da morte: ataque de coração motivado por “overdose” de heroína. O túmulo no cemitério de Père Lachaise, onde Jim Morrison se encontra enterrado (ou não se encontra, de acordo com a teoria dos que afirmam que ele está vivo...) tornou-se, ao longo dos anos, num lugar de culto.


Marvin Gaye (1939-1974)

Problemas de impostos, conflitos com a editora, a mulher que o engana com Teddy Pendergrass e o consumo desregrado de cocaína provocam em Marvin, autor de “What’s going on” e “Sexual healing”, uma paranóia crescente que o leva a desconfiar de toda a gente e a amontoar armas em casa. Na manhã de 1 de Abril de 1984, o pai, alcoólico, força a entrada em casa do músico, que o considera um intruso. A mãe de Marvin separa os dois mas Marvin Gaye sénior volta à carga e dispara um primeiro tiro de revólver que atinge o filho no peito. Volta a disparar já com ele caído no chão.


Nick Drake (1948-1974)

“Não consigo pensar em quaisquer palavras. Não sinto emoções sobre coisa nenhuma. Não quero rir nem chorar. Sinto-me dormente. Morto por dentro.” São declarações de Nick Drake, confrontado com uma eterna depressão e a dificuldade em arranjar letras para o seu álbum de estreia, “Five Leaves Left”. Na manhã de 25 de Novembro de 1974 o poço engoliu-o de vez. A mãe, Molly Drake, dirige-se ao quarto de Nick para o acordar. Tarde de mais. Nick sucumbira a uma dose exagerada de sedativos. No gira-discos ainda rolava um dos concertos brandeburgueses de Bach. À cabeceira descansavam as páginas de “O Mito de Sísifo”, de Albert Camus.


Tim Buckley (1947-1975)

O autor das fantasmagorias “Happy Sad” e “Starsailor” corria velozmente atrás da noite. Encontra-a na noite de 29 de Junho. Tim dirige-se, meio ébrio, a casa de um “amigo”, Richard Keeling, à procura de heroína. Richard, apanhado prestes a drogar-se, reage com alguma agressividade e prepara-lhe uma dose com uma mistura de heroína e morfina, desafiando-o: “Toma, fica com tudo!” Tim aceita o desafio, convencido de que se trata apenas de cocaína e snifa o pó todo de uma vez. Morre no hospital de Santa Mónica. Longe das estrelas com que costumava sonhar. O seu filho e digno sucessor, Jeff Buckley, morre a 29 de Maio 1997, afogado nas águas do porto de Mud Island, a ouvir “Whole lotta love”, dos Led Zeppelin. Em “You and I”, canção do seu segundo álbum, canta: “Ah, a calma que existe por baixo daquele rio selvagem e envenenado.”


Marc Bolan (1947-1977)

A 16 de Setembro, o ex-hippie e rei do glam rock sai de carro com a sua amiga Gloria Jones e alguns amigos para ouvir música no clube Speakeasy e jantar no restaurante Morton. Ele e Gloria arrancam de regresso às 4 da manhã no Mini 1275 GR roxo de Gloria. Uma hora depois o automóvel esbarra contra uma árvore, numa curva a seguir à ponte de Queen’s Ride, no Sudoeste de Londres. Gloria fica gravemente ferida. O fundador dos Tyrannosaurus Rex morre.


Sandy Denny (1941-1978)

Cair de uma escada abaixo é uma morte pouco gloriosa, mas foi esta a maneira que o destino encontrou para pôr fim à vida da maior voz de sempre da folk inglesa. Sandy sofreu o acidente no dia 21 de Abril, na casa de um amigo. Partiu a cabeça e entrou imediatamente em coma, falecendo pouco tempo depois já no hospital, vítima de uma hemorragia cerebral, sem voltar a recuperar a consciência. O desastre aconteceu quando ela e o marido planeavam mudar-se para os Estados Unidos, para um relançamento da carreira. A morte da cantora dos Fairport Convention e dos Fotheringay aconteceu nove meses depois do nascimento da primeira filha do casal, Georgia.


Sid Vicious (1957-1979)

Sid Vicious, para falar verdade, parece nunca ter estado vivo. Da anarquia punk dos Sex Pistols, lado a lado e aos encontrões, com Johnny Rotten, às convulsões a solo e ao romance infectado com o seu grande amor, Nancy, tudo na existência de Sid apontava para o descalabro e para o niilismo. Nancy é encontrada no dia 12 de Outubro de 1978 na casa de banho de sua casa, encharcada numa poça de sangue com uma faca de mato a seu lado. Sid admite à polícia ter sido ele o assassino. É acusado de assassínio em segundo grau. Desesperado com a morte de Nancy, Sid é preso por causar desacatos num clube nocturno, mas sai em liberdade no dia de audiência. Vai a correr para o apartamento da sua mais recente namorada, Michelle Robinson, injectar-se. Segue-se nova dose, com material mais puro, o que, a seguir a um período (forçado) de abstinência (na prisão), não costuma dar bons resultados. Sid entra em colapso. Mas volta a si e adormece. Acorda a meio da noite para mais um chuto. O último. Alguém disse de Sid Vicious que “cultivava uma imagem de antagonismo”. Ele preferia cantar uma versão de uma canção de Frank Sinatra e dizer: “This is my way.”


John Lennon (1940-1980)

Depois de conseguir, na manhã de Dezembro de 1980, um autógrafo de Lennon, Mark David Chapman, que viajara de Havai para Nova Iorque só para ver o seu ídolo, permanece seis horas em frente ao apartamento do ex-Beatle aguardando a sua chegada. Lê “Uma Agulha no Palheiro”, de J. D. Salinger, enquanto espera. Quando Lennon chega e sai da sua “limousine”, Chapman dispara sobre ele uma sequência de sete tiros. Lennon morre sete minutos depois. Chapman é preso e o seu livro confiscado. Numa das páginas escrevera: “Esta é a minha declaração!”


Ian Curtis (1956-1980),
Phil Ochs (1940-1976),
Peter Ham (1947-1975)


Enforcaram-se os três. Ian Curtis, líder da mais famosa banda do eixo neurodepressivo de Manchester dos anos 80, os Joy Division, enrola a corda ao pescoço imediatamente antes de um concerto. A morbidez das letras que escrevia, juntamente com a epilepsia e a depressão crónica de que padecia contribuíram para o desenlace fatal.
Phil Ochs, cantor de protesto, autor do hino anti-Vietname dos anos 60, “I ain’t marching”, sofre, numa viagem a África, um misterioso ataque de um estrangulador que o leva às portas da morte. Como consequência as suas cordas vocais ficam danificadas para sempre, facto que acentua a depressão de que já sofria. Não resiste, enforcando-se na casa de sua irmã.
No caso de Peter Ham, o insucesso de vendas dos álbuns dos Badfinger, depois de uma fase inicial marcada por canções de êxito, aliado a dissensões no seio do grupo, levam à rescisão de contrato com a editora e ao aparecimento da depressão. Problemas familiares fizeram o resto. Ham põe ponto final na amargura e enforca-se.


Bob Marley (1945-1981) e
Peter Tosh (1944-1987)


Em finais dos anos 80, num dos primeiros concertos de uma digressão pelos Estados Unidos, Bob Marley tem uma síncope em pleno palco. A digressão é cancelada e a Marley é diagnosticado um cancro no cérebro e nos pulmões. Morre sete meses mais tarde vitimado pela doença.
Peter Tosh, outra das lendas do reggae, é atingido a tiro por um gatuno quando este tenta assaltar a sua residência na Jamaica.


Karen Carpenter (1950-1983)

Aos 31 anos a cantora da dupla pop The Carpenters tomava laxantes e remédios para a tiróide, como resultado de tensão em demasia (provocada pela carreira e pela vida familiar), a par da dependência de drogas. Pesa nessa altura 35 quilos. Após algumas tentativas de tratamento e um internamento, parece melhorar e aumenta o seu peso para 41 quilos. No princípio de 1983, a 4 de Fevereiro, Karen faz uma visita à mãe, Agnes. Conversam sobre roupas. No dia seguinte a mãe encontra-a desfalecida no quarto. A autópsia menciona como causa da morte uma paragem cardíaca provocada por anorexia nervosa.


Nico (1940-1988)

Chamavam-lhe a deusa da lua. Nico, modelo, actriz e, acidentalmente, cantora, era um espectro. A sua figura de diva do outro mundo que assombra o álbum da banana dos Velvet Underground esfumou-se como a sua vida, entre drogas, alternando entre excitantes e calmantes, uma insónia permanente e uma carreira que todos manipulavam, sem, todavia, penetrarem na essência do mistério. A 18 de Julho, Nico, na altura a viver com o poeta John Cooper Clarck, embate com a sua bicicleta numa árvore e sofre uma hemorragia cerebral. A deusa da lua encontrou a morte sob o sol de Ibiza, onde estava a passar férias.


Fredy Mercury (1946-1991)

É uma das primeiras vítimas mediáticas da sida, doença que o cantor dos Queen apenas admite ter 24 horas antes do desenlace fatal, através de uma declaração pública: “Desejo confirmar que fui considerado seropositivo e que tenho sida. Achei correcto manter esta informação privada, até agora, para proteger a intimidade dos que me rodeiam. Contudo, chegou a altura de os meus amigos e fãs saberem a verdade. Espero que todos se juntem a mim e aos meus médicos contra esta terrível doença.”


Kurt Cobain (1967-1994)

Uma incompatibilidade crónica com a vida conduz o músico dos Nirvana à heroína, juntamente com a sua mulher, Courtney Love. Uma primeira tentativa de suicídio, por “overdose” voluntária, definida pelo casal como “um acidente”, falha. Os restantes elementos do grupo convencem Kurt a tentar a desintoxicação numa clínica. Kurt acede mas foge de imediato para Seattle deixando um bilhete a Love: “Lembra-te, aconteça o que acontecer, amo-te.” A 5 de Abril de 1994 Kurt barrica-se em casa. Deixa a carteira aberta no chão, com a carta de condução à vista, para facilitar a identificação. Injecta-se com heroína, encosta o cano de uma espingarda à testa e dispara. O corpo é descoberto apenas dois dias e meio mais tarde por um electricista que trabalhava em sua casa.


Jerry Garcia (1942-1995)

Consumidor compulsivo de cocaína, heroína, ácidos (recebera a alcunha de “Capitão Trips”) e tabaco (três maços por dia), Jerry Garcia tinha uma obsessão pela morte, chamando ao seu grupo Grateful Dead e enchendo as capas dos discos com caveiras. Após várias tentativas frustradas de desintoxicação (uma delas deixa-o em coma) faz um derradeiro esforço para se libertar da heroína numa clínica da Califórnia. Durante uma visita de rotina um advogado do centro encontra o músico já sem vida na sua cama, vítima de um ataque de coração.


A reportagem era complementada pelo seguinte texto, assinado por Luís Maio:

Outras Mortes Nada Naturais

Por abuso de drogas e álcool
1968 – Frankie Lymon
1969 – Brian Jones (Rolling Stones)
1973 – Gram Parsons (Byrds e Flying Burrito Brothers)
1974 – Robbie McIntosh (Average White Band)
1976 – Paul Kossoff (Free)
1978 – Keith Moon (The Who)
1979 – Tommy Bolin (Deep Purple)
1980 – Tim Hardin
1980 – John Bonham (Led Zeppelin)
1981 – Mike Bloomfield
1986 – Phil Lynott (Thin Lizzy)
1987 – Paul Butterfield (Butterfield Blues Band)
1988 – Andy Gibb (The Bee Gees)
1995 – Rob Stinson (Replacements)
1998 – Rob Pilatus (Milli Vanilli)

Por acidente
1960 – Eddie Cochran, num desastre de carro
1967 – Otis Redding e cinco membros da banda de suporte Bar-kays, num desastre de avião
1969 – Martin Lamble (Fairport Convention)
1971 – Duane Allman (Allman Brothers), num desastre de moto
1977 – Quatro dos Lynyrd Skynyrd, num desastre de avião
1985 – Rick Nelson, num desastre de avião e D Boon (Minutemen) num desastre de carro
1998 – Sonny Bono (Sony & Cher), num acidente de sky

Por assassínio
1964 – Sam Cooke
1974 – Harry Womack
1987 – Scott La Rock
1995 – Selena
1996 – Tupac Shakur
1997 – Notorious BIG

Por suicídio
1954 – Johnny Ace
1973 – Paul Williams (Temptations)
1976 – Phil Oachs
1979 – Donny Hathaway
1986 – Richard Manuel (The Band)
1997 – Billy McKenzie (Associates)
1997 – Michel Hutchence (INXS)
1998 – Wendy O. Williams (Plasmatics)

Esta lista inclui celebridades tão estimadas quanto as antes referidas, mas também artistas de culto, uns já esquecidos, outros sobretudo lembrados depois da morte. Também não pretende ser exaustiva, mas apenas acrescentar-se à primeira lista. LM

Informações compiladas dos livros “Dead before their time”, de Diana Karanikas Harvey e Jackson Harvey (ed. Metrobooks, 1996) e “Eles morreram cedo demais”, de Tony Hall (ed. Edinter, 1996).