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23/06/2009

No Noise Reduction - On Air

Sons

19 de Dezembro 1997
DISCOS - PORTUGUESES

No Noise Reduction
On Air (7)

Ed. e distri. Ananana

Por detrás das práticas de experimentação dos No Noise Reduction, um trio formado pelos desestruturalistas Rafael Guitarra e Paulo Feliciano, está presente um conceito estético que passa pela manipulação (leia-se “controlo”) do ruído e pela pretensão da sua recontextualização como forma musical autónoma. Se este conceito participava já das montagens sonoras levadas a cabo no trabalho anterior da dupla, “The Complete No Noise Reduction”, marcado por experiências afins de nomes como os Negativland ou Steve Fisk, este novo “On Air” explora o universo digital através da utilização de brinquedos electrónicos, cujos módulos de produção de som são filtrados, modulados e sequenciados pela guitarra ou pelos próprios dispositivos de gravação. Encontramos o mesmo tipo de experimentação no primeiro álbum a solo de Wim Mertens, “For Amusement only”, no qual o compositor “entrava” nos processadores electrónicos de máquinas de “flippers” para criar uma espécie de novo jogo que subvertia de forma irónica as regras do minimalismo. No caso dos No Noise Reduction trata-se antes da criação de um espaço vibratório correndo “no ar”, um “continuum” de modulações que ostentam as marcas do artificialismo, funcionando, neste caso, como subversão do ambientalismo. “On Air” trabalha com a respiração de máquinas pequenas, com as suas brincadeiras de seres sintéticos, com as suas trocas e perdas de energia, com os ritmos próprios dos seus circuitos electrónicos. O primeiro álbum de “pós-rock” nacional, enquanto experiência limite em torno de um conceito totalmente alheio à música popular.

19/11/2008

No Noise Reduction - The Complete No Noise Reduction + Vítor Rua E Os Ressoadores

Pop Rock

21 de Junho de 1995
álbuns poprock

AVARIAS
NO NOISE REDUCTION

The Complete No Noise Reduction (8)
Moneyland, distri. Música Alternativa
VITOR RUA E OS RESSOADORESScratch (7)
Ed. e distri. Ananana

Dois conceitos alternativos para a música portuguesa. Os No Noise Reduction, de Rafael Toral e Paulo Feliciano, partem da compreensão do ruído, qualquer ruído, como célula ou tecido musical, transformado em música através de processo que podem passar pela simples recontextualização das fontes sonoras, como um leitor de CD ou vinilo riscado (ex: o som de um aspirador deixa de ser simplesmente o som de um aspirador se for colocado numa situação conceptual deslocada da sua esfera natural), ou por formas de tratamento sonoro efectuadas “a posteriori” (filtragens electrónicas, samplagens, “cut-up”). Deste tipo de operações resultaram 46 segmentos sónicos que podem ser encarados como uma espécie de “ready-mades” (objectos reinventados ou despojados das suas funções originais, apresentados como obras de arte) musicais que tanto podem incluir o processamento de fontes musicais simples, como a voz ou uma guitarra eléctrica, como agruparem-se em construções/montagens complexas e de sintaxe mais elaborada, em peças como “Stewart mix”. “Everyone else’s universe” ou “The Incredible Marvin”, que poderemos designar de canções, numa estética bastante próxima dos Negativland. Um acto de risco que começou por ser assumido há alguns anos, com a participação na colectânea “Em Tempo Real” (cujas canções estão aqui todas incluídas), e agora se desenrola na sua máxima extensão. De forma coerente e – algo que vai faltando ao meio – criativa.
O risco está de igual modo presente no compacto de Vítor Rua com os Ressoadores. Neste caso sobrelevam os conceitos de manipulação e aleatoriedade. O instrumentista dos Telectu preparou previamente instrumentos e situações musicais que depois colocou na mão dos seus “discípulos”, criando deste modo acções de interactividade entre uma base pré-programada e a “execução” – de níveis técnicos bastante díspares – em tempo real dos vários participantes, tornados extensões de Rua, ao mesmo tempo manipuláveis mas apesar de tudo com uma margem de liberdade descoberta no próprio instante do contacto. Sequências repetitivas, pequenas gravuras ambientais, cacofonias sem lógica perceptível e explorações tímbricas várias, sobretudo da guitarra, alinham-se num discurso cuja unidade advém dessa espécie de caos organizado que o anima.

03/10/2008

Vários - Em Tempo Real

Pop Rock

30 OUTUBRO 1991

Vários
Em Tempo Real
CD, El Tatu, distri. Polygram

As bandas que partilham entre si o tempo deste CD de apresentação da nova editora El Tatu estão-se nas tintas para a música portuguesa. Ainda bem. É verdade que os Plopoplot Pot, A Máquina do Almoço Dá Pancadas (sobretudo estas duas) e os No Noise Reduction são sensíveis a influências externas. Mas, em qualquer dos casos, trata-se de uma assimilação de linguagens, não de uma cópia. Sem excepções, nota-se em todos os intervenientes (na maioria excelentes executantes) o prazer e a alegria de fazer música, sem preconceitos e livre das imposições mesquinhas que são a regra no pântano do nosso meio musical.
Os Plopoplot Pot e A Máquina bem poderiam figurar no catálogo Recommended. O grupo de Nuno Rebelo transporta as sonoridades dos Lounge Lizards e da “down town” nova-iorquina para um universo bizarro de manipulações electrónicas sobre o qual se desenrolam as deambulações modais dos saxofones de Rodrigo Amado e Paulo Curado, suportados pelo baixo de Rebelo e a rítmica sincopada de Bruno Pedroso. Preciosa, a intervenção, na guitarra eléctrica, de Luís Areias, em “Ataque nocturno c/ radar”.
A Máquina (de João Pires de Campos, mais conhecido por Flak, nos Rádio Macau…) integra a na sua música a estética “free pop” dos Henry Cow (evidente em “7:5:3” e “Paisagens de Madeira”) e o minimalismo tonal dos Soft Machine de “Seven” (“Barcos na água”). O resultado é francamente sedutor.
Passando ao lado das improvisações em guitarra/baixo/bateria do trio Luís Desirat, Rafael Toral e João Oliveira e Silva, meros exercícios de estilo sobre as potencialidades dos respectivos instrumentos, cabe aos No Noise Reduction (Paulo Feliciano e Rafael Toral) fechar em beleza um disco que abre portas à nova música feita em Portugal. Mestres operadores do ruído (na mesma área em que se movem, por exemplo, David Linton, Steve Fisk ou Chris Burke), os NNR recorrem aos “samplers”, às técnicas de “scratch”, à manipulação de fitas magnéticas ou de leitores de CD “preparados” e às programações computorizadas para a criação de miniaturas cibernéticas que juntam o humor, Jimi Hendrix, os jogos electrónicos e o ruído “puro” com que encerram a sua prestação. “Em tempo real” acaba de vez com a execrável ladainha do “para portugueses não está mal”. Excelente disco. Em Portugal ou em qualquer parte do mundo. (8)