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17/06/2015

Schlammpeitziger, Pole, Tarwater...




"Schlammpeitziger, Pole, Tarwater..." (Fernando Magalhães)

Fernando Magalhães
20.09.2001 160424

VIVA, ESTOU A FALAR DE MÚSICA!!!!!!!

1ªs impressões:

A colectãnea dos SCHLAMMPEITZIGER não adianta nada de novo. A curiosidade estava em saber a como é que o grupo soava antes do "Spacerock...".
Nenhuma surpresa, quanto a isso. O 1º e último temas são elucidativos quanto à quase veneração pelos CLUSTER: O tema de abertura recupera o tom proto-industrial de "Cluster II", enquanto o do fecho evoca o álbum "Sowiesoso".
Os outros temas "inéditos" mostram uns SCHLAMMPEITZIGER mais arcaicos do que aqueles que já conhecíamos. (7/10)

"Raum", dos POLE (c/algumas remisturas de Burnt Friedmann): Click 'n' dub com sugestões de jazz subliminar. De início ouve-se bem, mas a insistência numa fórmula demasiado rígida acaba por causar alguma indiferença.

Ainda não ouvi o novo TARWATER: "Not the Wheel", disco no qual deposito algumas esperanças, dada a evolução imprevisível que o grupo tem sofrido.

FM

09/12/2014

Ondas eletrónicas em Braga [Festival BRG 2000]



cultura SÁBADO, 4 NOVEMBRO 2000

Festival BRG 2000 começa hoje e prolonga-se por dois sábados

Ondas eletrónicas em Braga

Braga vai ficar ligada à corrente elétrica durante três sábados seguidos. O gerador é da marca Evento Zero, modelo BRG 2000, festival que levará à cidade minhota nomes importantes da música eletrónica atual. Hoje, a noite é animada pelas “funny electronics” da escola alemã, com Schlammpeitziger e Holosud.

Schlammpeitziger e Holosud são designações pouco comuns para grupos musicais. Mas no universo multiforme em que ambos os projetos de movimentam faz sentido acrescentar ao prazer da música que fazem o inusitado dos nomes. Schlammpeitziger é, calculem, um só músico: Jo Zimmerman. Holosud é Jo mais FX Randomiz que, embora também não seja nome de gente, gravou um fantástico álbum intitulado “Goflex”. Os nomes não são fáceis de soletrar nem constam do dicionário de alemão. E se nos debruçarmos sobre os títulos dos álbuns, então o jogo de letras torna-se num verdadeiro desafio à imaginação. “Spacerokkmountainrutschquartier” e “Augenwischwaldmoppegeflöte” para os Schlammpeitziger, “Fijnewas Afpompen” para os Holosud, todos editados no selo a-musik e disponíveis em Portugal com distribuição Ananana. Para baralhar ainda mais, acrescente-se que o cartaz desta noite completa-se com uma banda portuguesa chamada Zzzzzzzzzzzzzzzzzp! – Miguel Sá, Miguel Carvalhais, José Moura e Manuel Dias, manipuladores de filmes eletrónicos que fundem a realidade e a fantasia. Como fazia Mr. MxZPtlk, vilão dos “comics” do Super-homem, proveniente de um planeta em forma de cubo.
            Não se ouvia nada assim desde que, nos anos 70, os Cluster instalaram os sintetizadores num carrocel às cores no cinzento de Berlim e os Devo publicaram a sua teoria sobre a “desevolução” num circo para mongolóides sorridentes, em Akron, no Ohio. A feira popular montada no coração da disformidade.
            Hoje, a eletrónica reaprendeu a brincar, sobretudo na Alemanha onde curiosamente as pessoas têm fama de não saberem apreciar uma boa piada. Agradeça-se ao humor visionário de pioneiros como os já citados Cluster, Pyrolator, Holger Hiller e Der Plan.
            A música dos Schlammpeitziger e Holosud dá corpo à sensualidade, faz abrir os ouvidos num sorriso, despeja um arco-íris de sensações na glândula pineal até todo o sistema nervoso de revolver de prazer e brilhar como uma árvore de natal. Música de dança para dançar fora da gravidade numa discoteca de Plutão.
            A esta vertente lúdica, representada de forma superlativa por estes dois projetos que agora nos visitam, se deve terem sido afastados de vez os espectros da música industrial, enfiado inteligência na tecno e trocado as voltas às patorras da “house”, pondo em sobressalto o mundo da eletrónica entronizada num altar. As canetas desenham “cartoons” nos “Powerbooks”, os sintetizadores analógicos regressaram em força para deitar a língua de fora à brigada liofilizada dos digitais e estes respondem sem rancor lançando-lhes à cara samplers serpentinas que mimam o som dos velhos aparelhos Moog e ARP. Perdeu-se o tino, o chão foge debaixo dos pés varrido por este caleidoscópio de sons que rodam e saltitam numa metamorfose sem fim com o objetivo único de nos fazer babar de prazer. Stockausen e o sr. arcebispo de Braga franzirão o sobrolho ou também gostam de caramelos?

SCHLAMMPEITZIGER, HOLOSUD, ZZZZZZZZZZZZZZZZZP!
BRAGA Antigas instalações do Tribunal Judicial de Braga, às 22h. Entrada livre.


SÁBADOS ELECTRO

 4 DE NOVEMBRO, 22H00

Zzzzzzzzzzzzzzzzzp! (Portugal)
Um dos grupos nacionais de referência da nova eletrónica portuguesa. Entre o industrialismo digital, as fotografias Kirlian dos Cabaret Voltaire e a tentação tecno.

Schlammpeitziger (Alemanha)
O supra-sumo da nova eletrónica alemã encarada como fonte de inesgotáveis prazeres pelo manipulador e ideólogo Jo Zimmerman.

Holosud (Alemanha)
Pareceria de Schlammpeitziger com FX Randomiz, outro nome de referência da editora a-musik. A arquitetura sonora torna-se mais complexa, o humor é menos evidente, mas a auto-estrada para o prazer continua aberta na via verde.

Djs: Miguel Sá e Miguel Carvalhais. Vídeo: Rev Design + Schlammpeitziger

11 DE NOVEMBRO, ÀS 22H00

Projeto comum de Pedro Almeida e Pedro Tudela, dos Mute Life Dept. e Miguel Carvalhais, dos Zzzzzzzzzzzzzzzzzp! com a designer e videasta austríaca Lia.

Concorde Plus (Áustria)
Colaboração de Ramon Bauer, co-fundador da editora Mego, com Gerhard Potuznik, cérebro electro e produtor das Chicks on Speed.

Dj: Pedro Tudela. Vídeo: Tina Frank (Áustria), Lia (Áustria)

18 DE NOVEMBRO, ÀS 22H00

Felix Kubin (Alemanha)
O Holger Hiller do final do milénio, showman do kitsch electro delirante, já atuou em Portugal por duas vezes, no festival Reset do ano passado, a bordo de um cacilheiro, e como DJ, em discotecas de Lisboa e do Porto.

Aaviko (Finlândia)
Muzak, neo-disco, discos de baixa-fidelidade e groove digital. O grupo, tal como Felix Kubin, irá atuar em Lisboa no dia 19, em local ainda a designar.

DJ: Felix Kubin e Georg Odjik (da editora a-musik)


Jo Zimmerman e os brinquedos

NA CABEÇA de Jo Zimmerman, ao mesmo tempo mentor, patrão, operário, “designer” e moço de recados dos Schlammpeitziger, os conceitos e as imagens rodopiam à mesma velocidade com que o atual milénio se presta para dar a vez ao seguinte. Em vez de fazer música poderia ganhar a vida “a vender brinquedos sexuais para animais”, como comentou para o PÚBLICO, em corrida para um espetáculo na Bélgica. Também não parece estar a falar a sério quando define as diferenças estéticas existentes entre as duas principais editoras alemãs de música eletrónica, a-musik e a Mille Plateaux, como uma “batalha de cerveja”. E quando lhe foi proposto fazer uma lista dos seus artistas preferidos, a escolha apresentada não poderia ser mais elucidativa: Renaldo and the Loaf, Residents, Coil, Bene Gesserit, Telex e Der Plan. Todos habitantes da quarta dimensão e seguintes.
            Jo faz parte de uma nova geração de músicos alemães que se recusam a desempenhar na música eletrónica os papéis de professor e carpideira. Filhos de uma tradição de peso que nasceu com o serialismo, cresceu enjoada com a pop anglo-americana e bateu com o martelo na bigorna do “krautrock” (é verdade que as faíscas se espalharam pelo Cosmos…), os Schlammpeitziger, como os Mouse on Mars, Nova Huta, Pluramon, Schneider TM, B. Fleischmann, Bluthsiphon, Bernd Friedmann, Atom Heart, Thomas Brinkmann, Jeans Team, Kreidler, Tarwater, Felix Kubin ou To Rococo Rot, escaparam pela janela ao preconceito que adora atirar a música eletrónica para os lugares – da frente, sem dúvida, mas numa casa normalmente vazia – da “vanguarda”.
            Assumem antes o gozo da manipulação na descoberta da inocência perdida, onde a máquina abandona a frieza dos números para adquirir a sedução do brinquedo.

15/10/2014

Schlammpeitziger + Fumble



29 de Aetembro 2000

Brincamos!

Schlammpeitziger
Augenwischwaldmoppgeflöte (7/10)
a-Musik, distri. Ananana

Fumble
Fumble (6/10)
Karaoke Kalk, distri. Ananana

            “Jo Zimmerman é um músico bem disposto e disposto a pôr-nos bem dispostos”, afirma, bem disposta, a distribuidora. Jo Zimmerman, aliás Schlammpeitziger, depois do singelamente intitulado “Spacerockmountainrutschquartier”, tornou-se em definitivo o rei da Clusterlândia. Voltando a apostar num título curto e incisivo, como “Augenwischwaldmoppgeflöte”, Jo prova uma vez mais o seu gigantesco talent para a construção de máquinas de Flipper do fabricante “Moebius & Roedelius” que, uma vez ligadas, são impossíveis de desligar. Nunca a eletrónica provocou tamanho ronronar, poucas vezes deu tanta vontade de saltar para o carrocel, raramente os sintetizadores se enfeitaram com as cores do Carnaval como neste Augenwischwaldmoppgeflöte”. Tudo neste álbum afasta a depressão e os céus mais carregados de projetos – apesar de tudo não tão distantes como isso dos Schlammpeitziger – como FX Randomiz, Schnitstelle ou Schneider TM. Não é música boa para fazer ginástica mas serve na perfeição para fazer massagens. Mas apetece perguntar ao senhor Zimmerman até que ponto as suas citações aos mestres se aproximam, nalguns casos, da cópia. “Restwasserstveitgebettel” e “Beingodick” são postais “DeLuxe” dos Harmonia, o que significa que Jo se afastou aqui um bocadinho dos Cluster. Só um bocadinho, se ouvirmos “Klapperhofohrkester” e compararmos com “Sowiesoso”. Na maior parte do tempo, porém, é “Zuckerzeit” a funcionar. Os Kraftwerk, como não podia deixar de ser, aparecem citados de “Ralf and Florian” em “Winmweltbestaubung” (estes títulos, não garanto que estejam bem escritos, e também já me irritam um bocadinho). A brincar, a brincar, com os Mouse on Mars, Kreidler, B Fleischmann, Isan, Pluxus ou Nova Huta, os Schlammpeitziger encontraram a estrada dos tijolos amarelos (ou, já agora, o submarino amarelo) da eletrónica para o grande “smile”. Mas, já agora, não podiam brincar a outra coisa sem ser aos Cluster?
            Comparados com isto, os Fumble, alter-ego de Jens Massel, são um tratado de estruturalismo. Coisa para franzir o sobrolho. Envolvido em outros projetos como Senking, Kandis e Genf, Massel prova com “Fumble” as suas aptidões de designer que sabe cozinhar o “dub” e a eletrónica fria dos Oval (digamos Mouse on Mars congelados) como ementa de salão de baile para disléxicos, ou de programador competente de ruídos digitais a fingir de tribais, muito Mille Plateaux, mas os compartimentos onde o seu cérebro habita visitam-se durante alguns minutos, aprecia-se o rigor o volume e da cor, para se chegar à conclusão de que lá fora se está melhor. Provavelmente a ouvir “Augenetcvejamláseparaapróximaencurtamestamerda”. É Schlammpeitziger, ninguém leva a mal.

23/10/2009

Válvulas de escape [Electrónica]

Sons

29 de Maio 1998
DISCOS - ELECTRÓNICA

Válvulas de escape

“Another Fictionalized History” reúne “singles”, lados B e alguns EP dos Jessamine, uma das bandas de pós-rock da primeira geração. Música de extraordinária densidade tímbrica, resultante da mastigação de sonoridades ultra-analógicas algures entre os delírios de um amplificador a válvulas e um avião de carga em queda livre. As guitarras, amassadas ao meio do conglomerado de lataria, contrastam com a suavidade da voz de Dawn Smithson. Os Jessamine têm, além disso, padrinhos de peso: os Suicide, de quem, a abrir o disco, repescam “Cheree”, e os Silver Apples (grupo que, em 1968, antecipava precisamente os Suicide, com Simeon Coxe a fazer literalmente explodir o seu sistema de osciladores acoplados), numa versão de “Oscillatons”. Também disponível está o álbum de estreia dos Jessamine – mais do tipo vai ou racha, cúmplice da brutalidade pós-punk –, “The Long Arm of Coincidence”. (Histrionic, import. FNAC, 7).

O disco que vai rebentar mais do que os ouvidos até mesmo as colunas de som é “Import/Export”, dos Genf, uma orgia de baixas frequências, gravadas nos estúdios dos Can por René Tinner, que empurra a gravidade dos Ui para os patamares inferiores do Inferno. Não há “drum’n’bass” que resista a instintos tão baixos. Quando muito, “bass ’n’ bass”... (Compost, distri. Megamúsica, 7).

Mark Nelson é um dos elementos dos Labradford que no seu projecto a solo, Pan.American, se demarca da sua banda. “Pan.American” experimenta com subtileza o tecno ambiental e o “trip-hop”, numa base igualmente contemplativa, mas onde latejam sonoridades por vezes próximas dos Biosphere. (Kranky, distri. MVM, 7).

Para os lados do ambientalismo, sinónimo de paisagens inóspitas e de explorações de risco, os Visna Mehedi Ensemble propõem, em “Unintentional Beauty”, a visita a uma galeria de quadros abstractos pintados com a paleta étnica de Robert Musci (um dos elementos do “ensemble”), o cavalete conceptual de John Cage e o pincel acusmático de Jocelyn Robert ou de Steve Moore, com alçapões para o “hip-hop”. (Lowlands, distri. Ananana, 8).

Roberto Musci (será preciso lembrar o trabalho precioso que tem desenvolvido com Giovanni Venosta?) tem a partir de agora disponível o seu trabalho a solo, “The Loa of Music”, de 1983, percursor da obra-prima “Water Messages on Desert Sand”. Inspirado nas máscaras, nas invocações e nos rituais curativos vodu, o álbum, reintitulado “Debris of a Loa”, inclui um tema de homenagem a Harry Partch, fusões de samplers com detritos étnicos de proveniência suspeita e um disco inteiro de bónus, “Umi – The Sea”, gravado entre 1993 e 1997, de parceria com Claudio Gabbiani, guitarrista e manipulador de samplers e fitas magnéticas. (Lowlands, distri. Ananana, 8).

Os amantes da excentricidade têm a partir de agora acesso, embora pela porta de saída, a um dos primeiros discos distribuídos pela Recommended, “The Way Out”, de L. Voag. Voag é um maluco que junta o gosto pela anedota de Ivor Cutler, o ska andróide, a excentricidade electrónica de Ron Geesin, o prazer das construções mongolóides dos Renaldo & The Loaf e o parasitismo jazzístico de David Garland. Um “cocktail” de surpresas que não desagradará a quem se deliciou com a descoberta de Fuschimushi Math-Ice. A par de uma faixa de silêncio, para descansar, há ainda a inclusão do EP “Move”. (Alcohol, distri. Matéria Prima/Ananana, 8).

O rock alemão continua a estender os seus tentáculos. Quando saiu já o novo dos Kreidler, entram em cena os Schlammpeitziger, com “Spacerokkmountainrutschquartier”, uma colecção de referências e citações ao passado. Os Schlammpeitziger refazem a fábrica de brinquedos eléctricos de “Zuckerzeit”, dos Cluster, em temas que parecem ter sido compostos pela dupla germânica, como “Bienenkopfkoobgeflecht” e “Discoboingbeach” andam no carrossel mágico dos Harmonia, numa aproximação mais do que evidente, em “Honkytonkschlickummpittz”, e acompanham a corrida dos Neu!, no título-tema. Como passatempo, descubram onde se encontra escondida a fachada de “New Age of Earth”, de Ashra/Manuel Göttsching... Depois do reagrupamento dos genuínos krautrockers nos La! Neu? e nos Space Explosion, e das ressurreições dos Faust e dos Amon Düül II, os Schlammpeitziger são portadores tardios do facho que conseguiram capturar a substância dos mestres e as formas arquetípicas dos anos 70. Não fica mal arrumá-los ao lado dos clássicos. (A-Musik, distri. Matéria Prima/Ananana, 8).

Outra página digna da ilustre ascendência do “krautrock” foi escrita por Schneider TM, alter-ego de Dirk Dresselhaus (cujo rosto, curiosamente, é parecidíssimo não com o de Florian Schneider, mas com o de Ralf Hütter, outro Kraftwerk…), que apresenta em “Moist” as suas palpitações electrónicas instaladas entre os Mouse on Mars e os To Rococo Rot, entrando tanto pelos territórios da electrónica “suja” de David Linton ou dos Art Barbeque como na electropop dos OMD. Uma das influências que agora emerge no pós-rock alemão, os Pyrolator (Kurt Dahlke, o qual começa a ser citado nas capas com alguma frequência) emerge em “Camping”. (City Slang, distri. Música Alternativa, 8).

Os F. X. Randomiz, também alemães, logram em “Goflex” fazer a síntese da música programática elevada ao grau lógico mais elevado de uns Oval ou de uns Lan, com o mesmo tipo de humor tecnológico de Chris Burke (de “Idioglossia”) e um swing electrónico que não se encontrava desde os primeiros Yello ou dos... Pyrolator. Se os Tone Rec advogam os prazeres do sado-masoquismo, através da chicotada, os F. X. Randomiz cultivam o epicurismo da repetição e o fetichismo dos computadores. (A-musik, distri. Matéria Prima/Ananana, 8).

Reedição de maior importância é a de “Outside the Dream Syndicate”, de Tony Conrad com três músicos dos Faust, Werner Diermeier, Jean-Hervé Peron e Rudolf Sosna, gravação de 1972. Tony Conrad, compositor e violinista, hoje recuperado pelas falanges do pós-rock, fez parte do “Teatro de Música Eterna” de La Monte Young, mas foi sempre personagem malquerida entre os minimalistas. A sua posição, de um anti-academismo ferrenho, a par da rudeza de meios de que sempre deu mostras, chocava com as ambições do grupo. A reedição recente de uma caixa contendo a totalidade das suas composições minimalistas do princípio dos anos 60, voltou a repor algumas interrogações, reposicionando a obra deste americano no seio do movimento. O encontro de Conrad com os Faust, então uma autêntica erupção de novidade nos meios pop vanguardistas da Europa, processou-se por via do produtor e descobridor do grupo, Uwe Nettelbeck, constituindo uma das primeiras edições da editora Caroline, então subsidiária da Virgin. “Outside the Dream Syndicate” está para o minimalismo como “Metal Machine Music”, de Lou Reed, está para o rock. Para muitos a audição das duas faixas que fazem parte da versão original em vinilo, “From the side of man and womankind” e “From the side of the machine”, era e continua a ser insuportável. São duas procissões intermináveis (26 minutos cada) de uma só nota e uma só batida (imagine-se “It´s a rainy day, sunshine girl”, dos Faust, passado por um rolo compressor), que procuram desenvolver e transcender o conceito de monotonia, tomando como base notações matemáticas pitagóricas e o transe da música indiana, para chegar a uma inversão da “dream music” profetizada por La Monte Young. Aos dois temas originais, Tony Conrad acrescentou para esta reedição um terceiro, “From the woman and mankind”, como que a estabelecer uma simetria capaz de tornar o seu sonho num “loop” de tortura universal. E, no entanto, ficamos pregados a esta medida que faz do nada o infinito. (Table of Elements, import. Virgin, 8).