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21/03/2018

Soul Center 3



Fernando Magalhães
12.03.2002 190752

Recebi finalmente o CD.

Primeiras impressões:

- a fórmula é idêntica à do álbum anterior, recorrendo, desta feita, em 3 dos temas, a samples de Isaac Hayes e de uma banda de soul meio chunga, os Silver Convention, se não estou em erro.

- a música parece-me, no entanto, mais minimalista e...matemática, como se o disco se quisesse aproximar, ou tentasse encontrar uma solução de compromisso com os discos assinados em nome próprio, como Thomas Brinkmann.

- som fabuloso. Numa das faixas o som vem de lado, totalmente fora das colunas. Pura arquitetura sónica, jogando com o espaço.
Noutra faixa, ouve-se um som baixo como se fosse uma mancha de tinta auditiva a espalhar-se pelo corpo e pelo cérebro. O termo "visceral" aplica-se aqui com toda a propriedade. Não se trata de uma batida mas de uma poça, um charco de baixas frequências.

- A tecno continua a ser o veículo privilegiado, mas o groove diversifica-se, entrando por múltiplas direções, umas mais sofisticadas do que outras, mas sempre sem perder a inconfundível capacidade de arrastar o ouvido e o corpo atrás do ritmo. Neste aspeto, TB continua imbatível.

- Dá-me a ideia, no entanto, de ser um disco menos orgânico, ou menos espontâneo, que o anterior. Todo o edifício sonoro parece erguer-se de forma mais calculista. Ainda aqui, um parentesco com a música de...Thomas Brinkmann.

FM

20/02/2016

Soul Center - Soul Center

Y 12|ABRIL|2002
roteiro|discos

SOUL CENTER
Soul Center
Novamute, distri. Zona Música
7|10


Thomas Brinkmann, aliás Soul Center, enceta a terceira etapa da sua cruzada a favor de um “back to the basics” da “dance music” que junta as pontas da tecnologia “hi-tech” à raiz da “soul” e do “rhythm ‘n’ blues”. Claro que se pode observar através do prisma da ironia esta estratégia de remontagem, do ritmo e da alma, que remete para os manifestos tribais de Sly and the Family Stone, sem que daí se possa inferir qualquer desvalorização. A “soul” de Thomas Brinkmann é techno, o prazer confunde-se com a mecânica, como o do cão-robô que, na capa, persegue um osso-robô, mas o que o músico alemão continua a conseguir fazer como ninguém é por qualquer um a dançar como uma marioneta sem vontade. Recorrendo a samples de Isaac Hayes ou dos Soul Children, formatados em programações infatigáveis ou, em “I know”, cavando um poço de baixos “dub” que parece não ter fundo, “Soul Center” soa talvez mais analítico e “pensado” que os anteriores capítulos, mas o resultado é o mesmo: gastar as solas dos sapatos.

08/08/2014

Soul Center - Soul Center 2

14 de Julho 2000
POP ROCK - DISCOS


Soul Center
Soul Center (8/10)
W.v.B. Enterprises, distri. Ananana

Nunca perdoarei a Thomas Brinkman a forma como, no fecho do festival “Reset!” do ano passado, em Lisboa, me “obrigou” a dançar, manipulando-me como um boneco nas mãos de um programados mágico… “Vinguei-me”, recebendo com frieza o anterior objeto denominado “Soul Center”. Mas este novo retorno ao “centro da alma”, uma vez mais empacotado, quase com desdém, com uma apresentação miserável, volta a mexer os cordelinhos, obrigando-me a funcionar como o incondicional de “dance music” que nunca fui. Deixemo-nos de rodriguinhos: “Soul Center” é simples, direto, linear e absolutamente devastador e swingante. Sobre programações techno/electro de uma desarmante (e alarmante…) simplicidade, Brinkman dispõe as vozes sampladas de gente como Rufus Thomas, Eddie Floyd ou George Clinton, com a desfaçatez de um ilusionista que, sem esconder o jogo, consegue todavia o prodígio da ilusão perfeita. O tema de abertura, “Can I ask you”, coloca os Can no centro de uma discoteca e “Are you ready” obriga a aumentar impulsivamente o volume de som, como uma máquina cardíaca que tivesse decidido sincronizar o coração do ritmo de um vudu “funky”. E se a perfeita simulação electro soul/funk de “Boy”, “Respect” e “Who in the funk”, e o fantasma de Herbie Hancock, em ação em “Morningstar”, andam de mãos dadas em “Soul Center”, é contudo em “Psycho set” que o transe se transforma em controlo absoluto. O centro da alma é uma estação de energia, um computador vivo, uma orgia de música de dança. Não, jamais perdoarei a Thomas Brinkman…


10/06/2011

Soul Center - Soul Center

18 de Fevereiro 2000
DISCOS – POP ROCK

Soul Center
Soul Center (6/10)
W.v.B. Enterprises, distri. Ananana


Uma das perguntas que ao longo dos últimos anos fiz a mim próprio foi: “Para que serve a música de dança?”. Sem que me desse conta, fez-se luz e a resposta brotou, luminosa, no meu cérebro: “Para dançar”. Armado com esta descoberta encarei de frente a tarefa de escrever sobre este álbum sobre o qual a informação é nula, exceptuando o facto de me terem dito que o mentor dos Soul Center é o alemão Thomas Brinkmann, o mesmo que no ano passado, no concerto de encerramento do Festival Reset!, me fez corar de vergonha, pondo-se a dançar ritmos tecno, ali em frente de toda a gente! O tema de abertura de “Soul Center” prolonga aquilo que se ouviu naquela ocasião: música electrónica primária mas extremamente eficaz. As coisas mudam de figura no tema seguinte, com um swing construído a partir de samples vocais que lembra “Idioglassia”, um excelente e ignorado álbum de Chris Burke. A batida tecno-tribal regressa no tema nº3, o que me obrigou a saltar uma vez mais do computador para o meio da sala, possuído pelo furor da dança. “Funky man!”, gritei de entusiasmo, os olhos injectados de sangue, as pernas fora de controle. Mais “funk” e vozes sampladas na faixa 4. Começo a ficar preocupado. Estou a gostar. Vejo ao longe James Brown acenar com os braços. Uma coberta de sintetizador de cetim analógico aumenta ainda mais a sedução. Thomas Brinkmann é um pragmático, tudo na sua música converge para a sagrada função de fazer dançar, custe o que custar, de forma por vezes linear mas sempre sob o comando, mais do que da inteligência, dos estímulos disparados pelos sentidos. Sem ser inovador, soando sempre a anacronismo, “Soul Center” toca, afinal, nesse tal centro da alma – lugar onde convergem e de onde partem todas as danças.