14/07/2015

Fridge vs. Rechenzentrum (+ Lilac Time)



 
"Fridge vs. Rechenzentrum (+ Lilac Time)" (Fernando Magalhães)

Fernando Magalhães
10.10.2001 130133

Achei o "Happiness" dos FRIDGE, uma desilusão, comparado com os anteriores "Semaphore" e "Eph".
Há uma colagem óbvia ao Steve Reich dos anos 60, nos temas mais "acústicos". O lado electrónico é previsível e estende-se por demasiado tempo, sem que as ideias apareçam. Há uma ou outra faixa engraçada ("Drum machine and glockenspiel", por ex.) mas o disco cansou-me. E aquelas guitarras "pós-rock" já me dão cabo da paciência.

Em contrapartida, no novo "The John Peel Session" os RECHENZENTRUM arriscaram tudo. O groove endureceu, sons concertos abateram-se sobre a mistura, há uma incursão de música de cãmara no meio da tecno mutante de "Solaris" e do tema que vem a seguir. Percussões industriais e samples misteriosos abatem-se sobre os sintetizadores. Um passo inesperado e estimulante, em relação ao anterior e altamente dançável "Rechenzentrum".

saudações electro

FM

PS-Os The LILAC TIME são uma banda pop bem engraçada. Ouvi ontem "Compendium - The Fontana TRinity". Apesar de uma extensão algo excessiva (o CD é duplo, com cerva de 2h30) encontram-se canções pop "com sabor a clássico", instrumentais neo-folk e melodias tipo Lightning Seeds. Os apreciadores de pop "mesmo pop", luxuosamente arranjada e apresentada, terão aqui bom material para se entreter.


Pedrotaos
10.10.2001 160416

por acaso acho o "happiness" uma maravilha,mas é mesmo assim...é a história da vaginas J

mas partilho da fascinação pelo novo dos Rechenzentrum,cheio de texturas bizarras com clicks & cuts a criarem ritmos para um baile de robots....alguns temas fazem-me lembrar Isolee.

saudações


Fernando Magalhães
10.10.2001 170515

"História da vaginas"????? Explica lá essa, evitando a utilização de palavras equivalentes a "tu-sabes-qual-começada-por-um-B-e-acabada-noutro-B-com-um-O-no-meio".

O problema do novo FRIDGE, banda que sempre estimei bastante, está em que vislumbro nele uma série de pormenores, alguns deles interessantes, que depois não adiantam nem atrasam, talvez até, pela excessiva duração da maioria dos temas, sem que tal se justifique. Dá ideia de que o grupo resolveu inovar, introduziu na sua música elementos novos, mas depois não soube o que fazer com eles.

Exactamante o oposto do que os RECHENZENTRUM conseguiram fazer, já que o novo álbum também representa uma ruptura com o disco anterior. No caso dos alemães, ruptura que se traduziu num objecto tão coerente como fascinante e verdadeiramente experimental.

FM

Electronic news




"Electronic news" (Fernando Magalhães)

Fernando Magalhães
04.10.2001 160402

Circuito ligado.

TARWATER, álbum novo, "Not the Wheel" (n/tenho a certeza se é este o nome...). O que ouvi, gostei. Uma banda desalinhada do pós-rock alemão, entre a pop, electrónica indefinível e dança para mentes retorcidas.

PUB: "Do you ever Regret Pantomime?" (ed. Ampoule). Aqui entramos na "Mysterions land". Electrónica ambiental, de groove subliminar, por vezes a sugerir os ISO68, outras sugada pelo imenso buraco negro dos STARS OF THE LID.

SENSE: "A View from a Vulnerable Land" (ed. Neo Ouija) - Mais de 70 minutos de papel de parede electrónico. Sons agradáveis, grooves de cristal, um balanço suave ideal como música de fundo. Muito próximos dos AROVANE.

Agora, o mais importante: Há aqui algum entusiasta pela música do francês RICHARD PINHAS e dos seu grupo HELDON?
Vem isto a propósito da minha aquisição, ontem, de um disco do Pinhas que me faltava, "Chronolyse", com três temas inspirados na obra de FC, "Dune", de Frank Herbert.
Além de uma suite de 7 partes para synth Moog manipulado ao vivo, inclui os 30m22 de "Paul Artreides", um vulcão de electrónica, baixo magmático e guitarra demoníaca.

A música de Richard Pinhas, deste álbum, como também de "Rhizosprère" ou "Iceland", cruza o "space rock" cósmico dos Tangerine Dream com a energia dos King Crimson. Pinhas é um discípulo assumido de Robert Fripp.

Quanto aos HELDON, só ouvindo, um álbum "monstruoso", de electrónica incandescente, como "Un Rêve Sans Conséquence Spécial". Free electronics, Synths analógicos soando em toda a sua glória, sequenciações de chumbo, alucinações sónicas de toda a espécie. A descobrir urgentemente.

FM

Laurindinha




"Laurindinha" (pohzumano)

pohzumano
03.10.2001 150359

TELEX
Ei-lo finalmente! o novo Life on a String de Sua Alteza Suprema Mrs. Reed, aka Laurie Anderson :)

Um cruzamento entre Bright Red e Strange Angels. Soa-me obrigatório. Musicalmente redentor. Violino dominador e deliciosamente soturno. Primeiro tema belíssimo nomeado: Statue Of Liberty. Textos continuam excelentes. Capa brilhante - blame it on Nonesuch?

Tragam-na cá!!! Faça-se abaixo assinado.


Fernando Magalhães
03.10.2001 170524

A Laurie Anderson já actuou em Portugal pelo menos duas vezes.
Numa delas, fez a 1ª parte do B*B Dylan, no Pavilhão de Cascais. Soou despropositado e fora do contexto. Do que me lembro, praticamente só tocou violino (um modelo luminoso) e cantou. Parecia um ensaio.

Na 2ª vez, a coisa mudou de figura. Espectáculo Multimédia total a fazer jus à música e "visuals" da senhora. Foi no Coliseu, se não estou em erro.

Ah, sim, já tinha cá estado, muitos anos antes, no Forum Picoas, para apresentar uma performance/vídeo qualquer. Não fui dessa vez.

Quanto a "Life on a String", ainda só ouvi uma vez e muito por alto. Pareceu-me LA "average", com mais insistência nas cordas e, em particular, no seu violino ultra-amplificado. mas a estrutura das canções permanece exactamente a mesma.

Continuo a achar que os melhores álbuns dela são o da estreia, "Big Science", "Home of the Brave" e, principalmente, a obra-prima "Strange Angels".

saudações

FM

Querem a crítica dos Residents, já? + Monolake




 "Querem a crítica dos Residents, já? + Monolake" (Fernando Magalhães)

Fernando Magalhães
01.10.2001 170557

Querem?

Oooohhhhh. Lamento, mas deontologicamente não é correcto. Vão ter que ler o texto amanhã no PÚBLICO:  J
hehehe

FM

PS-MONOLAKE, ontem, em Torres Vedras: ao fim de 2h30 de actuação, o Robert Enke continuou a tocar. Não admira que, com tanto terino, faça grandes exibições no Benfica.
Saímos, eu o VJ e o Nephelion.
O Vítor quis comprar um álbum que se encontrava (com rótulo com o preço) no expositor, mas o tipo "in charge", depois de mirar e remirar o álbum (a obra-prima "Fictitous Sports", o disco Pop de carla Bley, com a voz de Robert Wyatt e produzido por NICK MASON) não autorizou! LOOOOL. "lamento, mas este não posso vender", disse, sem adiantar mais explicações!

Quanto aos MONOLAKE, a música soou amiúde a BIOSPHERE. O mesmo tipo de atmosferas rarefeitas, o groove swingante e minimalista, um paisagismo sonoro que pecou por não saber parar na hora certa.


César Laia
01.10.2001 180617
E os Monolake trouxeram o balde de água e tubo para borbulhar? :)

2h30???!!! Livra!! Olha se o Manoel de Oliveira sabe!!!...

Realmente a comparação dos Monolake com o Biosphere faz sentido. O problema é que é dificil encontrar uma alma na música dos Monolake...


Fernando Magalhães
01.10.2001 180626

É um bocado isso, é, a "falta de alma". Sempre achei a música dos MONOLAKE formalmente muito bem feita (cheguei a ter um CD deles, não me lembro do nome, tinha tons de castanho e azul na capa, se bem me lembro...) mas fria e impessoal.
Apesar disso, ao vivo, até nem soou nada mal...O som estava a um nível de volume relativamente baixo o que contribuiu para uma atmosfera de relaxamento e descontracção.

Mas 2h30 (mais, porque ele continuou quando nos fomos embora!...) é excessivo. Acaba por ser cansativo.

FM

Fad Gadget



 
"Fad Gadget" (Mikasmokas)

Mikasmokas
01.10.2001 150335

Fad Gadget - alguém conhece? contem-me histórias sobre eles... :)


Fernando Magalhães
01.10.2001 170549

FAD GADGET começou por ser o projecto/heterónimo de FRANK TOVEY.
No auge do electropop, FAD GADGET gravou dois álbuns excelentes: "Fireside Favourites" (7,5/10) e, sobretudo, o perturbante "Under the Flag" (8,5/10), ambos reeditados em CD, pela Mute.
O álbum seguinte, "Gag" (7/10), conta com a presença de Blixa Bargeld, dos Einsturzende Neubauten.

A música de FAD GADGET oscila entre a new-wave industrial (mais "Fireside Favourites") e uma variante mais assustadora, radical, electrónica e experimentalista de Matt Johnson/THE THE (em "Under the Flag").

A partir de "Gag", Frak Tovey começou a assinar os discos em nome próprio e a música foi perdendo gradualmente a força e o interesse das primeiras obras. Há por aí discos dele, desta fase mais recente, em saldo, mas eu não arriscaria...

saudações

FM