06/08/2015

Texto, sem cortes, dos Biosphere...




"Texto, sem cortes, dos Biosphere..." (Fernando Magalhães)

Fernando Magalhães
30.11.2001 150346

Para quem eventualmente estiver interessado em ler na íntegra o meu texto de hoje no Y sobre os Biosphere, aqui está ele, sem os cortes que tornaram demasiado abruptas determinadas passagens...

Nada de fundamental mudou, mas para o Mário, pode ser importante... :)

Há vida no espaço

A estreia nacional, no Porto, do projecto Biosphere, do norueguês, Geir Jenssen, poderá constituir um dos mais espectaculares concertos deste ano em Portugal. Imbuída de uma forte carga cinematográfica, a música electrónica de Biosphere conjuga — a partir de uma depuração da “ambient tecno” de que Jenssen foi percursor — a imensidão dos grandes espaços árticos e o brilho hipnótico de pequenas estrelas vivas. O novo álbum, “Cirque”, abrir-se-á numa dimensão multimédia, para ver, ouvir e sonhar. Como um planetário.

1 - ORIGEM

Biosfera. “A fina camada da superfície da terra e do mar que contém a massa total dos organismos vivos existentes no planeta, que processam e reciclam a energia e os nutrientes disponíveis no meio ambiente” (in “Enciclopedia Britannica”). Em 1990, ao tomar conhecimento do projecto “Biosphere 2 Space Station Project” — uma gigantesca cúpula de vidro fechada instalada no deserto do Arizona — o músico norueguês Geir Jenssen adaptou esta designação ao seu próprio projecto musical. Na estação “Biospehere 2” testava-se a viabilidade da manutenção, no espaço, de uma colónia terrestre auto-suficiente. Na cúpula “Biosphere 2” habitaram várias famílias em completo isolamento do mundo exterior, durante vários anos. Da mesma forma, a música de Biosphere evoca a solidão dos grandes espaços polares e recria a biodiversidade de organismos sónicos em permanante mutação. A sua serenidade advém de uma visão distanciada do planeta, observado a partir do espaço. Música genética que lança a semente das estrelas no húmus do solo da Terra.

2 - AMBIENTE

Nos anos 80, Geir Jenssen integrou o grupo Bel Canto, responsável por dois álbuns editados na editora belga Crammed Discs, um dos quais, “White-out Conditions”, é considerado um clássico da chamada “pop atmosférica”. Atmosfera que viria a revelar-se ainda demasiado densa para a respiração e desejo de silêncio do músico norueguês. O passo seguinte dá pelo nome de Bleep. A electrónica liberta-se do formato da canção pop e passa a desenvolver-se através das pulsações da tecno ambiental, de que Geir Jenssen foi um dos percursores. É já como Biosphere que Jenssen grava os clássicos “Microgravity” e “Patashnik”, este último verdadeiro indutor de sonhos para a geração do “chill-out”. Transe boreal cuja síntese se encontra no cume gelado de “En trance”, tema paradigma da “ambient tecno”. Mas quando “Novelty waves”, retirado de “Patashnik”, é usado como anúncio da Levi, Geir Jenssen percebe que era chegada a altura de partir de novo. Viagem que culminaria nas paisagens de “arctic sound” de “Substrata” e da obra-prima “Cirque”.

3 - ESPAÇO

Depois de Bruxelas e Oslo, Geir Jenssen estabelece a sua residência fixa em Tromso, cidade norueguesa situada 400 milhas a Norte do Círculo Polar Ártico. Aí, longe do caos urbano, a atmosfera é mais límpida e o céu parece estar mais próximo. Biosphere é um telescópio apontado ao negro do firmamento, emissão galáctica, pesquisa de sinais de vida extraterrestres, mas também colónia de organismos microscópicos em agitação atómica sob o manto do “groove” electrónico. “Trabalho devagar”, declarou Geir Jenssen em 1994. O espaço resolve-se no tempo e na distância, que o norueguês considera essencial para a criação musical.

4 - CINEMA

Geir Jenssen afirma que toda a música que o entusiasma tem a capacidade de provocar visões na sua mente. Afinal o mesmo estímulo que o cinema. Não admira pois a relação estreita entre som e imagem que existe dentro da própria estrutura Biosphere, extensiva ao exterior, na composição de bioelectroentidades Biosphere para filmes. Como o clássico do cinema mudo soviético, “The Man with the Movie Camera”, 1929, de Dziga Vertov, com o tema “The silent orchestra”, ou “Kill by Inches”, 1999, de Doniol-Valcroze, bem como a totalidade da banda sonora de “Insomnia”, 1997, de Erik Skjoldbjærg. É ainda Jenssen quem aconselha o ouvinte a construir as suas próprias narrativas e visões.

5 - ILUMINAÇÃO

“Cirque”, editado no ano passado, é o culminar de um trabalho de depuração que em definitivo abandonou o macro-impacto auditivo da tecno. Da embalagem - um digipak luxuriosamente povoado de paisagens e texturas orgânicas que por si só iniciam a projecção do filme interior — ao conteúdo musical, é todo um universo de abstracções, temperaturas, ventos, topografias mentais e alucinações que se desenrola num espectro que vai da busca de auto-descoberta e des paisagens glaciares sem fim ao beat minimal. Cristais de gelo, fauna e flora subliminares, contraponto glaciar e estratosférico da selva tropical nocturna dos Can de “Future Days”. “Cirque” seviu-se como inspiração do livro “Into the Wild”, de Jon Krakauer, crónica de viagens de Chris McCandless que, após anos de viagens solitárias pela América do Norte, em busca da auto-descoberta e da iluminação, terminou a sua demanda nas paisagens desoladas do Alasca, onde o seu corpo acabou por ser encontrado morto, junto com uma nota de SOS.

6 - CRISTAIS

Além das obras já citadas, Geir Jenssen/Biosphere tem a sua assinatura impressa numa quantidade de outros álbuns, entre encomendas, compilações ou simples remisturas. De entre eles destacam-se “Nordheim Transformed”, uma recriação da música do compositor de música electrónica norueguês dos anos 70, Arne Nordheim, elaborada em colaboração com Deathprod, no selo Rune Gramophon, os dois volumes de “The Fires of Ork”, de parceria com o alemão mentor da editora Fax, Pete Namlook, e “Substrata 2”, lançado já este ano, outro digipak com embalagem de luxo, onde cabe a versão remasterizada de “Substrata”, considerado um dos melhores álbuns de sempre de “ambient tecno”. Também deste ano, “Light” reúne pela primeira vez a totalidade dos nove temas compostos para a banda sonora de “The man with the Movie Camera”.

Fernando Magalhães

Harry Potter




"Harry Potter" (Fernando Magalhães)

Fernando Magalhães
30.11.2001 150351

Apesar de não ter lido o livro (apenas li o segundo da série...), achei bastante piada ao filme.
Os ambientes são perfeitos e a magia passa, embora, em termos estritamente cinéfilos, se trate de uma obra vulgar (por demasiado linear, sem quaisquer rasgos de realização).

Ah, sim, e tem uma aparição de 5 segundos do JOHN CLEESE, no papel de fantasma "quase sem cabeça" - LOOL.

FM

Pergunta




"Pergunta" (António Guterres)

Fernando Magalhães
29.11.2001 170549

quote:

Publicado originalmente por António Guterres
Alguém aqui curte Vangelis?


A personagem é...digamos...untuosa. Mas...

Não há dúvida de que este grego conta com alguns bons álbuns no meio da sua extensa discografia. Que devem ser ouvidos sem preconceitos.

"Heaven & Hell", a estreia, alterna momentos bombásticos com promenores belíssimos, como o canto da soprano lírico Vera Veroutis. (7,5/10)

"Beaubourg" (7,5/10) e "China" (8/10) são ambos muito bons. Electrónica "cheia", sem concessões. Sobretudo "China" consegue transportar-nos de facto para um Oriente virtual, sem cair nas lamechices new age.

"Ignacio", mais conotado com a música grega, conta com bastantes admiradores. Álbum lírico, introspectivo, sobretudo um dos lados do LP. Já há bastante tempo que não ouço este disco. Sem classificação, portanto.

Depois, não esquecer que gravou "Invisible Connections" (8/10) para a conceituada editora Deutsch Gramophone. Um álbum de electrónica experimental, abstracta, concretista...

"Hypothesis" (7/10) é um álbum de jazz! Quando o ouvi pela primeira vez não acreditei que fosse um disco de Vangelis!!!

"See you Later" (7/10) explora, numa área mais pop, o universo da FC. Canções e ambientes que evocam paisagens do pós-holocausto.

O resto, que devem ser para aí mais uns 40 álbuns, é, na maioria, para esquecer...

FM

A melhor banda




"A melhor banda"

Fernando Magalhães
27.11.2001 150321

Re: Re: Re: ?

quote:

Publicado originalmente por Vítor Junqueira


Caramba... O "Horses" é que é um perfeito 10/10... Um clássico dos clássicos... Espumo-me todo pelos olhos a ouvi-lo :)


O "Horses" irrita-me um bocado. A Patti Smith canta todas as canções no mesmo tom ("Gloria" do princípio ao fim...), com os mesmos tiques e uma base rítmica demasiado conotada com os Velvet Underground (a produção é do John Cale...).

Prefiro, de longe, o álbum seguinte, "Radio Ethiopia"...mais maduro e trabalhado.

FM

mas ó FM... por que é que será que não gostaste do ghosts on mars?



"mas ó FM... por que é que será que não gostaste do ghosts on mars?" (Vítor Junqueira)

Fernando Magalhães
27.11.2001 150321

quote:


Publicado originalmente por Lestat
Eu também fui ver ontem e também adorei.
Só me vinha à cabeça o Braindead, principalmente naquelas matanças infindáveis :)

Os diálogos, as cenas de acção, as personagens, tudo série B pura, dura, e muito bem feita :D

Filme ESGROUVIADO do ano, sem dúvida, e dos melhores que já vi deste género.

Lestat.

PS: Aquele diálogo da capitão com a actriz principal, em que a primeira diz "I need you to be straight" ao que a segunda responde "I'm as straight as they come" e a capitão "Well, too bad"
J



Também me lembrei do "Braindead", a propósito das cenas de matança.

E a música, como já tinha dito, é o melhor do filme.

De resto, o filme deixou-me indiferente.

Continuo a preferir os filmes mais subtis do JC, como "O Nevoeiro" e "Veio do Outro Mundo", que são os meus preferidos.
Há outros com piada (acho que vi todos os filmes dele!!), como "Christine - O Carro Assassino"...

Mas a última fase, incluindo o recente "Vampiros", enfim...

Ah, também gostei bastante (embora a última parte do filme quase deite tudo a perder...) de "Eles Vivem!", este sim com a memorável, anedótica e inenarrável cena de batatada que parece não ter fim!

FM