14/08/2015

WHEN, MALICORNE...




"WHEN, MALICORNE..." (Fernando Magalhães)

Fernando Magalhães
12.12.2001 180645

Como soam os WHEN? Imaginem o cruzamento de Wagner, Residents e Brian Eno on acid...
Mas é muito difícil definir o som alucinado e fantasmagórico de LARS PEDERSEN que, nos anos 80, fez parte do grupo industrial/militarista HOLY TOY (espécie de fusão entre os Laibach e os In the Nursery, de "Stormhorse").

Quanto aos MALICORNE. Melhores ainda que "L'Extraordinaire Tour de France d'Adélard Rousseau" são os anteriores "Malicorne" (da capa com a casa nas árvores), "Almanach" (baseado nos rituais agrícolas/esotéricos correspondentes aos 12 meses do ano) e "Malicorne" (da capa com a constelação "M").

FM

Residents ('Eskimo') vs. Biosphere




"Residents ('Eskimo') vs. Biosphere" (Fernando Magalhães)

Fernando Magalhães
12.12.2001 150332

Então cá vai a minha opinião.

Biosphere é uma aurora boreal. "Eskimo" a noite polar, com os seus demónios a uivar.

São dois universos que não se chegam a tocar.

Um disco como "Cirque" dispõe à contemplação. "Eskimo" perturba e arranca-nos do conforto. Exige um tipo de audição mais "tensa", o risco é maior.

E convém não esquecer que Geir Jenssen é norueguês enquanto os Residents são americanos. É toda uma diferença de sensibilidades e formas de encarar o som musical.

Pessoalmente, e sem fazer grandes juízos de valor, considero, cada um no seu território, dois discos fundamentais.

FM

Substrata 2, Garmarna...




"Substrata 2, Garmarna..." (Fernando Magalhães)

Fernando Magalhães
11.12.2001 170556

"Substrata 2" vale mesmo a pena! Além de incluir a versão remasterizada de "Substrata", o segundo CD é preenchido pela banda sonora completa de "Man with the Movie camera". E é precisamente aqui que o deslumbramento é total. Será provavelmente a melhor música composta pelo Geir Jenssen. Longe de quaisquer ambientalismos ou citações mais ou menos veladas à new age (que eu nunca descortinei, mas enfim, há quem pense assim), a música é uma electrónica solene, por vezes abstracta, repleta de efeitos misteriosos e/ou ameaçadores, na linha dos SPK (de "Zemia Lehmani") de Lustmord ou do projecto WHEN, de Lars Pedersen (alguém conhece o fabuloso, inclassificável e perturbante "Death in the Blue Lake"? - O tema longo com este nome, inspiardo num conto do escritor A. Bjerke, aparece na "colectânea" "Black, White and Grey", ed. Recommended).

Provavelmente a melhor música alguma vez composta por Geir Jenssen, longe do minimalismo paisagístico de "Cirque".

FOLK

O álbum dos GARMARNA sobre música de Hildegard Von Bingen, é tecno-folk dispensável, pelo menos os temas que ouvi.
Numa linha próxima, prefiro de longe os QNTAL.

FM

Folk, Los Hermanos, Lord of the Rings...




"Folk, Los Hermanos, Lord of the Rings..." (Fernando Magalhães)

Fernando Magalhães
11.12.2001 160428

Não tenho aparecido aqui devido ao excesso de trabalho e à irritante lentidão do meu computador - é preciso justificar estas coisas, não vá aparecer logo alguém a falar em "desaparecimento"...

Tenho ouvido algumas novidades folk (no Y de 21/12 deverá sair um artigo com várias críticas).

Kepa Junkera ("Maren") - Folk bastante comercial, apesar da lista de convidados incluir gente como Hughes de Courson (ex-Malicorne), Ibon Koteron, vozes búlgaras, etc...
A produção normalizou-se, a própria execução instrumental de KJ parece ter estagnado num som mais "liso" e apelativo.

UXIA ("Danza das Areas") - Apenas consegui ouvir os primeiros três temas, todos execráveis. Música de variedades. Muitos convidados portugueses: Dulce Pontes, João Afonso, Filipa Pais...

KORNOG ("Kornog") - Este sim, vale a pena. O regresso em força nos anos 90 de uma banda bretã dos 80, pouco conhecida.

TARRAS - álbum novo na Topic. Folk rock leve, bem executado, entre um certo som "americanizado" e referências acústicas aos Magna Carta.

BRASS MONKEY - novo álbum (isto lembrar-me dos títulos, está quieto!) - excelente, como todos os álbuns anteriores deste grupo. Martin Carthy é o músico inglês mais importante das últimas décadas, já o escrevi e repito. O legado das ancestrais danças "morris" adaptadas com brilhantismo aos novos tempos. Os Brass Monkey são uma espécie de Gaiteiros de Lisboa ingleses, passe a heresia (M. carthy começou a gravar no início dos anos 60...).

Também ouvi algumas coisas interessantes da editora Fono, húngara, Voltarei a falar destes discos quando os ouvir com mais profundidade.

Do Brasil:

Los Hermanos lançaram o álbum "Bloco do Eu Sozinho". Rock (por vezes pós-rock...) brasileiro (Moog + guitarras + secção de metais) que lembra de forma inequívoca o som dos Eels, introduzindo-lhes uma criatividade muito especial, em temas que passam pelo reggae, MPB mais clássica, punk e mesmo rock FM. A diferença está no talento do grupo para escrever boas canções. O tema inicial, então, "Todo carnaval tem seu fim", é daqueles que se colam ao ouvido e é impossível deixar de cantar!

CINEMA

Já vi o "Lord of the Rings"!!!!!!! Como fanático do livro, devo confessar que a adaptação desta primeira parte da trilogia ("A Irmandade do Anel") me satisfez. Falta a dimensão "tempo", da distância, mas os cenários e os personagens estão fabulosos. Falha maior: O desaparecimento do episódio do encontro na floresta com Tom Bombadil, a personagem mais enigmática de toda a obra (O Peter Jackson que, recorde-se, realizou o "Braindead", é capaz de ter achado esta parte demasiado "metafísica"...mas, tudo bem...).

FM
O desaparecido

TRANSCHAMPS, SENSER, FENNESZ, FÜXA...




 "TRANSCHAMPS, SENSER, FENNESZ, FÜXA..." (Fernando Magalhães)

Fernando Magalhães
05.12.2001 160400

Cá estou, para dar uma palavra amiga a todos os forenses. :)

Eis as primeiras patacoadas de hoje:

1 - Devo dizer que acho o "Give it to you", o tal tema de rock FM que abre "Double exposure", absolutamente irresistível. Versão rock da música dos andróides Tubeway Army...

2 - O disco dos SENSER para a Neo Ouija que alguns forenses têm andado a citar, não é nada de especial. É até um pouco chato. Trata-se de uma daquelas obras que se limitam a "copiar" determinada escola, neste caso dos AROVANE. A mesma electrónica de cristal, bonitinha, ultra-melodiosa, mas sem ponta de criatividade. Da mesma fornada, prefiro, de longe, os PUB.

4 - Confirmaram-se as impressões prévias sobre "Endless Summer". Tem pormenores geniais (sobretudo nas metamorfores de ruído em melodia), mas também sequências que se arrastam demasiado tempo, sem que se vislumbre qual o sentido que Fennesz lhes quer dar...

5 - Já que os FRIDGE andam a ser muito citados...Que tal descobrir outra das bandas "reveladas" pelo pós-rock, cuja obra se tem vindo a revelar de grande qualidade, de obra para obra - os FÜXA?


Pedrotaos
05.12.2001 170544

tenho um disco dos Fuxa ..o VWO....do qual gosto bastante principalmente devido aos teclados (hammond?) que por vezes se assemelham a certos temas dos Yo La Tengo.

saudações

p.s.o VWO é o melhor deles ou há algo mais importante por descobrir?


Fernando Magalhães
05.12.2001 190716

O "VWO" é o "Very Well Organized", certo?

O anterior, "3 Field Rotation" (ed. Ché, 1996) é um carrocel de orgãos electrónicos (creio que Farfisa e não Hammond) inpsirado obliquamente nos Cluster. Lo-fi altamente sedutor.

Mas o meu preferido é "Accretion" (ed. Mind Expansion, 1998) muito mais electrónico, experimental e variado.

Creio que os FÜXA já gravaram outro álbum depois deste, mas ainda não o ouvi.

FM