07/11/2015

VÁRIOS - Portuguese Electr(o)domestic Tracks 1.0 + @C - +



Y 11|JANEIRO|2002
escolhas|discos

@C
+
8|10
VÁRIOS
Portuguese Electr(o)domestic Tracks 1.0
7|10
Ed. e distri. Variz

Por uma vez, saúde-se o aparecimento de uma variz na perna enfezada da música eletrónica nacional, sinal de que corre nela ainda algum sangue. Em “+” dos @C encontramos o mesmo tipo de imponderabilidade e o conceito de “forma igual a conteúdo” que afetam grande parte da música eletrónica atual, na sua vertente mais programática. Sete temas, sem título, são outras tantas formulações improvisadas de um espaço de decifração articulado, nos meandros da mente digital. Ignorem-se antigos parâmetros de descodificação, padrões emocionais formatados por séculos de música acústica, o que “+” propõe, com extraordinária acutilância, é, precisamente, a mutação, esse algo “mais” capaz de acrescentar ao som eletrónico puro um novo corpo alucinatório. Mais ingrata será a tarefa de hierarquizar a diversidade de propostas contidas na antologia “electro-doméstica” da Variz. Importa, para já, destacar a disponibilidade e a quantidade de novos projetos que responderam ao repto lançado pela editora. Há uma cena nova a borbulhar. Mais difícil será retirá-la do espaço virtual onde, por agora, se abriga.

07/10/2015

Einstürzende Neubauten - Berlin Babylon



Y 4|JANEIRO|2002
discos|escolhas

EINSTÜRZENDE NEUBAUTEN
Berlin Babylon
Zomba, distri. Zona Música
8|10

Pouco tempo decorrido sobre a edição da coletânea – magnífica – correspondente ao segundo volume da série “Estratégias contra a Arquitetura”, “Berlin Babylon”, banda sonora do filme de Hubertus Siegert, confirma 2001 como um ano excecional para os berlinenses Einstürzende Neubauten, ex-niilistas, antigos técnicos de demolição e atuais “terroristas” encapotados pelo estatuto de “músicos a sério”. “Berlin Babylon” é um álbum ambiental, na medida em que para os EN “ambiental” significa espaços fechados, estruturas maciças e maquinismos em rutura. Ou será que estamos diante do álbum “progressivo” do grupo, sobrevoado por helicópteros e tudo, na boa tradição dos Pink Floyd? Desenganem-se, amigos! “Berlin Babylon”, apesar dos helicópteros, dos vibrafones e da intromissão de um excerto da “Sinfonia nº3”, de Beethoven (“Trauermarsch” soa assim um pouco à música de Lars Pedersen/When), escorre metal, batidas totalitárias e desabamentos épicos, impondo a ordem nova que a banda de Blixa Bargeld havia instaurado com “Halber Mensch”. Um digno sucessor de “Silence is Sexy” que guarda para o final uma canção inesquecível, “Die befindlichkeit des Landes”. O coração martelado pela melancolia.

Peter Hammill - Unsung



Y 4|JANEIRO|2002
discos|escolhas

PETER HAMMILL
Unsung
Fie, distri. Megamúsica
6|10

“Unsung” insere-se numa série de álbuns instrumentais de Peter Hammill que inclui os anteriores “Loops and Reels” e “Sonix”, bem como “Spur of the Moment”, com Guy Evans, e “The Appointed Hour”, com Roger Eno. O poeta e músico explica que as peças nele incluídas insistiram em permanecer no formato instrumental, de acordo com uma vertente a que Hammill chama “experimental”, em oposição, ou complemento, à “normal”, constituída por canções. O que aqui encontramos são fragmentos organizados de “ambient music”, por vezes próximos das “frippertronics” de Robert Fripp, loops esculpidos por forma a soarem como música de câmara, ensaios de “contemporânea erudita” e pedaços de melodias polvilhadas pelo açucareiro dos Durutti Column. O que aqui não se encontra, porém, mesmo levando em conta a descontração típica de um trabalho deste género, é o génio que raramente anda ausente na discografia “oficial” do ex-líder dos Van Der Graaf Generator. Ainda que mantendo níveis de qualidade e de exigência próprios do autor, “Unsung” denota por outro lado ter este privado talvez em demasia com Roger Eno…

30/09/2015

Escritos de Fernando Magalhães, Volume 2 (1992 a 1994)





Já se encontra disponível o segundo volume da coleção (quase integral) de textos de Fernando Magalhães, publicados no jornal Público em 1992, 1993 e 1994.
Pode ser comprada pelo site Lulu, pela módica quantia de 10 USD (mais portes), preço de custo por um livro com mais de 400 páginas.

Belo prefácio de Miguel Augusto Silva.

14/08/2015

Melhores 2001 pop, folk, portugueses




"Melhores 2001 pop, folk, portugueses" (Fernando Magalhães)

Fernando Magalhães
04.01.2002 160422

POP

01-MESTRE AMBRÓSIO: Terceiro Samba
02-DAT POLITICS: Sous Hit
03-TO ROCOCO ROT & I-SOUND: Music is a Hungry Ghost
04-RECHENZENTRUM: The John Peel Session
05-STEVE FISK: 999 Levels of Undo
06-DAVID THOMAS: Surf’s up
07-RESIDENTS (THE): Icky Flix
08-PANSONIC: Aaltopirii
09-BUND DEUTSCHER PROGRAMMIERER: Stoffwechsel
10-VERT: Nine Types of Ambiguity
11-KLANKRIEG: Radionik
12-OCSID: Opening Sweep
13-EINSTURZENDE NEUBAUTEN: Berlin Babylon
14-SERGEJ AUTO: Achtung Auto
15-FORT LAUDERDALE: Time is of the Essence
16-HOWIE GELB: Hisser
17-ILPO VÄISÄNEN: Asuma
18-BLECTUM FROM BLECHDOM; The Messy Jesse Fiesta
19-TORTOISE: Standards
20-STEREOLAB: Sound-Dust
21-FENNESZ: Enldless Summer
22-STEPHAN MICUS: Desert Poems
23-PETER HAMMILL: What, now?
24-MOUSE ON MARS: Idiology
25-TRANSCHAMPS: Double Exposure
26-LABRADFORD: Fixed:Context
27-ZION TRAIN: Secrets of the Animal Kingdom in Dub
28-KRISTIN HERSH: Sunny Border Blue
29-ANJA GARBAREK : Smiling & Waving
30-TARWATER: Not the Wheel
31-RADIOHEAD: Amnesiac
32-PROTEIN: Süss
33-MATMOS: A Chance to Cut is a Chance to Cure
34-DAKOTA OAK: Am Deister
35-MESSERCHUPS: Miss Libido 2000
36-PUB: Do you ever Regret Pantomime?
37-GROENLAND ORCHESTER: Nurobic
38-AIR: 10000 Hz Legend
39-PLAID: Double Figure
40-PHANTOM SLASHER: Phantom Slasher

PORTUGUESES

01-JORGE PALMA: Jorge Palma
02-KUBIK: Oblique Musique
03-ZZZZZZZZZZZZZZZZZP!: FB56
04-MOLA DUDLE: Mobília
05-MAFALDA ARNAUTH: Esta Voz que me Atravessa
06-SATURNIA: The Glitter Odd
07-FICÇÕES: Ocidental Praia

FOLK

01-BRASS MONKEY: Going & Staying
02-NORMA WATERSON: Bright Shiny Morning
03-STEVE ASHLEY: Everyday Lives
04-GHYMES: Rege (disco de 1999...)
05-DD SYNTHESIS: Swinging Macedonia
06-TRI YANN: Le Pelegrin
07-MIKVEH: Mikveh
08-MARTIN SIMPSON: The Bramble Briar
09-ARDENTIA: Ardentia
10-MOHAMAD REZA SHAJARIAN & KAYAN KALHOR: Night Silence Desert
11-KORNOG: Kornog
12-MANUEL LUNA: Romper El Baile
13-MERCEDES PÉON: Isué
14-RÉGIS GIZAVO: Samy Olombelo
15-MAKÁM & IRÉN LÓVASZ: Kolinda
16-BUSTAN ABRAHAM: Fanar
17-CRAOBH RUA: If Ida been here, Ida been there
18-KEPA JUNKERA: Máren
19-COLIN REID: Tilt
20-ARNAUD MAISONNEUVE: War Vord ar Mor

NOTA: Ainda não ouvi o "Rosa Mundi", da JUNE TABOR. Provavelmente entraria (entrará?) na lista dos melhores-

NOTA 2: Alguns dos discos nomeados nas três listas foram editados antes de 2001. Usei como critério o facto de as audições (ou respectivas edições nacionais) terem acontecido em 2001.

NOTA 3: O "Sitar" indiano não tem tradução. Nada a ver com a cítara. O que acontece, aliás, com a maioria dos instrumentos tradicionais característicos de determinadas regiões. Há centenas deles, com nomes estranhíssimos. Traduzi-los para português não faz muito sentido, até porque muitos deles não existem fora dessas regiões.

NOTA 4: Estive esta semana em férias (ainda estou!). Regresso em força na 2ª-feira.

Saudações

FM


César Laia
04.01.2002 160432

Bela lista, Fernando :)

Mas não resisto a alguns comentários gerais :D

Pelo que escreveste ao longo do ano, não contava com Tortoise no Top 20, e contava com Matmos no Top 10. Houve para aí mudanças de opinião, não?

Ainda não ouvi Mestre Ambrósio! :(

Mas ouvi Mercedes Peon, e fiquei bastante desapontado...

O disco da June Tabor era capaz de entrar o meu Top 30, se tivesse ouvido mais cedo. Numa lista folk, terá o seu lugar assegurado :)

Li a tua critica ao "Berlim Babilon" e escusado será dizer que logo que posso, compro! :)

Bom resto de férias! :)

César


Fernando Magalhães
04.01.2002 160446

Convém esclarecer que houve uma série de discos que, na altura critiquei com nota "8" (caso dos Matmos) e que, na presente lista, foram "ultrapassados" por outros que, na altura, tiveram nota "7" (caso dos Tortoise).
Tal disparidade deve-se, essencialmente, a posteriores audições que alteraram, para cima ou para baixo, as respectivas classificações. Mas são poucos os casos em que isso aconteceu e, de resto, entre um "7" e um "8", por vezes a diferença de "qualidade real" é mínima...

O disco da Mercedes Péon vale pela força e originalidade com que apresenta a folk da Galiza (o oposto dos ultratradicionais ARDENTIA...).

JUNE TABOR: GRRRRRRRRRRR...estou à espera que o disco me chegue da distribuidora (à borla, claro...) e os tipos ainda não o têm! Devia mas era tê-lo comprado na FNAC quando o vi lá, já para aí há uns 10 dias! Só que agora, depois do Natal, os $$$$$$, percebes... :)

FM


mp
04.01.2002 170557

"Esta Coisa da Alma" é o álbum anterior do Camané e o "Lupa" é de 2000.

Os Zês e os Pês não estão ao contrário :)


Fernando Magalhães
04.01.2002 180640
Ops. Tens toda a razão!

Quanto ao álbum da Mafalda Arnauth, trata-se, como é óbvio, de "Esta Voz que me Atravessa"!

E o Godinho, vou ter então que tirar...

FM


Mário Z.
04.01.2002 170501

Nas disparidades anotei sobretudo duas: a grande descida dos por ti muito celebrados Phantom Slasher; a colocação de Vert em 10º lugar... Gostei desta última, porque é um disco com muito para descobrir, em sucessivas audições, e porque tenho a impressão (estarei certo?) de que a maioria dos foruenses não terá ouvido o disco...


Saudações

Mário


Fernando Magalhães
04.01.2002 180648

O álbum dos (do...) VERT é, de facto, um álbum para ir assimilando e descobrir aos poucos, o mesmo acontecendo, de resto, com o dos BUND DEUTSCH PROGRAMMIERER.

Quanto a Phantom Slasher, acontece precisamente o contrário. É um daqueles discos despretensiosos cujo prazer de audição tem muito a ver com o momento e a disposição do auditor.

Não me choca nada ouvir a June Tabor cantar em alemão e francês. :) A SHIRLEY COLLINS, por ex., tem temas cantados em francês que são uma delícia.

saudações (às listas):)

FM

Andrei Samsonov




"Andrei Samsonov" (Fernando Magalhães)

Fernando Magalhães
26.12.2001 150324

Então esse natal? :)

Eu, entre uma garfada de perú e mais um pedido de esclarecimento do meu filho sobre o FIFA 2002, ainda arranjei tempo para a descoberta de um fenomenal álbum de electrónica, obtido via "o vendedor":

"Void in", do russo ANDREI SAMSONOV. Álbum, se não estou em erro, de 1999, gravado na série "Parallel" da Mute.

Arquitecturas complexas. Grutas e palácios. Analog e digital em harmonia. Vozes estranhas ecoando nas entranhas de vulcões sónicos. Ciclos, loops, orquestras, murmúrios, grandes pesos, voos etéreos de uma música com óbvios parentescos com a electrónica contemporãnea da INA.GRM. Um grande álbum em que o prazer da manipulação do som (os timbres, contrastes e domínio do tempo são fabulosos) corresponde a uma experiência auditiva sem paralelo (experimentem ouvir, como eu fiz, através das colunas e dos auscultadores - regulados com o volume baixo, de maneira a captar apenas certas frequências mais agudas — em simultâneo!).

FM