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21/08/2016

Alan Stivell - Symphonie Celtique



Pop Rock

1994
REEDIÇÕES

O PARAÍSO REENCONTRADO

ALAN STIVELL
Symphonie Celtique
CD, Rounder, distri. Dargil

Reedição no formato digital da obra-prima (originalmente editada em álbum duplo) do bretão que fez incidir sobre a harpa céltica a atenção do mundo. Corria o ano de 1980 e Alan Stivell ardia no fogo da síntese definitiva. Partindo da reatualização da harpa céltica, num contexto geral de recuperação e divulgação da língua e da cultura bretãs, Alain Cochevelou, se deu verdadeiro nome, “cidadão do mundo” como ele próprio se define, procurou sucessivamente sínteses cada vez mais perfeitas entre a tradição, o jazz e o rock, em álbuns lendários como “Renaissance de l’harpe celtique” e “Chemins de terre”. Mas é com esta “sinfonia céltica” (“o adjetivo ‘céltica’ determina uma influência central que me desobriga de toda e qualquer obediência estrita às regras da sinfonia clássica, ditadas na Europa Central, muito longe das nossas ilhas e penínsulas azul-verdes”, explica no folheto interior), subintitulada “Tir Na Nog”, “Inis Gwenva”, em bretão – o paraíso celta, tema que retoma no novo álbum, a sair brevemente, inspirado nas “Brumas de Avalon” de Marion Zimmer Bradley –, que Stivell vai mais longe na tentativa de unir todas as músicas do planeta ao centro espiritual de “Shamballah”, através do cordão de prata de um círculo celta da Bretanha. Para tal, convocou para a gravação desta obra monumental uma orquestra de 65 músicos, oriundos de várias regiões do globo, que inclui, para além da imensa legião celta, o grupo feminino algeriano Djurdjura, a chilena Una Ramos e um par de intérpretes indianos. Parte dos textos é cantada em línguas tão diversas como o algonquino e o quetchua (dialetos índios respetivamente da América do Norte e do Sul), berbere, sânscrito, tibeteano e irlandês gaélico.
Dividido em três partes, correspondentes a outros tantos “círculos” (simbolizando os três círculos da espiral An Triskell), “Tir Na Nog” junta num todo grandioso passagens declamadas, longas sequências orquestrais e canções de sabor popular, num “mantra” diversificado que atinge o auge na “suíte” final, “Gouel Hollvedel” (“Festa universal”), um “medley” de danças compostas por Stivell à maneira tradicional (por vezes divergindo para fraseados jazzísticos ou em transmutações dificilmente definíveis). Elegia sagrada à alegria dos sentidos e à unidade diversificada do Ser, “Gouel Hollvedel” enuncia um dos princípios da Idade Nova, a cumprir no ciclo cósmico que se avizinha: “Cada um tem em si uma parte de verdade e uma parte de erro. Só uma coisa é falsa – considerarmo-nos superiores aos outros. Respeitemos os seus modos, as suas cores, as suas línguas, os seus costumes. Amemo-nos a todos, durante os próximos trezentos mil anos.” (10)

11/08/2014

Alan Stivell - Zoom



Pop Rock

21 de Maio de 1997
world

Alan Stivell
Zoom
2xCD, DREYFUSS, DISTRI. MEGAMÚSICA

Alan Cochevelou, aliás, Alan Stivell, caiu em desgraça, por culpa própria. O muito que fez em defesa da causa e da música da Bretanha, na primeira metade dos anos 70, desfez a partir do momento em que, atacado de megalomania, enveredou ou por um folk-rock xunga ou, mais recentemente, por um pan-celtismo exacerbado sem correspondência musical à altura. “Zoom” reúne peças de toda a discografia do harpista, da estreia “Reflets” ao novo “Brian Boru”. É um “best of”, dos vários possíveis, onde a excelência da música de álbuns como “Renaissance de l’Harpe Celtique”, “Chemins de Terre” (o clássico do folk-rock bretão), “E Landoned”, “À l’Olympia”, “Before Landing” ou “Symphonie Celtique” (talvez o ponto mais alto da obra de Stivell, no difícil ponto de equilíbrio entre a ambição desmedida, a inspiração e a complexidade de meios) dilui os efeitos nefastos provocados pelos retalhos arrancados da produção recente, dos álbuns “The Mist of Avalon” e o já citado “Brian Boru”, ambos exemplares do pior que se pode fazer quando se mistura folk e “new age”. Para os neófitos, “Zoom” poderá ser um objecto intrigante e suficientemente sedutor para suscitar posteriores investigações. (7)