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20/05/2010

Ani di Franco - Up Up Up Up Up Up

Sons

29 de Janeiro 1999
DISCOS – POP ROCK

Mãos para cima

Ani DiFranco
Up Up Up Up Up Up (8)
Cooking Vinyl, distri. Megamúsica


Ao fim de nove anos de carreira e doze álbuns gravados, não se pode dizer que Ani DiFranco seja dada a poupanças no que diz respeito a mostrar ao mundo as suas capacidades de compositora-intérprete. “Up Up Up Up Up Up” (por pouco não chegava a “Seven-Up”…) é o 12º álbum da sua discografia e surge não muito tempo depois de “Little Plastic castle”, cujas vendas, a rondar os 244 mil exemplares, o levaram a subir ao 22º lugar do top de vendas do Billboard. Para Ani DiFranco, não se põe, sequer, a questão do esbanjamento. Primeiro, porque o seu talento chega e sobeja para encher álbuns de enfiada. Depois, porque ela própria detém todo o poder sobre a carreira, já que lhe pertence a editora para onde grava, a Righteous Babe, com sede em Buffalo, de onde é natural. Desta maneira Ani DiFranco tem inteira liberdade para fazer aquilo de que mais gosta: a reavaliação constante da sua música e da sua evolução enquanto intérprete. Ani DiFranco adopta as suas próprias normas, que passam ao lado da estrutura convencional da canção. Em “Up Up Up Up Up Up”, trata-se da exposição de ambientes e cambiantes interiores que Ani veste com arranjos atmosféricos, vagamente jazzy nalguns casos, declaradamente experimentais e quase obsessivos noutros. Mathilde Santing (repare-se na semelhança de entoações e de timbres, em “Come away from it”) e Suzanne Vega (numa simbiose com Kate Bush, em “Virtue”) serão, porventura, os dois nomes mais próximos das suas próprias concepções e motivações estéticas. O gosto pelo insólito e pela camuflagem vocal estão presentes em “Jukebox”, “Trickle down” e “Angel food”, neste caso com a voz enfiada no mesmo cabaré-jazz e nas mesmas noites negras de Barry Adamson. “Hat shaped hat”, a digressão de onze minutos e meio finais, dispara em acentos jazz e “funky” com as agulhas apontadas para a pista de dança, entrecortados por interjeições e acentuações bizarras reveladoras de uma coragem e de uma maturidade que em “Little Plastic Castle” já eram visíveis, mas que em “Up Up Up Up Up Up” se confundem com um saudável descaramento. Para cima, sempre para cima, parece ter-se tornado o lema definitivo desta compositora, que, também no cinema, não pára. Depois de assinar participações nas bandas sonoras de “O Casamento do Meu Melhor Amigo”, “O Chacal” e “All over me”, Ani DiFranco está pronta para compor para “Steal this Movie (Abbie!)”, um “biopic” independente sobre a vida de Abbie Hoffman, com realização de Robert Greenwald. Também na televisão a voz de Ani DiFranco pode ser ouvida, na série de humor The Mississipi River: River of Song. Quanto ao 13º e próximo álbum, já não deve tardar…

19/10/2009

Ani di Franco - Little Plastic Castle

Sons

1 de Maio 1998
DISCOS – POP ROCK

Ani di Franco
Little Plastic Castle (8)
Cooking Vinyl, distri. Megamúsica

27 anos de idade, uma dúzia de álbuns gravados e um estatuto de excentricidade não chegam para definir o talento de Ani Di Franco como uma das “singer-songwriters” mais originais e versáteis da sua geração. “Little Plastic Castle” já recebeu críticas em publicações tão díspares como a “The Option”, especializada nos sons mais alternativos, e a “Folk Roots”, bíblia da “world music”, o que pode dar uma ideia da pluralidade de ângulos através dos quais pode ser abordada a música desta intérprete, que a última daquelas revistas define como a “papisa punk da folk avant-garde”. Dos 12 temas que compõem “Little Plastic Castle”, não há dois parecidos. O “reggae”, a “country esquizóide”, metais “mariachi”, falsos mimetismos de Joni Mitchell ou Suzanne Vega, incursões electro-filosofantes no corpo andróide de Laurie Anderson, desenhos animados de pequenas crueldades sónicas no mesmo tom magoado de Victoria Williams, moldes de “road movies” sem princípio nem fim, acenos de gozo ao FM dos tops, “cowboy songs” de ampla respiração, tudo se cruza, sobrepõe e atropela sem causar estragos numa colecção que prima pela multiplicidade e, em termos temáticos, pela aliança da crítica social bem-humorada com o puro delírio. Os 14 minutos do tema final, “Pulse”, formam uma declamação épica à altura dos manifestos de Annette Peacock, embora mais “cool”, antes de o trompete de Jon Hassell transformar num jardim de surdinas o espelho deformante das palavras. A capa é uma delícia. Ao peixe chamado Wanda junta-se um peixe chamado Ani.