Mostrar mensagens com a etiqueta Bill Laswell. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bill Laswell. Mostrar todas as mensagens

25/11/2008

Material - Hallucination Engine + Vários - Lost In The Translation

Pop Rock

12 de Junho de 1996
reedições poprock

MaterialHallucination Engine (7)
Vários
Lost in the Translation (5)
AXIOM, DISTRI. POLYGRAM

Bill Laswell chegou tarde, primeiro à “world music” e mais recentemente à electrónica “cósmica”. A sua curiosidade, sempre insatisfeita, encontrou nestas duas áreas, de vastíssimas fronteiras, terreno fértil para o baixista experimentar a sua ideia de síntese universal. A consequência mais óbvia desta entrada em cena tardia é o sabor a “melting pot” saturado de citações e remissões, mas sem qualquer frescura ou leveza. “Hallucination Engine” prende-se ao lado mais jazzístico e às correntes “etno”, obviamente afogadas no baixo pesadão e comilão que faz o seu estilo.
As estrelas, convidadas em grande número – de Wayne Shorter a Jonas Helleborg, de Zakir Hussain a Trilok Gurtu, de Bootsy Collins a William Burroughs -, se facilitam a permuta de linguagens, não garantem por si só a estabilidade do projecto. Mas a sucessão de clima e a temperatura elevada sustentam esta incursão pelo panteísmo global que parece ser o objectivo último de um dos criadores da “etno-seca”.
Em “Lost in the Translation” (por sinal o mesmo título de um álbum de Roger Eno), a teoria é semelhante só que inserida num contexto “ambient” e no âmbito das “Sound sculptures” em que Laswell é exímio. Se as investigações de Laswell na Fax de Pete Namlook levam às últimas consequências o lógica do absurdo e do vazio, aqui ficam-se por um meio-termo onde o classicismo, muito Klaus Schulziano, cai de podre, a “ragga” indiana faz de antibiótico e as emanações “cósmicas” cheiram a bafio.
São oito longos temas com quinze minutos médios de duração, em diversas combinações de músicos (Laswell mais Tetsu Inoue, Laswell mais Helleborg, Laswell mais The Orb, Laswell mais Shankar, Laswell mais George Clinton, Laswell mais…) que uma cabeça atestada de ácido achará eventualmente curtos, mas que outra, “straight”, pura e simplesmente não aguentará. As informações da capa – uma espécie de manual de abertura das portas da percepção – são pródigas em termos como “misticismo”, “mensageiro simbólico do espírito” e “cura espiritual”. Os temas dão por nomes como “Peace” (que vale pelo belíssimo solo de sax de Pharoah Sanders), “Aum”, “Cosmic trigger” e “Holy mountain”. O último, “Ruins”, é uma citação, quase decalque, de “Pappy Nogood and the phantom band”, de Terry Riley.
Laswell e os amigos dizem em duas horas o que Laswell já dissera de forma sucinta na dupla face “dance”/”meditation” de “Day of radiance”. Ainda dizem mal do Progressivo…

26/07/2008

Bill Laswell - Baselines

Pop Rock

17 de Maio de 1995
álbuns poprock

Bill Laswell
Baselines
CELLULOID, DISTRI. MEGAMÚSICA

Bill Laswell, o maior faz-tudo da música actual, no sentido em que faz realmente tudo, desde produzir, editar e tocar com toda a gente até investigar nas mais recônditas áreas musicais, assina aqui um dos seus projectos mais conseguidos, num território – o da “funky” urbano-tribal – que ele ajudou a desbravar com os Material e os Massacre. Neste disco, Laswell procede como que à dissecação das possibilidades do baixo eléctrico (utiliza cinco variedades deste instrumento), enquanto catalisador e aglutinador de núcleos rítmicos que, partindo das raízes africanas, foram rapidamente assimilados pela cultura de rua norte-americana e, em paralelo, transformados pelas novas tecnologias de reprodução e samplagem. Em “Baselines” não está ainda patente o lado “etno” que viria a tornar-se obsessivo, na procura de linhas de dança hipnóticas que seriam levadas ao extremo da música cósmica electrónica, na parceria de Laswell com o sintetista Pete Namlook, para o selo Fax. Era ainda o tempo da liberdade e da manipulação do jazz, por um “combo” de privilegiados em que figuravam Michael Beinhorn, Ronald Shannon Jackson, George Lewis, Ralph Carney, Fred Frith, Martin Bisi e David Moss, a nata de uma certa vanguarda que soube dotar a experimentação com a energia e o “punch” rítmico característicos do rock. (8)