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14/08/2015

Folk, Los Hermanos, Lord of the Rings...




"Folk, Los Hermanos, Lord of the Rings..." (Fernando Magalhães)

Fernando Magalhães
11.12.2001 160428

Não tenho aparecido aqui devido ao excesso de trabalho e à irritante lentidão do meu computador - é preciso justificar estas coisas, não vá aparecer logo alguém a falar em "desaparecimento"...

Tenho ouvido algumas novidades folk (no Y de 21/12 deverá sair um artigo com várias críticas).

Kepa Junkera ("Maren") - Folk bastante comercial, apesar da lista de convidados incluir gente como Hughes de Courson (ex-Malicorne), Ibon Koteron, vozes búlgaras, etc...
A produção normalizou-se, a própria execução instrumental de KJ parece ter estagnado num som mais "liso" e apelativo.

UXIA ("Danza das Areas") - Apenas consegui ouvir os primeiros três temas, todos execráveis. Música de variedades. Muitos convidados portugueses: Dulce Pontes, João Afonso, Filipa Pais...

KORNOG ("Kornog") - Este sim, vale a pena. O regresso em força nos anos 90 de uma banda bretã dos 80, pouco conhecida.

TARRAS - álbum novo na Topic. Folk rock leve, bem executado, entre um certo som "americanizado" e referências acústicas aos Magna Carta.

BRASS MONKEY - novo álbum (isto lembrar-me dos títulos, está quieto!) - excelente, como todos os álbuns anteriores deste grupo. Martin Carthy é o músico inglês mais importante das últimas décadas, já o escrevi e repito. O legado das ancestrais danças "morris" adaptadas com brilhantismo aos novos tempos. Os Brass Monkey são uma espécie de Gaiteiros de Lisboa ingleses, passe a heresia (M. carthy começou a gravar no início dos anos 60...).

Também ouvi algumas coisas interessantes da editora Fono, húngara, Voltarei a falar destes discos quando os ouvir com mais profundidade.

Do Brasil:

Los Hermanos lançaram o álbum "Bloco do Eu Sozinho". Rock (por vezes pós-rock...) brasileiro (Moog + guitarras + secção de metais) que lembra de forma inequívoca o som dos Eels, introduzindo-lhes uma criatividade muito especial, em temas que passam pelo reggae, MPB mais clássica, punk e mesmo rock FM. A diferença está no talento do grupo para escrever boas canções. O tema inicial, então, "Todo carnaval tem seu fim", é daqueles que se colam ao ouvido e é impossível deixar de cantar!

CINEMA

Já vi o "Lord of the Rings"!!!!!!! Como fanático do livro, devo confessar que a adaptação desta primeira parte da trilogia ("A Irmandade do Anel") me satisfez. Falta a dimensão "tempo", da distância, mas os cenários e os personagens estão fabulosos. Falha maior: O desaparecimento do episódio do encontro na floresta com Tom Bombadil, a personagem mais enigmática de toda a obra (O Peter Jackson que, recorde-se, realizou o "Braindead", é capaz de ter achado esta parte demasiado "metafísica"...mas, tudo bem...).

FM
O desaparecido

16/05/2015

Brass Monkey - Os senhores da folk [Brass Monkey + Garmarna + Kepa Junkera + Manuel Luna + Kornog + Decameron



Y 21|DEZEMBRO|2001
escolhas|discos

GARMARNA
Hildegard Von Bingen
MNW, distri. MC - Mundo da Canção
5|10

KEPA JUNKERA
Maren
EMI, distri. EMI - VC
7|10

BRASS MONKEY
Going & Staying
Topic, distri. Megamúsica
8|10

MANUEL LUNA
Romper el Baile
Resistencia, distri. Sabotage
7|10

KORNOG
Kornog
Keltia, distri. Megamúsica/import. FNAC
7|10

DECAMERON
Mammoth Special
Edsel, distri. Megamúsica/import. FNAC
6|10

brass monkey
os senhores da folk

Em dia de estreia de “O Senhor dos Anéis”, em plena época natalícia, nada melhor que ouvir uma boa pacotada de folk europeia, para prolongar o deslumbramento e animar ainda mais os espíritos. Ainda que nem tudo sejam rosas. Os Garmarna, por exemplo, gravaram um disco inteiro inspirado na música da nossa querida amiga Hildegard Von Bingen, a abadessa medieval que fez um pouco de tudo menos aquilo em que vocês estão a pensar. Já tiveram um lugar de destaque no quadro de honra das grandes bandas suecas com o nome terminado em “arna”, como os Hedningarna, Hoven Drovenarna e Den Fularna, mas neste novo trabalho espalharam-se ao comprido. “Hildegard Von Bingen” é tecnofolk e new age a pensar nos tops de “world music”, com uma piscadela de olho ao público de Enya e outra aos “dance addicts” de costela étnica. Não é a opção em si, mas o oportunismo de uma fórmula estafada, que torna “Hildegard Von Bingen” redundante. Assim, as batidas moem mais do que encantam e, tecno por tecno, porque não experimentar a linha dura da tecnomedievalfolk personificada pelos QNTAL?
Também mais modernaço do que o costume, quiçá impelido pelo êxito alcançado pelo anterior “Bilbao 00:00H”, Kepa Junkera aligeira a respiração da sua “trikitixa” em “Maren”. A lista de convidados inclui um grupo de vozes búlgaras, o gaiteiro MIDI, Hevia, o sanfonineiro Gilles Chabenat, o flamenquista Cañizares, o percussionista fusionista Glen Velez, a diva da folk mediterrânica Maria del Mar Bonnet, o madagasquenho Justin Vali e o ex-Malicorne Hughes de Courson, entre outros. Tudo boa gente, se bem que o virtuosismo do basco sobressaia uma vez mais. Maculado pela comercialite de temas como “No hirahira”, redime-se nas mestiçagens balcânicas (de sabor medieval num maravilhoso “Oliene”) e no folclore basco ferrenho de “Peliqueiroak terranovan”, num álbum marcado ainda por uma forte componente africana e, no título-tema, pelas aragens occitanas dos Verd e Blu.
Boa muito boa, é, como sempre, a superbanda inglesa Brass Monkey (na foto), onde despontam a figura mítica de Martin Carthy, na voz e na guitarra, e do não menos importante John Kirkpatrick, na concertina. Em “Going & Staying”, o legado ancestral das danças “morris” volta a servir de base a incursões épicas alargadas pela tradicional secção de metais, em contraponto com as vocalizações de Carthy, que uma vez mais roçam o sublime. Um álbum que prolonga a tradição de ouro dos melhores de Shirley Collins e dos Albion Country Band, pelos verdadeiros senhores da folk.
Manuel Luna também está de regresso, com o seu grupo La Cuadrilla Maquisera e o álbum “Romper el Baile”. Uma voz única, um estilo de interpretação especial, ao serviço de um reportório onde a música valenciana, sob influência do flamenco e da música árabe, adquire uma estranha sensualidade, própria do Sul, mas tornada quase hipnótica pelo canto de Luna e o violino de Enrique Valiño.
Outro regresso é o dos Kornog, banda bretã que fez algum furor nos anos 80, com “On Seven Winds” (1985). Regresso de saudar, diga-se de passagem. “Kornog”, o novo álbum, não traz nada de novo, é um facto. Mas é preciso? Ouvir os extraordinários desempenhos vocais do escocês Jamie McMenemy, um dos fundadores do grupo, em 1981, é suficiente para nos comover e fazer recordar como a folk podia ser exaltante na década dos Planxty. Maturidade (fazem parte do grupo as raposas velhas da folk bretã, Jean-Michel Veillon, na flauta, e Nicolas Quemener, na guitarra), uma dedicatória ao rei deposto, Alan Stivell, e alguma água deitada na fervura nos instrumentais, justificam uma audição atenta.
Para quem aborda a folk pelo lado do rock progressivo, há uma proposta razoável: a reedição, aumentada com um tema extra, de “Mammoth Special”, álbum de 1974 dos Decameron. Como outras bandas da mesma época, imaginavam o folkrock como uma salganhada de imaginação, arranjos impensáveis e contrastes de várias cores e feitios. Se é verdade que um título como “Rock and roll woman” é de molde a afugentar qualquer purista, não deixa de fazer sentido arrumar “Mammoth Special” numa coleção exaustiva dos anos 70, ao lado dos Strawbs, Spirogyra, Lindisfarne, Gryphon (“Jan”, o tema a reter, cheira à Primavera de “Treason”) ou Horslips, todas elas da mesma família dos Decameron.

20/05/2010

A lua sobre o macaco [World]

Sons

5 de Fevereiro 1999
WORLD

A lua sobre o macaco

Martin Carthy é uma das lendas vivas da folk inglesa. Integrou dois dos grupos responsáveis pelo “boom” da música tradicional no seu país, os ortodoxos The Watersons e, mais tarde, os pioneiros do folk rock, Steeleye Span, mantendo ainda uma colaboração regular com o violinista e ex-Fairport Convention Dave Swarbrick, a par de uma já extensa discografia a solo que inclui álbuns brilhantes como “Landfall”, “Because it’s there”, “Shearwater”, “Sweet Wivelsfield”, “Out of the Cut” e “Right of Passage”. “Signs of Life”, o seu mais recente trabalho a solo, reúne uma série de versões de canções que, segundo diz, o marcaram na época em que começou a manifestar o seu interesse pela folk.
Como sempre, a sua voz e a sua guitarra operam, por si só, maravilhas, transformando temas como “New York mine disaster, 1945”, dos Bee Gees, ou “Heartbreak hotel” (um dos primeiros 78 rotações que comprou, com o original de Elvis Presley, embora a autoria do tema se deva a Mae Hexton, mãe de Hoyt Axton) em baladas às quais a sua voz inconfundível imprime um cunho tradicional. O álbum inclui ainda versões de um tema que Carthy já interpretara num dos seus discos de parceria com Dave Swarbrick, “Princ Heathen”, e “Sir Patrick Spens”, que os Fairport Convention usaram em “Full House”, num registo diferente.
Destaque ainda para as ocasionais prestações, no violino, da sua filha, Eliza Carthy, num álbum que reforça ainda mais a posição de Martin Carthy como um dos nomes clássicos e, simultaneamente, mais inovadores) da música folk deste século. (Topic, distri. Megamúsica, 8.)

Voltamos a encontrar Martin Carthy nos Brass Monkey, outro dos projectos em que esteve, desde o início, envolvido, participando nos dois primeiros álbuns desta banda vocacionada para a interpretação do reportório tradicional inglês em instrumentos de sopro: “Bras Monkey” e “See how it Runs” (reeditados em CD, num único volume, “The Complete Brass Monkey”), respectivamente de 1983 e 1986. Volvidos 13 anos, os Brass Monkey regressam com a mesma formação, com John Kirkpatrick, no acordeão e concertina, Howard Evans, no trompete, Richard Cheetham, no trombone, e Martin Brinsford, na percussão, e um novo álbum que nada deve aos anteriores.
Se em “Signs of Life” é uma certa discrição vocal de Carthy que sobressai, em “Sound & Rumour” destaca-se o lado mais épico das suas vocalizações, valorizadas pela nobreza dos metais e pelas “squeeze boxes” de Kirkpatrick. “The flash lad”, “An acre of land”, “Old horse”, “The roving journeyman”, “The old Virginia lowlands” e “Soldier, soldier/The flowers of Edimburgh” são clássicos instantâneos, apenas equiparáveis à obra-prima “Anthems in Eden”, de Shirley and Dolly Collins. Como complemento dos temas vocalizados os Brass Monkey dedicam os “sets” instrumentais ao levantamento e revitalização das velhas danças “morris”, num trabalho próximo dos primeiros álbuns dos Albion Country Band.
Empolgantes, sempre que Carthy intervém, inventivos nos arranjos instrumentais, os Brass Monkey ressuscitaram incólumes da sua letargia. Ou, como referem na capa, de uma “animação suspensa” ou de um “congelamento criogénico” do qual saíram como se nunca tivessem estado verdadeiramente ausentes. (Topic, distri. Megamúsica, 9.)

Agora ligados a uma multinacional, os Luar na Lubre prosseguem o seu caminho em direcção a um universalismo que lhes permita atingir, a curto prazo, um estatuto semelhante ao dos Milladoiro, como embaixadores da música tradicional da Galiza no mundo. “Plenilunio” pode ser o impulso decisivo, uma vez que o grupo soube tornar mais aberta e sofisticada a sua música sem sacrificar o essencial, a ligação criativa às raízes que caracteriza os álbuns anteriores: “O Son do Ar”, “Beira-Atlântica” e “Ara Solis”. “O son do ar” ressurge, aliás, numa nova versão, no instrumental de abertura de “Plenilunio”, revelando de imediato uma mudança, em termos de sonoridade, na utilização da espacialidade, permitindo deste modo uma respiração mais ampla dos instrumentos.
Bieito Romero continua a fazer soar a gaita-de-foles, a sanfona e o acordeão diatónico de forma superlativa, enquanto a voz de Rosa Cedron (que também toca violoncelo) se destaca como elemento preponderante, centrando em si o lado eventualmente mais cativante da música do grupo. Em “Os teus ollos” consegue mesmo ser tocante, num embalo de tristeza em que a simplicidade das palavras contrasta com a complexidade de uma orquestração barroca: “Cando se pon a lúa tras dos penedos, choran as estreliñas todas do ceo/Tamén eu choro, tamén eu choro, cando non me alumean eses teus ollos”.
“Ao-Tea-Roa” evoca o intimismo melódico dos Chieftains, de “The Chieftains 5”, num modo de “irlandização” que, literalmente, explode em glória em “Roi xordo”. Mas o mar e a claridade de um “luar na lubre” (“Lubre” era o bosque sagrado onde os celtas celebravam os seus ritos) tudo banham em “Ronsel”, um original de Bieito Romero, onde este demonstra por que é, hoje, um dos maiores executantes, na gaita-de-foles e na sanfona, da Galiza. “Cantiga de Falvan” cruza a “scooter” dos Gwendal com os menestréis Jethro Tull, a sanfona mergulha no mais profundo da Galiza medieval, em “Romance de Bernaldino e Sabeliña”, até o baile popular fazer valer os seus direitos no tema final, “Galaecia”. Depois de “Ara Solis”, “Plenilunio” garante aos Luar na Lubre outro triunfo. (Warner Bros, distri. Warner Music, 9.)