Mostrar mensagens com a etiqueta Público - Sons. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Público - Sons. Mostrar todas as mensagens

15/10/2018

Faust - Patchwork


Y 10|JANEIRO|2003
roteiro|discos

FAUST
Patchwork
Staubgold, distri. Matéria Prima
7|10

Os velhos ativistas não desistem. Mas o que era lenda foi trocado pelo esforço em manter viva a subversão que, há mais de 30 anos, fez de “Faust”, “So Far” e “The Faust Tapes” a trindade maldita e, depois de Zappa, a segunda principal revolução do rock moderno. “Patchwork” repete a fórmula que deu origem à obra-prima “The Faust Tapes”. Mas se essa imensa colagem tem a consistência de um gigantesco organismo com vida, o novo álbum limita-se a recolar excertos da discografia prévia dos anos 70, 80 e 90, remisturando-os de maneira diferente. Para os incondicionais pode ser um jogo delicioso redescobrir segundos de ruídos familiares ou pedaços de canções como “It’s a rainy day, sunshine girl”, ocultos sob um denso manto de cacofonia. Trata-se, afinal, de pôr em prática o que o produtor Uwe Nettelbeck já preconizava em 1973: “Sempre gostámos da ideia de editar discos que pareçam inacabados; em que a música soe como um ‘bootleg’, como se tivesse sido gravada por alguém que ao passar por um grupo qualquer a ensaiar gravasse e montasse tudo de forma selvagem.”

01/10/2016

Howie B + Brian Eno

SONS sexta-feira, 1 de Agosto de 1997

DISCOS

POP ROCK

Gota de luz na escuridão


Howie B
Turn the Dark Off (6)
Polydor, distri. Polygram

Brian Eno
The Drop (8)
All Saints, distri. MVM

            Brian Eno destila o silêncio do mundo para o limpar. Howie B acrescenta-lhe ritmo para o fazer dançar. Mas se em “The Drop” o mago e inventor da música ambiental soube aumentar o volume de som e dar-lhe consistência, contrariando as emanações de perfume de “Neroli”, editado há três anos, em “Turn the Dark Off”, Howie B deixou-se enredar nas malhas de uma intransigência rítmica que não se adivinhava no anterior “Music for Babies”.
            Entendamo-nos de uma vez por todas: a obra de Brian Eno – pelo menos aquela criada a partir do momento de iluminação em que, estando imobilizado numa cama de hospital, descobriu que a música nasce da harmonização dos ruídos exteriores com o ordenamento, mental e emocional, que o sujeito lhes imprime – não é para ser ouvida na horizontal mas sim na vertical. O que significa isto? Muito simplesmente que, se acompanharmos um disco como “Thursday Afternoon”, “Neroli” ou os 33 minutos finais deste “The Drop”, tentando descortinar-lhes uma orientação temática, a música soará, inevitavelmente, como uma sucessão monótona de notas à deriva, num eterno fluxo cíclico, sem princípio nem fim percetíveis. Esta é, de resto, uma das regras básicas de conceito de música ambiental, onde se pede para não lhe prestarmos atenção.
            Mas, se nos detivermos num instante, se formos capazes de isolar um pedaço do fluxo, verificamos que ele é como um prisma refrator de luz. E perceberemos que em cada momento desta “corda” sonora infinita se abrem altares para o céu, eixos de coincidência, onde a relação de causa-efeito (um som precede e sucede a outro som, numa progressão programada ou aleatória, pelo Tempo) cessa, para dar lugar a uma perceção extática dos sons, onde tudo acontece, como num passe de magia, em simultâneo.
            É aqui que as conceções musicais do compositor se aproximam das técnicas rituais da música étnica, nas quais a música funciona não só como elemento integrador, como também de ativador de estados transcendentais da consciência, constituindo, ao mesmo tempo, como que uma espécie de banda sonora do espírito. Neste sentido ainda se pode dizer que se trata de uma música que, fazendo-se ouvir neste mundo, não lhe pertence.
            “The Drop” é, contudo, mais urbano e terreno nas suas premissas, aproximando-se quer do cassicismo flutuante das colaborações de Eno com os Cluster, gravadas em pleno auge do punk, quer no aproveitamento das estruturas rítmicas, não tanto de “Nerve Net” como, principalmente, de um álbum premonitório, “Another Green World”. E é preciso chegar aos tais 33 minutos do tema final, “Iced world”, para nos arrepiarmos, talvez pela primeira vez, com a visão musical que Eno nos devolve. Neste caso a paragem é paralisia, instantâneo gelado de um mundo aprisionado no seu próprio movimento em torno das imagens, que é como quem diz, do vazio. Sobre um ritmo imutável, tão discreto quanto irritante, desenham-se fraseados inacabados de teclados enfermos, em fragmentos que eternamente se desfazem e recombinam, quais peças de um Lego sem sentido. O autor, obviamente, escuda-se no humor: “É o que se pode esperar de uma descrição simplificada do jazz moderno a alguém que nunca ouviu falar dele, se esqueceu da maior parte do que ouviu, mas, mesmo assim, tentou tocá-lo.”
            O universo de Howie B, esse, decresceu de intensidade, em comparação com a imponderabilidade aquática de “Music for Babies”. B assimilou alguns dos conceitos sónicos de Eno desviando-os para o universo da cultura negra e era esse cruzamento do ambientalismo com o hip hop que, nesse álbum, dava um sentido novo e mais lato à música de dança. Só que em “Turn the Dark Off” Howie B optou pelo reforço da componente rítmica em detrimento do lado mais paisagístico da sua música. O resultado saldou-se pela vulgarização, uma vez que, no capítulo das programações, a inovação escasseou, amiúde tapando a riqueza tímbrica, que é uma das mais-valias dos métodos de composição e gravação deste músico, que, afinal, já trabalhou com o próprio Eno.
            Repete-se o esquema dos vibrafones em suspensão, contra a gravidade de um trip hop que, por vezes, adquire atmosferas de música de circo. Uma narrativa oblíqua assoma em “Take your partner by the hand”, o som ostenta a boa velha espessura do analógico (há mesmo um solo que tira partido da mítica sonoridade carnuda do LFO do sintetizador “Moog”), mas fica a sensação de um acumulado de clichés. Se Howie B pretendeu fazer algo semelhante ao que os Daft Punk fizeram com a “disco”, faltou-lhe o descaramento.

Sérgio Godinho - Domingo No Mundo

SONS sexta-feira, 20 de Junho 1997

PORTUGUESES

Sérgio Godinho
Domingo no Mundo (8)
Ed. e distri. EMI-VC

“Domingo no Mundo”, sendo um disco com peso de clássico, é, em paralelo, a derivação do seu autor para formas de inovação, ao nível da composição e dos arranjos. A opção estética de entregar os arranjos a outrem, abre, de forma talvez demasiado ostensiva, com a batida “hip hop” de “Ser ou não ser”. Num total de onze temas, da responsabilidade, entre outros, de Kalu, Manuel Faria, José Mário Branco, Tomás Pimentel, Rádio Macau, Jorge Constante Pereira e João Aguardela, nenhum dá parte de fraco. E pelo menos um deles entra diretamente para o grupo dos “melhores de sempre”, o título tema, um fantástico arranjo de um Manuel Faria “industrialista”, cujo refrão, cantado por Sérgio ao megafone, é um dos mais pujantes e “catchy” que a música portuguesa nos ofereceu nos últimos anos. “Não respire”, uma visão simultaneamente poética e crítica, sem ser moralista, do fenómeno da toxicodependência, e “As armas do amor”, mostram o Sérgio Godinho “rapper” e interventivo. O outro, intimista, surge em “Correio azul” e “Os afectos”. “É a vida” (o que é, que se há-de fazer?), “vintage” Godinho, e “Mesa”, surrealista no seu arranjo para metais de Tomás Pimentel, contrastam com a interpretação “Faustiana” e opiácea de “Lamento de Rimbaud”. O lado populista aflora em “Aguenta aí”, onde João Aguardela, dos Sitiados, encontrou o registo certo de festa e mordacidade, com a cidade do Porto, “património mundial”, na mira, e um violino de inclinações “cajun”. “Dias úteis”, em registo de fado, pelo simples pormenor do disco de piano riscado, põe de novo em evidência a capacidade inventiva de Manuel Faria, cada vez mais uma espécie de Brian Eno português. Sérgio Godinho, esse, continua a ser um mágico das palavras.

19/07/2016

Muzsikás and Márta Sebestyen - Morning Star

Sons

3 de Outubro 1997
WORLD

O nome da rosa

Muzsikás and Márta Sebestyen
Morning Star (9)
Rykodisc, distri. MVM

Ao longo das últimas três décadas os Muzsikás têm vindo a reforçar a posição de expoentes da world music que alcançaram na sequência de uma discografia exemplar e “performances” ao vivo verdadeiramente empolgantes (que o digam todos quantos assistiram às duas atuações do grupo em Portugal, nos festivais Cantigas do Maio, no Seixal, e Intercéltico, do Porto). A este sucesso a nível internacional não é alheia a presença assídua da cantora Márta Sebestyen, que, recentemente, deu o salto para o “estrelato” graças à sua contribuição para a banda sonora de “O Paciente Inglês”, devorador da última edição dos Óscares de Hollywood, e no megaêxito “Boheme” dos Deep Forest.
Mas Márta Sebestyen não é a cantora dos Muzsikás da mesma maneira que Éva Molnár é a cantora dos também húngaros Kolinda, por exemplo. São antes entidades distintas que se completam na perfeição. Márta encetou mesmo uma carreira a solo, tendo gravado os álbuns “Apocrypha” e “Kismet”, nos quais abordava, respetivamente, as programações eletrónicas utilizadas de forma exaustiva e uma world music que extravasava as fronteiras do seu país natal. Atreveu-se mesmo a participar num projeto radical de música contemporânea como “Kaddish”, do coletivo Towering Inferno.
Os Muzsikás, pelo contrário, mantiveram-se sempre fiéis ao longo dos anos ao reportório da Transilvânia ou dos Cárpatos, revelando, álbum após álbum, toda a sua mestria na execução das csardas e outras danças tradicionais magiares, embora avaliadas à luz de uma postura necessariamente modernizadora.
“Morning Star” surge na sequência de álbuns como “The Prisoner’s Song”, “Márta Sebestyen and Muzsikás”, “Blues from Transylvania” e “Máramaros”, funcionando de novo a magia da aliança das baladas sinuosas cantadas por Márta Sebestyen (entre as quais uma nova e galante versão, acústica, de um tema de “Kismet”, “I wish I were a rose”) com o virtuosismo e o ecletismo instrumentais do grupo. Os longos instrumentais “Füzesi lakodalmas”, “Ej, de széles”, “Baj, baj, baj” e “Gyimesi”, incursões profundas nas vísceras e na alma húngaras, são panoramas onde a síncope sanguínea dos ritmos convida tanto à dança como à introspeção.


Não assinado

18/10/2014

Tone Rec - Thugny-Trugny



Sons

20 de Junho 1997
POP ROCK

Tone Rec
Thugny-Trugny (7)
Sub Rosa, import. Ananana

O pós-rock avança para regiões inóspitas. Os Tone Rec são franceses, dois homens e duas mulheres, que empurram o movimento para a vertigem da experimentação pura. “Thugny-Trugny” explora o ruído segundo uma estética minimalista de massacre, pela repetição implacável de logaritmos eletrónicos onde os acontecimentos são estipulados ao pormenor. No meio do movimento das máquinas, a aparição de segmentos de guitarra e bateria, em “Tetra and day” e “The discret charm of diplomacy”, embora evidenciando a mesma precisão de um metrónomo psicótico, funciona quase como um alívio. “Handwriting letters” tem a crueza doente de uma fotocopiadora canibal em agonia. Em “Technics cimetery”, o tema que dá a estocada final, um coração sado-masoquista é castigado por choques elétricos, sugerindo igualmente a imagem de um computador com as entranhas a serem devoradas por um vírus. Doze minutos de tortura tornados ainda mais aterradores pelo carácter implacavelmente matemático do seu programa. Sai-se da experiência com o cérebro esburacado.

26/08/2014

Uma russa em Santiago [Santiago]



Sons

10 de Julho 1998

Ronda dos Quatro Caminhos – Músicos da Ronda estreiam novo projeto

Uma russa em Santiago

Quatro dos elementos da Ronda dos Quatro Caminhos juntaram-se a uma violinista clássica, mandaram às urtigas a música portuguesa e as vocalizações, inspiraram-se em Santiago de Compostela e chamaram ao novo projeto, Santiago. A violinista é Inna Rechetnikova, formada pelo Conservatório de Leninegrado e que nos últimos anos tem feito parte da Orquestra Sinfónica Portuguesa. Os quatro rondas são António Prata, Carlos Barata, Vítor Costa e Pedro Fragoso.

Esqueceram-se por momentos da banda-mãe para pôr em prática novas conceções musicais. “Já há alguns anos que tínhamos a ideia de fazer um grupo só instrumental”, diz António Prata, multi-instrumentista dos Santiago, para quem “há muito pouca música instrumental em Portugal, ao contrário do que acontece nos outros países da Europa”.
A par do aspeto instrumental há ainda uma preferência pela “música de autor”. Todos os temas de “Santiago”, disco de estreia do projeto, têm a assinatura de Prata, Carlos Barata e Pedro Fragoso. Ao contrário da Ronda, que faz essencialmente recriações de música tradicional portuguesa, nos Santiago privilegia-se a composição e “a experimentação com outras sonoridades”.
Alguns dos temas de “Santiago”, foram escritos, “na solidão da casa de cada um”. Outros “contaram com a colaboração de um ou outro músico, em termos de arranjos ou de uma segunda melodia, sem ser nunca um trabalho coletivo”, explica Prata. “Havia era uma comunhão de ideias entre os três compositores principais e tentámos que cada um fizesse alguns temas de acordo com o todo do disco”. Um disco que, diz, “teria que ser forçosamente alegre”.
No centro de Santiago está o violino da russa Inna Rechetnikova. “É uma paixão minha [N.R.: o violino, não a russa] e também de todos os outros músicos”. Os portugueses conheceram-na há dois anos. E “como as conversas são como as cerejas” e ela “gostou da ideia”, não foi difícil integrá-la no projeto. “Foi um desafio grande compor para o seu violino e fazer todo o disco girar em volta dele”, garante António Prata.
Ouvindo certas batidas de “Santiago” pensa-se nos Fairport Convention. Prata assume a influência. “Comecei a ouvir música em casa aos 12 anos. Vamos assimilando tudo o que ouvimos. Por um processo natural de exclusão, ficamos cá dentro com aquilo que é bom, como é o caso dos Fairport Convention, um dos grupos que ouvi bastante”.
Serão os Santiago, à semelhança dos Fairport, uma banda de folk rock? António Prata prefere o termo “pop folk”. Porque “não há dúvida de que os ritmos do continente europeu estão bem marcados no disco”, embora “com uma sonoridade mais pop” do que na Ronda. Cita, como exemplo, a inclusão da bateria, “que não tem nada a ver com o modo como é utilizada na Ronda ou as próprias malhas da guitarra e a sequência de acordes”.
De futuro se verá como os quatro elementos que dividem a sua atividade entre os dois grupos lidarão com o facto de poder haver sobreposição. Prata é bem claro: “Não avançámos com o Santiago apenas para fazer um disco. Planeámos uma carreira, embora saibamos que é difícil um grupo impor-se com um projeto instrumental. Mas somos perseverantes e se as coisas não correrem bem com este disco esperamos que corram melhor com o próximo”. E se os Santiago tiverem êxito? ”Num Verão em que haja muitos espetáculos dos dois grupos, teremos que conviver com essa situação”.
A Santiago de Compostela, na Galiza, onde se deslocam com frequência para atuar, foram os Santiago portugueses buscar inspiração. “É uma cidade que sempre teve um universalismo que nós gostaríamos que existisse também na nossa música”.

Nuno Rebelo - Azul Esmeralda



Sons

10 de Julho 1998
PORTUGUESES

As cabeças alimentam-se de azul

Nuno Rebelo
Azul Esmeralda (10)
Ed. e distri. Ananana

Imperturbável no caminho que traçou, alheio às pressões de uma indústria que não se compadece com a afirmação de uma autonomia teimosamente cultivada, Nuno Rebelo prossegue o seu percurso de músico posicionado nas margens do “mainstream”. É que, ainda por cima, a música deste antigo elemento dos Street Kids e dos Mler Ife Dada, está-se positivamente marimbando para o facto de ser ou não ser portuguesa.
“Azul Esmeralda”, composto para uma coreografia de Paulo Ribeiro, prolonga alguns dos métodos seguidos no álbum anterior, “M2”, nomeadamente um trabalho de colagem e manipulação sonora que aqui tomou como matéria-prima, o contrabaixo de Carlos Bica e o trombone e tuba de Greg Moore, executados ao vivo em improvisações em tempo real. Com este material procedeu Nuno Rebelo a um notável trabalho de composição, usando ainda uma série de gravações de campo (que vão dos grunhidos de um porco à voz de uma criança de Cabo-Verde) e os restantes instrumentos, gravados normalmente no estúdio.
O resultado é uma música sem classificação possível, que poderia figurar orgulhosamente num catálogo como o da Recommended, ombreando com alguns dos trabalhos de Fred Frith (um dos heróis de Rebelo), como “The Technology of Tears”, ou dos Nimal. Fragmentária para logo de seguida se organizar numa valsa de danados, perturbante, humorística, gutural, celestial, “Azul Esmeralda” cultiva a improbabilidade e a surpresa, formatando um magma de referências numa cornucópia de onde jorram abundantemente ideias e achados sonoros. “Hipercitizens” ostenta os sinais de uma “downtown” já filtrada por uma acumulação de memórias e sinais referenciais. O que não obsta a que swingue sem uma falha, como se os sopros de Greg Moore e o contrabaixo de Bica estivessem na realidade presentes numa acalorada “jam”, dirigida por Rebelo que neste tema ainda se dá ao luxo de solar quase com desdém na guitarra elétrica, numa inspiradíssima dedicatória a Fred Frith, para logo a seguir vir ao de cima todo o Inconsciente do rock’n’roll. E John Zorn, o “jazzman” que transbordava de ideias, ficou a ver navios, no cais de onde partem as loucuras (e se os Residents fossem músicos de jazz?...) de “Building for us all”, imediatamente seguido de um solo milimétrico de trombone que, poucos segundos depois, se desagrega numa miríade de estilhaços pontilhísticos. Há em “Azul” construções vocais sem filiação visível, rituais de culturas inexistentes, tangos e valsas, celebrações de ritos obtusos a deuses suspeitos, monstros mansos e anjos perversos, animais de som que invadem instantes de serenidade, seres mutantes, poços que se abrem cavando abismos, infeções e curas, luzes com muitas cores, construções e desabamentos, explosões e orações, enumerações e incongruências, religiosidade e paródia. Cabe tudo e tudo faz sentido neste manifesto portentoso saído de uma das cabeças mais inteligentes da música portuguesa dos últimos anos. Absolutamente imprescindível para pessoas com cabeça.