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16/12/2019

Stones, história interminável [Rolling Stones]


Y 5|NOVEMBRO|2003
fetiche
coisas que seduzem

stones
história interminável


Aqui têm com que se entreter: um livro e um DVD quádruplo. O livro, “Good Times Bad Times – The Definitive Diary of the Rolling Stones, 1960-1969” (de Terry Rawling e Keith Badman) ilustra com fotos e histórias inéditas (muitos deste material recolhido por Tom Keylock, então motorista dos Stones) o percurso do grupo ao longo dos 60’s, sórdidas qb, como Brian Jones a espancar a namorada, a actriz Anita Pallenberg. Dir-nos-ão que o rock é isto mesmo. Os Stones não têm feito outra coisa. O DVD, a multiplicar por quatro, mostra-os ao vivo, em estádios e auditórios. Há inéditos, conversas de bastidores, convidados como Malcolm e Angus Young, dos AC/DC. O som é Dolby 5.1 e o maior espectáculo do mundo continua a ser deles.

“Good Times Bad Times – The Definitive Diary of the Rolling Stones, 1960-1969”; Sanctuary. Distri. Som Livre.
Preço: €26; “Four Flicks”, 4xDVD. Distri. EMI-VC; €62,49, preço FNAC

Frank Zappa - Does Humour Belong In Music?


Y 5|NOVEMBRO|2003
fetiche
coisas que seduzem

zappa nóia


“O humor faz parte da música?” pergunta Zappa em “Does Humor Belong in Music?”, DVD que apresenta o guitarrista, falecido há dez anos, ao vivo no “The Pier”, Nova Iorque, a 26 de Agosto de 1984. A pergunta, é, já, uma piada. O homem que pôs uma audiência alemã de milhares a fazer a saudação nazi sabia do que falava. Cada espetáculo seu era uma “performance” inclassificável. Zappa corroeu os alicerces da pop e do rock americanos, injetando-os com o pesticida do génio e da loucura. Ouçam-no e vejam-no remasterizado em títulos tão desbragados como “Hot plate heaven at the Green hotel”, “Honey, don’t you want a man like me?”, “Dinah-Moe Humm” e “Cosmik
Debris”.

Frank Zappa, “Does Humor Belong in Music?” EMI, distri. EMI-VC, €26, preço FNAC

05/08/2016

Vários - The Other Side Of Nashville

Pop Rock
Novembro 1990
VÍDEOS

VÁRIOS
The Other Side of Nashville
PMV-Vídeo distri. Polygram – venda direta

Nashville, sinónimo de “country music”, de homens barbudos de voz nasalada, vestidos à “cowboy”, e mulheres de “jeans”, para as quais ser “sexy” não liga com estatuto de “workinh woman”. Nashville, imenso casino onde todos vão parar, em busca de glória e dólares. Uns perdem, outros ganham, mas, como se diz no filme, “o que seria do jogador sem um casino para jogar?”.
“The Other Side of Nashville”, realizado e produzido por Etienne Mirlesse, é um documento fundamental para a compreensão do fenómeno “country music” nos Estados Unidos. Conta-se a história na música e nas palavras dos seus principais protagonistas: Willie Nelson, Hank Williams Jr., Johnny Cash e, os mais novos, Kris Kristofferson, Emmylou Harris, Ricky Scaggs, entre outros. Quase todos afirmam a pés juntos que nada é como era dantes, nos tempos áureos dos anos 40 e da Grand Ole Opry, catedral onde atuaram todos os gigantes da “country music”. Opry Land, tornada anos mais tarde Disneyland, segundo o desabafo de Kris Kristofferson, por força da gigantesca máquina produtora de divisas em que se transformou aquela que, a par dos “blues”, constitui a raiz da música popular americana. Longe vão os tempos em que os banjos, violinos e guitarras refletiam vivências difíceis, passadas a trabalhar nas plantações de tabaco ou, posteriormente, durante os anos da Depressão, nas fábricas da cidade.
Já não há heróis como Patsy Cline, Loretta Lynn, Ray Acuff, Chet Atkins (que abriu caminho ao denominado “Nashville sound” através da utilização exaustiva da câmara de eco) ou o grande Hank Williams Sr., fazedor de música e de mitos, alcoólico expulso da catedral e encontrado morto no assento de trás de uma limusina antes de uma atuação.
O “boom” da “country”, ocorrido na passagem para os anos 60 é assinalado pelo aparecimento de estúdios (como o da RCA) e estações de rádio inteiramente dedicados à sua divulgação. O número destas passa rapidamente de 81, em 1961, para cerca de 2000. O jazz, os “rhythm & blues” e a pop infiltram-se nas raízes originais, provocando uma multiplicidade de variantes que vão desde o “bluegrass” tradicional ao “crossover country” e à atual vaga “pop country”. Emmylou Harris aproveita tudo, incluindo canções de Bruce Springsteen, alargando sem preconceitos o vocabulário do género. Hank Williams, o filho, segue as pisadas do pai na vida vagabunda de música, álcool e mulheres. Cita como influências Fats Domino, Little Richard e Chuck Berry – a “grande música branca” devedora da negritude. Rattlesnake Annie volta tão atrás como pode, buscando na alma dos “blues” a força que a faz cantar. Os pusristas clama que a sua música “está a perder a identidade”. O público não se importa e consome cada vez mais.

Os sons do Sul alternam com imagens de arquivo, como as de Carl Perkins, ao vivo em 1968, interpretando “Blue Suede Shoes”. Anos antes foram a “Sun records” e o “Rockabilly”, mistura de “country”, “blues” e “rock ‘n’ roll” – Hank Williams Sr., Jerry Lee Lewis, Gene Vincent e o rei Elvis.
Nashville atrai como mel. Bob Dylan não consegue encontrar em Nova Iorque os músicos de que necessita. Encontra-os em Nashville, onde grava a obra-prima “Nashville Skyline”, com Johnny Cash como convidado. Emcionante ver e ouvir os dois, lado a lado no estúdio, durante a gravação de “1000 miles behind”. “Nashville Skyline” e “John Wesley Harding” permitem a Dylan ocupar um lugar na galeria das personalidades ligadas à “country music”. Nashville torna-se conhecida em todo o mundo. A música que nela pulsa faz hoje parte da história e do imaginário dos States. “The Other Side of Nashville” retrata o interior de parte dessa história, de forma séria e sentida. Vivemo-la como se fosse um filme dentro desse filme maior que é a América inteira. ***

26/07/2016

Grateful Dead - So Far

Pop Rock
1990
VÍDEOS

GRATEFUL DEAD
So Far
Edivideo


Passados 23 anos, os Grateful Dead insistem na imagem de papas do psicadelismo. Extintos há muito os Quicksilver Messenger Service e com os Jefferson Airplane reduzidos à condição de caricaturas, a banda de Jerry Garcia permanece como último e fiel baluarte do movimento iniciado na costa Oeste americana com a ajuda das teorias do professor Timothy Leary e a filosofia emergente do pacifismo “hippie”. “So Far” apresenta os Grateful Dead interpretando ao vivo, no Coliseu de Oakland, sete temas: “Not Fade away”, “Uncle John’s Band”, “Playing in the Band”, “Lady with a Fan”, “Space”, “Rhythm Devils” e “Throwing Stones”, intercalados de imagens do mais puro estilo psicadélico. No início, a coisa apresenta-se normal: dois temas lentos, convencionais, acompanhados por imagens vulgares, para não destoar do ar de veterania exibido pelos diversos músicos. Explosões de fogo-de-artifício, sincronizadas com frases do tipo “Can you See the Light” ou cromos de casas rurais anunciando “como é bom viver no campo”, compartilhando a felicidade com galinhas, vacas e couves lombardas. Depois, uma sucessão de paisagens aéreas, mostrando mares, rios, pores-do-sol, searas ao vento e como o nosso planeta pode ser bonito se for bem tratado. Tudo bem, pensamos, são a mensagem e imagem possíveis após a ressaca do LSD. “Não há tempo para odiar” – canta Jerry Garcia candidamente, como se fosse possível acreditar. Em “Uncle John’s Band” somos confrontados com retratos de pessoas. Num deles, uma família come, à volta de uma mesa. “Inserts” de fotografias de bisontes. Presume-se que a família se refastela com suculentos bifes do citado bicho. Ou então, o que é mais provável, contenta-se com depenicar verduras, numa evidente mensagem ecológica de proteção à espécie. Chega a vez a dança, em “Lady with a Fan”. Orquestras e dançarinos, “swing” e “rock’n’roll”, com muitas saias esvoaçantes e cuequinhas à mostra. Multidões aplaudem. O quê? – pergunta-se. Um par romântico, réplica da dupla Ginger Rogers/Fred Astaire, evolui em volutas irreais, ele todo entradas e brilhantina, ela vestido rodado, qual cinderela em baile de debutantes. Finalmente uma orgia de pernas, transformadas em psico-pernas-fractais, em simetrias caleidoscópicas, reduzidas a um padrão repetitivo e abstrato. E, de repente, quando nada o fazia prever, a grande “trip”, uma ”acid jam” como nos bons velhos tempos. Quinze minutos de pura desbunda instrumental, com improvisações eletrónicas e percussivas e imagens à boa maneira hipnótico-alucinogénea do passado. Num quarto de hora alucinante, passa-se em revista a história do Universo, desde o Big Bang e a expansão das galáxias até ao apocalipse industrial da atualidade, passando pela visão de protozoários na brincadeira, coloridas espirais de ADN, um especial “National Geographic” e um “compacto” Terceiro Mundo. Os horrores da atualidade (poluição, guerra e outros do estilo) são apresentados em imagens de arquivo, a vermelho e negro, dando por fim lugar a um tom mais otimista com a Terra vista do espaço, toda engalanada de azuis e verdes oceânicos. A arte, outro dos tópicos importantes da temática humana. Ocupa também, como não podia deixar de ser, um lugar de destaque no aparato visual do vídeo. Vitrais de catedrais figurando a pomba do Espírito Santo, sobrepostos a baixos relevos e mandalas orientais. Antes já tinha sido o surrealismo e as cartas mágicas do Tarot, evoluindo sobre uma paisagem digital do tipo “chão em tabuleiro de xadrez com montanhas roxas no horizonte e uma lua no céu”, criada pelo departamento gráfico da RTP, com o recurso às “técnicas mais sofisticadas”. O mais engraçado reside em que esta estética, dir-se-ia ultrapassada, resulta em pleno, transportando-nos aos poucos para essa época, não muito distante, em que se viviam todos os sonhos como se fossem realidade. ***