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10/04/2011

Ui - The Iron Apple

10 de Dezembro 1999
POP ROCK

Ui
The Iron Apple (8)
Southern, distri. MVM


Antes de partirem para uma digressão pela Europa, no mês passado, os Ui gravaram em Nova Iorque este mini-álbum de 19 minutos com cinco novos temas constituindo o mais recente material de estúdio depois da edição, no ano passado, de “Lifelike”. Dedicado ao “manager” italiano desta “tournée”, Pietro Fuccio e inspirado na figura de T. Walter “Pops” Styer, dono de uma destilaria de cidra com o seu nome, na Pensilvânia, recentemente falecido aos 103 anos de idade, “The Iron Apple” demora-se na encosta mais electrónica do pós-rock, deleitando-se a sacar sonoridades ricas em harmónicos ao LFO do sintetizador Moog sobre ritmos pós-dub ("Ms. lady”, “Run, Pietro”) ou jungle (“Golden Pietro”) infectados de ferrugem. Em “Mrs. lady lady”, sobre uma secção rítmica pós-rock/art rock à maneira dos Etron Fou Leloublan, Sasha Frere-Jones aplica-se mesmo na utilização de uma das técnicas de execução que pareciam ter sido banidas dos sintetizadores desde os anos 70, fazendo rodar o comando do “pitch bender” para a frente e para trás, numa sucessão de glissandos a fazerem lembrar o jazz-rock progressivo de Jan Hammer. “Run Pietro” acaba por ser o tema que mais de perto aflora as sombras e as esquinas mal-afamadas de “Lifelike”, a ferver entre um emaranhado de arame farpado na mesma panela de pressão de Mark Stewart. Menos difícil de trincar que os anteriores frutos “podres” cultivados pelo grupo, “The Iron Apple” não deixa de ser uma maçã dura de roer para os mais acomodados ao lado “mainstream” do pós-rock.

12/10/2009

Debaixo da vida [Ui]

Sons

17 de Abril 1998

Debaixo da vida

O novo dos Tortoise é bom, o novo dos Trans AM é muito bom, mas o novo dos Ui, “Lifelike”, é fora de série. Aqui se mistura o grande funk com o “dub” e o experimentalismo kraut servido por dois baixos poderosíssimos e o gosto pelo “riff”. O PÚBLICO falou com o “grandmaster” Sasha Frere-Jones e confirmou o que já adivinhara: Os This Heat são os avós do pós-rock.

Demorou um ano e meio a preparar mas valeu a pena esperar por “Lifelike”, o mais recente álbum dos Ui. Mas o pensamento do seu principal mentor, Sasha Frere-Jones, entre recordações vagas de Sun Ra, umas brincadeiras com os Stereolab, a devoção aos This Heat e o espanto por conversar com alguém que ouviu os seus discos, está agora mais voltado para o seu filho de nove meses. É que “há coisas mais importantes do que o rock’n’roll”, como ele próprio admite.
PÚBLICO – Ui é um nome bastante estranho. Tem algum significado especial?
SASHA FRERE-JONES – Tem vários. Há uma peça de Bertolt Brecht chamada “Ascensão e Queda de Arturo Ui”, uma peça antifascista sobre Adolf Hitler. E David Lee Roth, dos Van Halen, gravou um álbum em espanhol em que no meio de todas as canções solta um grito lancinante: “Uuuiii”. Depois as letras “U” e ”I” pronunciam-se “you” and “I” [“tu” e “eu”], exprimem uma relação...
P. – “The 2-Sided EP/The Sharpie”, composto por material antigo, foi recentemente editado em Portugal. À semelhança do que acontece com outros grupos de pós-rock, nota-se que ouviram muito os This Heat. É verdade?
R. – Ah, sim! [solta uma exclamação de prazer]. Aí está uma banda que adoro. É engraçado estar a mencioná-los, ontem mesmo ofereci um disco dos This Heat ao autor do “design” da capa de “Lifelike”, Richard McGuire. E há uma hipótese de tocarmos com Charles Hayward lá para o final do ano. Os This Heat são sem dúvida uma enorme (“huge”) influência.
P. – Cada um destes discos representa uma fase diferente do grupo?
R. – “The Sharpie” foi um “single” gravado há três anos por obrigações contratuais com a Soul Static Sound. “The 2-Sided EP” é mais ou menos dessa altura, já não me lembro bem, foi gravado logo a seguir ao álbum “Sidelong”, que, aliás, já continha parte do que viria a ser “The sharpie”. Era uma altura em que procurávamos fazer temas mais longos para discos de doze polegadas e durante o qual os meus interesses giravam um pouco em torno do “drum’n’bass”. Clem Waldmann, o nosso baterista, toca como um baterista de “breakbeats”, apenas tínhamos que o mandar tocar e depois acelerávamos a fita...
P. – Um pouco mais tarde, em 1995, fizeram uma digressão com os Tortoise e os Labradford, cuja música é bastante ambiental, em oposição à vossa, que é de uma energia por vezes quase brutal...
R. – Eis uma comparação inteligente. É das primeiras pessoas a notar esse lado energético da nossa música, vejo que ouviu os nossos discos, o que não acontece com a maior parte dos jornalistas musicais com quem tenho falado [N.R. - Nesta altura, a nossa perplexidade só era comparável ao estado de dúvida que se instalou relativamente ao jornalismo praticado em terras do Tio Sam...].
P. – Bom, mas como é que conseguiram esse desempenho energético em estúdio, em “Lifelike”? É verdade que demoraram cerca de ano e meio a gravá-lo?
R. – Mais ou menos. Não estivemos esse tempo todo em estúdio mas foi quanto demorou a arranjar e a juntar o material necessário. Houve partes que já estavam feitas desde Junho de 1996, como os metais. Não houve propriamente ao longo desse ano e meio a intenção de fazer um disco. Este acabou por surgir quase por acidente. Mesmo as tais gravações com instrumentos de sopro foram feitas para serem integradas num disco de “drum’n’bass” que tínhamos gravado com os Stereolab em Londres. Outro tema, “Blood in the Air”, destinava-se a uma colectânea da Techno Animal, onde acabou por aparecer com o título “The next feeding”. Em “Lifelike”, nesse tema, uma vez mais, acelerámos a bateria. Só a partir de Maio do ano passado é que comecei a fazer em estúdio, em colaboração com Greg Frey, o engenheiro de som, todo o trabalho de mistura e edição. Senti-me como se tivesse o álbum já todo feito em casa e com o tempo e a liberdade de poder transformá-lo no que quisesse, com “overdubs”, montagens, etc.
P. – Vive em Brooklyn, em Nova Iorque. Não há registos de qualquer ligação dos Ui à cena “downtown” da cidade? Um tema como “News to go farther” tem um balanço muito jazzy...
R. – Essa ligação ao jazz surge sobretudo pelo lado de Wilbo Wright, que já tocou com Marc Ribot. Agora relações do grupo com a “downtown” nunca houve. Também não conhecemos muitos músicos da cidade, mas se conhecêssemos não seriam decerto dessa área, não gosto da música que fazem.
P. – Sob a designação de Uilab, gravaram em colaboração com os Stereolab o mini CD “Fires” onde se incluem quatro versões diferentes de um tema de Brian Eno, “St. Elmo’s Fire”. Houve alguma razão especial para esta escolha?
R. – Foi uma ideia que surgiu quando andávamos em digressão com os Stereolab. Antes de começarmos uma nova digressão pela Europa, arranjámos uma semana para gravar. É uma canção que já tinha na cabeça, discuti isso com eles e acabámos por gravar as versões em Londres. Há outra canção feita de parceria com os Stereolab, com uma secção rítmica composta por Wilbo e Clem que não aparece em “Fires” e que será editada num próximo single.
P. – Em “Fires” aparece também o tema “Impulse Rah”, creditado como uma composição de Sun Ra de parceria com os Ui e os Stereolab...
R. – Só a linha de baixo é que pertence a Sun Ra, ou, pelo menos, soa como se pertencesse a Sun Ra... Acho que faz parte de um dos seus álbuns, não me consigo lembrar de qual. Em todo o caso, achei que devia incluir o nome dele na ficha técnica. [Nesta altura, Sasha cantarolou a tal linha de baixo...]. É sem dúvida de Sun Ra!
P. – “Less Time” é o único tema creditado como Ui…
R. – É um dos meus temas favoritos. Ensaiámo-lo pela primeira vez há muitos anos, na América. Queríamos incluir em “Fires” outra coisa qualquer que fosse diferente e decidimos ouvir as fitas de ensaio. Começámos todos a entoar a melodia! [Sasha volta a imitar a linha de baixo...].
P. – É verdade que os Ui não têm qualquer espectáculo ao vivo programado para os próximos meses?
R. – Acontece que tenho um filho com nove meses e decidi consagrar os tempos mais próximos apenas à família.
P. – Decidiu? É você quem toma as decisões pelo grupo?
R. – Eis uma questão algo controversa... Mas neste caso acontece que os outros membros da banda também têm em casa filhos pequenos para cuidar. Por mais que gostemos todos de tocar ao vivo, achamos que a família é mais importante. Há coisas mais importantes que o rock’n’roll [risos]! O meu filho é uma delas [N.R. – Seguiu-se um interessante diálogo particular sobre os filhos de uns e de outros e os respectivos nomes que acabou por ir dar a João Gilberto, daí que...]. Sou um fã da bossa-nova: João Gilberto, os Mutantes, Caetano Veloso...
P. – Para terminar, fale-nos na sua actividade como DJ, sob o pseudónimo The Calvinist, e da sua própria editora, Bingo.
R. – Toda a gente me pergunta sobre The Calvinist. Não sou propriamente um DJ profissional, acontece apenas que, por vezes, quando saio à noite, ponho uns discos de que gosto a tocar. Em relação à Bingo, é diferente. Os Uilab, por exemplo, foram editados por nós, na América. Também existe uma compilação chamada “The Day my Favourite Insect Died” com grupos de rock alemães da cidade de Waldheim, como os Notwist, a tocarem música electrónica. Vamos lançar a seguir um disco dos The Tie and Tickle Trio e outro de Derek Bailey com uma série de gente a fazer as secções rítmicas e ele a tocar guitarra por cima.

Ui - Lifelike

Sons

17 de Abril 1998

No calor do funk

Ui
Lifelike (10)
Southern, distri. MVM

Depois de “Sidelong”, dos Ep reunidos em “The Two Sided EP/The Sharpie” e da colaboração com os Stereolab, em “Fires”, os Ui regressam com um álbum de originais que bate aos pontos os trabalhos mais recentes dos Trans AM e dos Torotise, com quem têm sido erradamente comparados. “Lifelike” é um murro no estômago do pós-rock, uma descarga de funky combinada com resíduos dub (“Acer rubrum”), uma vertente dançável que cura anteriores viroses apanhadas com a praga da illbient e, acima de tudo, a arte suprema do riff, normalmente usada e abusada pelos demiurgos do heavy-metal mas que os Ui souberam reconverter num poderoso caudal de ideias que tanto sugere o industrialismo fechado numa câmara de gás dos This Heat como o domínio pleno das técnicas repetitivas, um pouco à maneira dos Can (“Future Days” e “Tago Mago” são dois capítulos fundamentais na bíblia dos Ui). “O caminho dos Ui para a abstracção”, pode ler-se num artigo sobre o grupo publicado na Wire de Março de 1996, “baseia-se no mesmo princípio seguido pela cultura breakbeat, de destacar um determinado instante musical e expandir o prazer que ele nos proporciona até ao infinito”. Era este, de resto, o princípio seguido não só pelos Can como também pelos Public Image Ltd, de John Lydon, ou pelos Gang of Four, antepassados dos Ui na técnica do massacre repetitivo. Como era, ainda, o caminho dos ciclos rítmicos palmilhado pelos grandes mestres do funk e do proto-hip hop, como Grandmaster Flash, Kurtis Blow, Funkadelic ou Parliament, todos eles, claro, admiravelmente trespassados pela grande faca do funk branco cravada pelos Kraftwerk com “Trans Europe Express”. A introdução de sopros abrasivos (“Undersided”, “Digame”...), juntamente com a saturação pulmonar criada pelos dois baixos, uma bateria fulminada pelo apelo dos breakbeats, uma guitarra de metal afiado e uma disseminação judiciosa de jorros de sintetizador que engrossam ainda mais a sensação de poder que se desprende do álbum, fazem de “Lifelike” um corpo muscular capaz de pulverizar qualquer rival em redor. Com um só golpe, os Ui fizeram desmoronar o edifício barroco do pós-rock. Para ouvir altíssimo.

22/09/2009

Big Brother is watching you [Pop Rock]

Sons

27 de Março 1998
DISCOS – POP ROCK

Big Brother is watching you

Trans AM
The Surveillance (8)
City Slang, distri. Música Alternativa


Stars of the Lid
Gravitational Pull vs. The Desire of an Aquatic Life (7)
Kranky, distri. MVM

Ui
The 2-Sided EP/The Sharpie (7)
Soul Static, distri. MVM

Uilab
Fires (8)
Duophonic, distri. MVM

De Chicago chega-nos mais um pacote de pós-rock ou “música intuitiva” ou seja lá qual for o rótulo que se lhe queira colar. Aos Trans AM deparava-se a árdua tarefa de ultrapassar o álbum do ano passado, “Surrender to the Night”, considerado quase unanimemente um marco do pós-rock e uma espécie de complemento de “Millions now Living will never Die”, dos Tortoise, com quem os Trans AM têm mantido um paralelo curioso, mais que não seja pela quase coincidência dos “timings” editoriais. “Tortoise” e “Trans AM”, os respectivos álbuns de estreia, estavam bastante próximos entre si.
Eram monstros de metal estruturados segundo fórmulas rítmicas minimalistas em que o uso da electrónica dava ainda os primeiros passos. Com “Surrender to the Night” e “Millions now Living...”, as duas bandas disparavam para os territórios do puro experimentalismo, na altura em que atingia o auge o referencial germânico do “Krautrock”. Chegados, de novo quase em simultâneo, ao terceiro capítulo, os Tortoise e os Trans AM desencontraram-se em definitivo. Consumada a entrada dos primeiros na enfermaria ambiental. a par da recuperação do “easy listening” e do ensaio no jazz-rock electrónico, verifica-se que os Trans AM caminharam no sentido inverso. “The Surveillance” é um álbum violento sobre o tema do controlo, da vigilância e da manipulação dos indivíduos pela tecnologia. Oito meses, num estúdio construído especialmente para o efeito, foi quanto demorou a fazer um disco que, ao contrário de “TNT”, dos Tortoise, apresenta sintomas de claustrofobia e destila suor por todos os poros. Sinónimo de esquizofrenia, “The Surveillance” alterna duas vertentes distintas, uma mais dura, marcada pelas guitarras e pela saturação tímbrica do primeiro álbum (com vénia aos This Heat, em “Extreme measures”), e outra totalmente electrónica, segundo a linha de montagem automatizada inaugurada pelos Kraftwerk, em faixas como “Access control” (uma variante rítmica de “The man machine”), “Prowler 97” e “Home Security” (com alguns dos timbres de cristal de “Computer world”). É um jogo de consola de “música perigosa”, como os próprios músicos a definem mas onde o extremo rigor da escrita acaba por minimizar os eventuais efeitos de risco.

Mantendo-se em flutuação numa “drone” sem fim pelo interior de um buraco negro, os Stars of the Lid penetraram, contudo, numa zona mais povoada de microacontecimentos do que a aridez absoluta do anterior “The Ballasted Orchestra”. Com a diferença de que, ao contrário de “Ballasted”, em que a banda de Chicago levava ao extremo o prazer da monotonia, “Gravitational Pull” deixa entrar alguma, pouca, claridade, em oscilações tímbricas que tornam a música mais ondulatória. Klaus Schulze, de “Mirage”, surge como referência num tema como “The better angels of our nation”. Um Jeff Greinke congelado na eternidade assombra “Cantus II; in memory of Warren Wiltzie, Jan.69”, que parece sair directamente das entranhas de um cemitério. “Lactate’s moment” e “Be little with me” recordam, respectivamente, as ondas cirúrgicas de “Evening Star” e “No Pussyfooting”, de Fripp e Eno.
Os Stars Of The Lid são uma das bandas pós-rock mais bizarras, não só pela recusa obstinada em utilizarem o ritmo como pelo hermetismo dos seus conceitos. Mas já não estão sós na sua solidão obscura. Os Windy & Carl, com “Depths” e os Frontier aí estarão em breve com as suas propostas pessoais de “pós-ambient”.

Dos mais antigos representantes do movimento pós-rock com origem em Chicago, os Ui lançam em simultâneo dois discos com características específicas, antes da edição próxima do novo de originais, intitulado “Lifelike”: “The 2-Sided EP”, de 993, e “The Sharpie”, de 1996, agora reunidos num “digipak” de apresentação atraente que testemunha a passagem do rock matemático e muito “RIO” (“Rock In Opposition”) do primeiro para a experimentação com os sintetizadores analógicos do segundo. Bastante mais interessante é a junção dos Ui com os Stereolab, denominada Uilab, que em “Fires” apresentam um núcleo central formado por quatro versões de “St. Elmo’s Fire”, uma composição de Brian Eno incluída no seu álbum de 1975, “Another Green World”, às quais se juntam um arranjo colectivo de “Impulse Rah”, de Sun Ra, e “Less Time”, da autoria dos Ui.
Cada uma das sucessivas versões de “St. Elmo’s Fire”, “Radio”, “Red corona”, “Spatio-Dynamic” e “Snow”, afasta-se progressivamente do original, com a voz de Laetitia Saedier a evoluir de um clone feminino de Eno, em “Radio”, para uma mutação electronicamente transformada em “Red corona”. “Spatio-dynamic” é “funky” à maneira dos Talking Heads, com o órgão torturado e o vibrafone dos Stereolab. Na última das versões, “Snow”, o tema torna-se irreconhecível numa mescla de sonoridades retorcidas ainda aqui mais próximas das contas feitas pelos Stereolab em “Emperor Tomato Ketchup” do que da música descarnada dos Ui, antes de a voz de Laetitia repor os pontos nos is, ao decalcar as medidas exactas do original de Brian Eno, fechando-se o ciclo no mais puro “krautrock” dos Kraftwerk, de “Ralf and Florian”. Em “Impulse Rah!”, de Sun Ra, o macrocosmo “free” deste compositor é condensado num microcosmo de sintetizadores de borracha, rituais percussivos e um órgão em marcha hipnótica que abre caminho através das improvisações minimalistas dos sintetizadores. Os anos 70 (aos quais a edição de Abril da “Q” dedica um extenso “dossier”) cada vez mais a tocarem o final do século.