22/10/2026

Vozes na luta não chegam ao céu [Freire, Fanhais, Barroso]

 

PÚBLICO SÁBADO, 5 DEZEMBRO 1992 >> Cultura

 

Freire, Barroso e Fanhais no S. Luiz

 

Vozes na luta não chegam ao céu

 

Canções de luta fazem sentido quando a primeira força vem da música, do gesto criativo. Manuel Freire, Pedro Barroso e Francisco Fanhais, três amigos que na quinta e sexta-feira marcaram encontro em Lisboa, no Teatro S. Luiz, foram baladeiros da era “Zip-Zip”, armados de guitarras e de palavras de poetas, que lutaram contra o regime político anterior ao 25 de Abril de 74. Hoje são exatamente o que eram há vinte ou trinta anos, com a diferença de que agora as mesmas canções não passam de exercícios de nostalgia destinados a recordar aos mais velhos (que compunham maioritariamente a plateia do S. Luiz) os bons velhos tempos da resistência antifascista.

Comparemos, por exemplo, este encontro com outro semelhante realizado no mesmo local há uns meses, que reuniu António Victorino de Almeida, José Mário Branco e Carlos do Carmo, qualquer deles, por vias diferentes, também detentor legítimo do estatuto de “resistente”. Passados os anos, instituída a democracia, continuam a fazer música que vale por si, independentemente de qualquer carga intervencionista. Por isso, o seu concerto fez sentido, foi atual, mereceu a pena.

Freire, Barroso e Fanhais, pelo contrário, fizeram pena. As canções (eles não dizem “canções”, dizem “cantigas”, não têm “mulheres” têm “companheiras”), antigas, remetem quase todas para o passado. Manuel Freire e Pedro Barroso têm boas vozes, escolhem poetas (nalguns casos mais fabricantes de versos), viram o disco e tocam o mesmo. Freire é Paris e variações infinitas da “Pedra Filosofal”, Barroso toma-se por Brel quando eleva a voz e acelera à procura da “Valse a mille temps”. Quanto a Fanhais, não tem voz nem sabe cantar mas, curiosamente, é dos três o mais inventivo e original ao nível de composição. Pertenceu-lhe um dos momentos mais altos da noite numa péssima interpretação de uma “cantiga” pungente sobre “Velhas solteiras”. O outro foi “A vida” cantada em tom de tragédia por Manuel Freire.

O resto foram piadas forçadas e privadas (Pedro Barroso, a propósito de nada, sobre Fanhais: “Foi um truque que aprendeu no seminário”. Resposta do ex-padre: “Eh pá, essa é mais velha que a Sé de Braga”, seguida de um “Não renego um só segundo do meu passado” dito em tom de quem renega. O mesmo Fanhais, na apresentação de um tradicional beirão: “É como um regresso ao útero, eh pá esta é um bocado forte, o Pedro diria antes ‘à mãe-terra’”), o diálogo em tom coloquial a sugerir cumplicidades partilhadas, umas habilidades (“agora Pedro Barroso vai tocar gaita e piano ao mesmo tempo”) e algum cheiro a naftalina.

Salvaram-se os três acompanhantes – Jorge Gonçalves (acordeão, baixo e piano), Pedro Fragoso (cordas dedilhadas e teclados) e Luís Sá-Pessoa (violoncelo) – encarregados de pôr música nas recordações. Escusado será dizer que toda a gente cantou em coro a “Pedra Filosofal” naquela parte que diz “O lá lá lá rá lá lá rá”. Vozes na luta não chegam ao céu.

 

Encontro de amigos [Freire, Fanhais e Barroso]

 

Freire, Fanhais e Barroso no S. Luiz

 

Encontro de amigos

 

Amigos, amigos, negócios à parte, costuma-se dizer. Não é nem vai ser o caso de Manuel Freire, Francisco Fanhais e Pedro Barroso, amigos de longas lutas contra o antigo regime, em forma de canções. Ainda há quem se lembre que houve Abril, um certo Abril, e que antes era difícil dizer o que havia a dizer. Três amigos voltam a encontrar-se, a relembrar lutas passadas, a inventar, talvez, lutas futuras. Manuel Freire, Francisco Fanhais e Pedro Barroso, num “Encontro de Amigos” a realizar hoje e amanhã, em Lisboa, no Teatro Municipal S. Luiz, às 21h30, e dia 10 no Porto, no Teatro Rivoli, à mesma hora.

Acompanham os três cantores, em palco, Jorge Gonçalves (acordeão, baixo e piano), Pedro Fragoso (guitarra, cavaquinho, piano, guitarra portuguesa, sintetizador, viola campaniça e braguesa) e Luís Sá-Pessoa (violoncelo). O espetáculo inclui textos e música dos próprios, de António Gedeão, Manuel Alegre, Vinicius de Moraes, Rebordão Navarro, José Fanha, Martinho Marques, José Afonso, António Cabral, Sophia de Mello Breyner, Sebastião da Gama, Reinaldo Ferreira, Adriano Correia de Oliveira, Rosalía de Castro, José Niza e António Portugal. Apoiam o “encontro”, as Câmaras Municipais de Lisboa e Porto, a RTC – Radiotelevisão Comercial e RDP – Antena 1, em colaboração com a MC – Mundo da Canção.

Francisco Fanhais abandonou a batina e o seminário para se dedicar às baladas de intervenção. Ainda na qualidade de padre e baladeiro atuou no mítico “Zip Zip”, em 1969, fazendo na altura parte de um grupo de cantores que usavam “a poesia, a voz e a viola para dinamizar inúmeras e acidentadas sessões de resistência ao Estado Novo”. Em 1971 foi com José Afonso para Paris, para a “resistência”. Cinco dias depois da revolução dos cravos regressou a Portugal onde, desde então, tem tocado “um pouco por todo o lado”. Mas os tempos não estão para revoluções. O ex-padre resume a sua vida nos seguintes termos: “Dois filhos, dois discos, muitas árvores, muitos amigos”.

“Não há machado que corte a raiz ao pensamento/porque é livre como o vento...”. Quem nunca, numa ou noutra ocasião, deu por si a cantarolar estes versos? Cantou-os Manuel Freire, outro lutador, para quem a música sempre foi indissociável da crítica intervencionista. Foi ele quem disse uma vez: “Eu canto textos de poetas especialmente porque me sinto um poeta frustrado”. Esteve, como os outros, em Paris (ah, Paris, Paris, que bem lá se estava, longe dos fascistas, nos boulevards e nas tertúlias do Quartier Latin...), onde conheceu Luís Cília (grande músico) e José Mário Branco. Também foi ao “Zip Zip”, claro, e cantou a “Pedra Filosofal”. Enfim, o percurso habitual, problemas com a censura, o 25 de Abril surgido um pouco a despropósito, a obrigar outros sons e outras palavras.

A mensagem de Pedro Barroso é mais hiperbólica: “... Se me perguntarem hoje onde estou, para onde vou e de que me alimento, a resposta surge – ‘longe daqui’. E tenho de ir buscar diariamente à nossa história a alma vertical para poder continuar. E ao sonho impossível da doce e laboriosa utopia do São Nunca”. Parece ser uma boa mensagem, sobretudo no que diz respeito à alimentação, a julgar pelo bom e nutrido aspeto que o cantor aparenta. “Zip Zip”, “baladas a desempenharem importante papel de consciencialização e mobilização”, ator numa peça de Mishima e campanhas de dinamização cultural do Movimento das Forças Armadas fazem parte do seu currículo. Nele o mais interessante é o recurso à música tradicional, às chulas, corridinhos e malhões, embora depois diga coisas do estilo “Tenho a estrada suficiente para emitir opinião do ponto de vista étnico-social: o cantor da eira aparece, nos recitais, cruzado com devaneios intimistas que falam de mim”. Que falam dele. É um andarilho que evoca nas suas canções os seus temas de sempre – “a mulher, o mar, a natureza dos tipos humanos, a solidariedade, o amor e a portucalidade”.

São três amigos e vão fazer de conta que nada mudou.

 

Jorge Reyes - Bajo El Sol Jaguar + Niérika

 

PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 2 DEZEMBRO 1992 >> Pop Rock >> Álbuns

 

Jorge Reyes
Bajo El Sol Jaguar (9)
CD, Exilio, import. Ananana
Niérika (9)
CD, No Rekords, import. Ananana

Reyes, Jorge - Bajo El Sol Jaguar - Amazon.com Music

Em Jorge Reyes, músico mexicano pouco conhecido na Europa, o passado do México pré-hispânico encontra-se com os sinais extremos da modernidade. É possível situar a sua obra em territórios próximos dos delimitados por Jon Hassell, O Yuki Conjugate ou Lights In A Fat City – músicas do “quarto mundo”, como se costuma dizer, na qual a eletrónica e os elementos étnicos se cruzam em infinitas sínteses. “Bajo El Sol Jaguar”, o álbum mais recente, e “Niérika” (reedição do original de 1989, acrescentado de dois temas de “Ek-Tunkul”), como “Musica Prehispánica” ou “Crónica da Castas” (de parceria com o guitarrista espanhol Suso Sáiz), recuperam o ambiente e os mistérios das civilizações maia e asteca, em incursões sombrias por cavernas, pirâmides e vulcões, onde as energias telúricas e celestes se unem e dançam através do eixo humano. É uma música lenta, ondulatória, ritual, no sentido em que convoca e desencadeia movimentos interiores e deslocações da consciência. Ritmos primevos brotam de fontes sonoras como cântaros, troncos de árvore, pedras, fósseis ou do próprio corpo que Jorge Reyes percute e amplifica. Sons de chuva e vento ajudam a delinear paisagens recortadas contra o manto negro da noite. Ocarinas e flautas pré-hispânicas, “didjeridoo”, sintetizadores e sequenciadores ao serviço das energias naturais tecem quadrículas de tempo, relações bizarras entre culturas, transmutações da memória. A luz, quando o dia nasce, cobre de ouro velho as ruínas de templos esquecidos. Nas manchas de um jaguar, oculta-se o último segredo, terrível revelação que assombra um conto de Jorge Luís Borges. Na obra de Jorge Reyes, o sonho (tema sempre recorrente nos seus álbuns) é caminho e porta, meio sinuoso e alucinatório de acesso ao centro de um mundo povoado de fantasmas. “Bajo el Sol Jaguar” e “Niérika” são neste aspeto equivalentes à obra literária de Carlos Castañeda e às suas viagens de peyote – “Viaje al sitio de los violines de flores”, como diz o título de uma canção. As flores do mal, de Baudelaire?

 

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Ferdinand Richard Et Les Philosophes - ... Enclume

 

PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 2 DEZEMBRO 1992 >> Pop Rock >> Álbuns

 

Ferdinand Richard Et Les Philosophes
... Enclume
CD Rec Rec, import. Audeo

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Filosofia à parte, Ferdinand Richard é, de facto, um amante da palavra, do texto. Ganhou notoriedade como baixista dos Etron Fou Leloublan, grupo francês que aliava o “vaudeville” e Captain Beefheart às divagações literárias de pendor surrealista. Tudo bem se Ferdinand não insistisse em ser ele próprio a cantá-las. Pela simples razão de ser tão bom baixista como mau vocalista, mas parece que ninguém tem coragem para lhe dizer isso. Nem sequer Fred Frith, com quem gravou um bom disco intitulado “Dropera”. “... Enclume” é um festival de baixo, guitarra (Alain Rocher) e bateria (Dominique Lentin) ao desafio, em intricadas texturas ao modo Etron Fou com o toque frithiano que caracteriza grande parte das produções guitarrísticas com o selo Recommended. O pior são as tais palavras, excessivas, que brotam em catadupa em cada canção, no estilo discursivo de Richard – “50 sílabas por cada verso; se não couber, aperta-se” – que impede a respiração e uma maior eficácia na explanação instrumental. Não fora a oratória (e alguns textos até são interessantes, corrosivos e sarcásticos na análise a estereótipos sociais) e o tom redundante das vocalizações e a filosofia de “... Enclume” poderia ser bastante mais que um mero exercício de retórica. (6)

 

António Manuel Ribeiro - Pálidos Olhos Azuis - P.O.A.

 

PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 2 DEZEMBRO 1992 >> Pop Rock >> Álbuns

 

OS OLHOS DO TÉDIO

 

ANTÓNIO MANUEL RIBEIRO
Pálidos Olhos Azuis – P.O.A.
LP/MC/CD, Edição BMG

Uma imagem com música, guitarra, pousar, baixo

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“Há uma parede mágica que rodeia a canção (...) não sabemos se alguém a vai descortinar à primeira escuta/essa magia que vive do outro lado da escuridade.” Escreve-se isto a propósito de “Velhos tamborins”, primeira canção a ser editada no formato de “single”, retirada do álbum estreia “P.O.A” de A.M.R., vocalista dos UHF. Deve haver, de facto, uma parede a rodear cada canção de “P.O.A.”. Nem à primeira, nem à segunda, nem à vigésima sétima audição se consegue descortinar nelas qualquer tipo de magia, muito menos um bocadinho de música original – um mínimo de interesse que seja. Só escuridade. Só banalidade em cada melodia estafada, disco após disco, dos UHF.

António Manuel Ribeiro tinha que fazer um disco a solo, para dar a conhecer às multidões o enorme artista que é. Era preciso mostrar uma visão autónoma, um talento liberto das imposições do coletivo, a grande arte do génio solitário, abandonado à magna angústia da criação. Então A. M. R. pegou na guitarra, abriu a boca e a obra fez-se. Não devia. “P.O.A.” aproveita o pior dos UHF. Vai buscar o típico ambiente das noites de Benfica e passa-o a ferro em linhas melódicas sem ponta de inspiração, e textos que repisam velhos chavões e paranóias: a estrada, sempre madrasta, mas a que não se pode fugir; a marginalidade dos subúrbios; a violência juvenil como forma de fuga ao tédio; e agora, em estreia mundial, os “olhos das miúdas”, das “groupies”, aquelas mosquinhas que cirandam à volta do artista a pedir migalhas. Um espetáculo que visivelmente comove António Manuel Ribeiro. São pálidos olhos azuis, faróis na escuridão, essas tretas.

Tudo estaria bem e tudo seria perdoado, se não fosse a música. Com “P.O.A.” A.M.R. esqueceu uma década de evolução, regressando à pré-história do “rock português”, dos primeiros UHF, GNR e CTT. Não falta sequer um “puro sangue”, na melhor tradição dos “cavalos de corrida” e um coro de impensável parolice, no “épico” “A noite inteira”. Escapa à mediocridade total um “Aqui na arena” cantado de raiva, entre o ódio e a introspeção, contra o “portuga”, o “show business” e, por tabela, a humanidade em geral – o melhor A.M.R. na pele de D. Quixote em luta com os moinhos e consigo próprio. O CD inclui o tema-extra “Hi John”, dedicado a John Lennon, e a versão longa de “Velhos tamborins”. A António Manuel Ribeiro deseja-se rápidas melhoras e votos de um bom descanso. (3)

 

A rumba não se serve a frio [El Rumbero]

 

PÚBLICO DOMINGO, 29 NOVEMBRO 1992 >> Cultura

 

El Rumbero no Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa

 

A rumba não se serve a frio

 

Não façam mais concertos no Pavilhão Carlos Lopes. É frio e não tem condições acústicas. E às vezes, como aconteceu sexta-feira à noite na atuação de El Rumbero, muito grande para a escassez de público e a pequenez do talento. No final houve quem pedisse a devolução do dinheiro.

 

Uma imagem com texto, pessoa, pousar

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Estariam cerca de mil pessoas no Pavilhão Carlos Lopes dispostas a dançar a rumba e a soltar “olés”, entre palmas, calores e guitarradas. Nada disto aconteceu. Por culpa das condições do recinto, mas também dos músicos, que, rotulados com a auréola de “reyes”, acabaram por revelar-se uma enorme desilusão. Ou talvez fosse do cansaço. Logo no início, El Rumbero apressou-se a dizer que estava fatigado da viagem. E que, explicou, “todos os ciganos têm medo de viajar de avião”. Disse outras coisas mas não se conseguia perceber dado que a acústica do pavilhão transformava cada palavra numa pasta de reverberação que ecoava pelas paredes desoladas como um bombo descontrolado.

Em palco quatro guitarras, um baixo e percussão, mais os respetivos humanos a segurá-los. O “manager” do grupo, um italiano, fez as apresentações. Dois instrumentais mornos fizeram o que seria suposto ser o aquecimento para a entrada do herói da noite, El Rumbero, o rei da rumba, catalão há vários anos a viver em Camarga, França.

Este lá apareceu de voz rouca a dar desculpas, cantou as esperadas rumbas, muitos temas dos primos Gipsy Kings – sem esquecer o hino das feiras, “Bamboleo” – e a coisa nunca passou da mediocridade até ao final. “Vamos a bailar”, dizia a letra de uma canção. Ninguém se mexeu. Mais um esforço para mobilizar as hostes, com El Rumbero dando instruções de canto à assistência que, devido ao som empastelado, soaram ininteligíveis para o público. Percebia-se “oh oh” e “ay ay ay mi madre” seguido por uma série indecifrável de gemidos e interjeições.

Mas o momento mais caricato do espetáculo estava reservado para o final. El Rumbero e os rapazes, enfadados, terminaram abruptamente a atuação e abandonaram o palco, pouco mais de uma hora depois do seu início. Toda a gente pensou que era o intervalo e ficou à espera, muda e queda, da segunda parte. Entrou então o empresário italiano que desatou a berrar “rumbero, rumbero, rumbero!” perante o pasmo coletivo. Como por esta altura o pavilhão já se encontrava completamente enregelado, claro que nenhuma alma foi sensível a este entusiasmo empresarial. Mesmo assim a banda regressou ao palco, simulando o empolgamento, para dois “encores” despropositados que ninguém pediu a não ser o patrão.

Algumas ciganitas adolescentes pediam à saída a devolução do dinheiro gasto no bilhete, descontentes com o pobre espetáculo a que tinham assistido. Faltaram às rumbas de El Rumbero a “raça” e o nervo que caracterizam a música cigana. E, isso, nem sequer os seus irmãos de sangue perdoaram.

 

O rei da rumba [El Rumbero]

 

PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 25 NOVEMBRO 1992 >> Pop Rock

 

O REI DA RUMBA

 

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El Rumbero vem tocar a Portugal. Sim, mas quem é El Rumbero? É o rei da rumba cigana, ídolo dos Gipsy Kings, cantor e guitarrista de reconhecidos méritos. Nasceu no seio da família “Los Reyes”, da comunidade cigana de Camarga, França, a mesma região natal de Manitas de Plata e dos Los Baliardos, por exemplo, e ao longo dos últimos anos tem levado a música “gitana” aos confins do planeta, incluindo o Extremo Oriente e o Japão.

Mas não se pense que El Rumbero é daqueles tradicionalistas empedernidos avessos à inovação. Nada disso! Ele serve-se das rumbas, dos seus requebros lânguidos, e acrescenta-lhes um toque de modernidade. Um pouco à maneira dos Gipsy Kings, diga-se de passagem. Embora não vá tão longe nas cedências comerciais. Ainda bem. Os “gadjos”, que é como quem diz, os não-ciganos, hão-de gostar de ouvi-lo.

Há um disco dele publicado recentemente (o que já não acontecia há quatro anos) no nosso país pela MVM, com o título “El Rumbero”, no selo Food for Thought. Produção de Stephan Galfas, com quem El Rumbero discutiu ideias e a forma final do projeto. Um álbum de rumbas, como não podia deixar de ser, entre as quais as conhecidas “Chica ven”, “Sei bellissima”, “Pasa” e “Angelina”. Com acompanhamento à guitarra acústica e percussão. Escusado será dizer que vai ser impossível resistir ao apelo da dança.

Como curiosidade, refira-se que El Rumbero e os restantes seis músicos (quatro guitarristas, dois percussionistas) que o vão acompanhar nos espetáculos de Lisboa e do Porto – C. Julli, A. Lacroix, M. Fernandez, M. Canterel, W. Pumpo e M. Sequera – tocarão um “set” exclusivamente acústico.

 

LISBOA, 27 DE NOVEMBRO,
PAVILHÃO CARLOS LOPES, 22H
PORTO, 28 DE NOVEMBRO,
COLISEU, 22H