18/05/2026

Os sons da diferença [Festivais de Lisboa]

 

PÚBLICO QUINTA-FEIRA, 12 DEZEMBRO 1991 >> Cultura

 

Festivais de Lisboa

 

Os sons da diferença

 

OS ESPETÁCULOS de hoje e amanhã à noite, no S. Luiz em Lisboa, integrados nos “Encontros de Música” dos Festivais de Lisboa, prometem ser diferentes. Joaquim D’Azurém e a dupla Nuno Canavarro/Carlos Maria Trindade atuam hoje, às 21h30. O primeiro toca guitarra de água, de cristal. “Transparências”, álbum de estreia editado há dois anos, inventa novas cores e filigranas para a guitarra portuguesa e é uma incursão serena no território das músicas ambientais. Fado astral?

Nas áreas do ambientalismo, com porta aberta para mundos paralelos, movem-se Carlos Canavarro e Carlos Maria Trindade, o primeiro ex-Street Kids, o segundo ex-Heróis do Mar. “Mr. Woologallu”, álbum acabado de editar, conta histórias de mil sons enredos, nascidos dos sonhos do computador. Imagens, sinais que se cruzam. Realidades virtuais que no cosmos de um instante se fazem e desfazem, contemplados de um “tapete voador zen, silencioso mas não sem turbulências”.

No dia seguinte a música acelera, torna-se rude, entrelaça-se em estruturas milimétricas, quase fractais. O silêncio dá lugar ao grito, a contemplação à improvisação. Da selva urbana, mensagens tecnojazz via Plopoplot Pot, de Nuno Rebelo, Luís Areias, Rodrigo Amado, Paulo Curado e Bruno Pedroso, e Máquina do Almoço Dá Panacadas, de João Pires de Campos, Rodrigo Amado, Gui, Luís Filipe Valentim, Lívio e Alberto Garcia. As duas bandas cruzam-se no CD coletânea “Em Tempo Real” onde provam que há uma ordem no delírio e prazer nesse delírio. O cérebro não necessita das pernas para dançar.

Em ambos os grupos os sopros de metal sustentam um edifício de paranóia, de vertigem. Desestruturar para estruturar mais à frente e encontrar o outro lado das formas, novos equilíbrios e maneiras de coabitar o pesadelo. “Catástrofes de todo o mundo desaguando nas planícies do silêncio?” O cataclismo supõe uma estratégia, a exigência de mudança, passagem, revolução. Nada é definitivo. Do silêncio depois do caos os sons renascem. Sempre pela primeira vez.

Ron Kavana - Home Fire

 

PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 11 DEZEMBRO 1991 >> Pop Rock >> LP’s

 

RON KAVANA
Home Fire
CD, Special Delivery, distri. Mundo da Canção

 Uma imagem com texto

Descrição gerada automaticamente

Evolução na continuidade ou revolução? Ron Kavana, “outsider” da folk irlandesa, com ar de “rocker” à anos 50, introduz novos dados na questão de como manter viva a chama da música tradicional do seu país. O ponto de partida é uma tentativa de recuperação daquilo a que o autor chama “espírito”, existente nas grandes bandas irlandesas dos anos 70, como os Bothy Band, Planxty e De Dannan, um entusiasmo que entretanto, segundo Kavana, se foi perdendo à medida que o perfeccionismo de estúdio se sobrepôs à espontaneidade e ao “feeling” desses grupos.

A partir destas premissas, Ron Kavana procura então recuperar o tempo perdido, num programa que, constando na maior parte de composições originais da sua autoria, transporta consigo esse “fogo sagrado” em baladas como “Sands of time lament”, “Blackwaterside”, no empolgante jogo vocal de “Home fire” ou no virtuosismo instrumental das sequências de dança, fiéis no espírito às origens rurais que lhe estão subjacentes. Salientem-se, neste capítulo, para além de todo o sortido de cordas tangidas a preceito por Ron Kavana, as prestações de Terry Woods (Steeleye Span, Woods Band, Pogues) na concertina e de Tomás Lynch nas “uilleann pipes”. Politicamente empenhado, por vezes polémico, “Home Fire” constitui uma alternativa interessante à vertente, digamos que mais esotérica, da música irlandesa de raiz tradicional. (7)

 

Hamish Moore & Dick Lee - The Bees Knees

 

PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 11 DEZEMBRO 1991 >> Pop Rock >> LP’s

 

HAMISH MOORE & DICK LEE
The Bee Knees
CD, Green Linnet, distri. Megamúsica

 Uma imagem com texto, sinalizar, amarelo, recipiente

Descrição gerada automaticamente

     De Hamish Moore, exímio executante de gaita-de-foles escocês, houvera já a passagem meteórica por algumas discotecas nacionais dos álbuns “Open Ended” e “Cauld Wind Pipes”. Neles se revelava um músico atento às novas vibrações que percorrem a música do universo e, em particular, do mundo celta.

Terreno armadilhado, passível de ser percorrido sem danos, apenas pelos peregrinos genuínos, que têm na estela e no bordão os sinais inconfundíveis da luz interior que lhes serve de guia. Hamish Moore sabe os terrenos que pisa. Por isso não hesita em trocar experiências de viagem, neste caso com o jazz e os metais e o sintetizador de Dick Lee. “The Bee Knees” percorre, entre a vertigem e a contenção, as várias vias possíveis de cruzamento e diálogo entre aqueles dois géneros musicais e, paralelamente, entre os instrumentos de sopro tradicionais (a gaita-de-foles e o “tin whistle”) e os seus congéneres jazzísticos, o saxofone e o clarinete-baixo.

A presença, em dois temas, dos grupos Fuaim (harpa céltica/violoncelo/rabeca) e Dick Lee’s Chamber Jazz (flauta/oboé/trombone/contrabaixo/bateria) sumarizam os polos em tensão, num disco percorrido e sustentado pela dialética de opostos. (8)

 

Four Men & A Dog - Barking Mad

 

PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 11 DEZEMBRO 1991 >> Pop Rock >> LP’s

 

FOUR MEN & A DOG
Barking Mad
CD, Cross Border Media, import. Mundo da Canção


Virtuosismo em quinta velocidade e humor em contramão é com estes quatro homens e um cão, alucinados e com a irreverência de um foguete fora de controlo. “Barking Mad”, álbum de estreia, retoma o lado mais lúdico da tradição irlandesa e abraça de passagem os sons que estavam mais à mão: o “rockabilly”, o “funky” céltico e, numa das faixas, até um “whiskey rap”, ou seja, um “wrap”, de boa feitura. É notória, além disso, uma certa aproximação aos ritmos country em grande parte devida ao tom imprimido por Mick Daly (The Lee Valley String Band, Any Old Time) e ao predomínio instrumental dos banjos, aqui manuseados nada menos que por três músicos – Mick Daly, Cathal Hayden (fabuloso no violino; investigue-se o seu álbum a solo “Handed Down”) e Brian McGrath.

Gino Lupari, gordo de não caber na fotografia, é o mestre das percussões (inexcedível nos “bones” e no “bodhran”) e piadista de serviço. Temas como “Wrap it up” (o tal “wrap”…) e “Short fat family” não parecem ter muito a ver com folk mas não é por isso que deixamos de os dançar. Richard Thompson e Peter Case contribuem com a assinatura de dois temas, “Waltzing’s for dreamers” e “Hidden love”. O resto é a loucura das jigas, “reels” e polkas, e seja o que Deus quiser. (7)

 

Chuva de estrelas [Genesis, Rui Veloso]

 

PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 11 DEZEMBRO 1991 >> Pop Rock

 

CHUVA DE ESTRELAS

 

Este Natal é uma fartura. É costume artistas consagrados aproveitarem a quadra para regressar às lides editoriais. Mas poucos terão sido os anos, desde a saudosa década de 60, em que o período deu origem a tamanha colheita de novos discos de artistas de primeiro plano (para já não falar de compilações de êxitos). Diz-se que foi da guerra do Golfo, que fez as grandes editoras atrasarem para agora o produto que se previa para antes ou a exigirem antecipações de artistas que planeavam lançar mais tarde.

É esta “rentrée” recheada de vedetas que se revê no presente “dossier”. Consideram-se os nomes mais sonantes, num plano internacional ou nacional, que acabam de editar trabalhos originais de estúdio ou ao vivo. Trata-se de cada um a título daquilo que é fundamental, ou seja, a sua dimensão de fenómeno mediático e comercial, recordando-se os antecedentes e o contexto que assistiram a tais retornos. Nessa medida, as avaliações dos discos respetivos passam para segundo plano.

Introdução não assinada de um texto coletivo, em que FM escreve sobre Genesis e Rui Veloso

 

GENESIS

 

 

Phil Collins, Tony Banks e Michael Rutherford chamam “nova era” ao período discográfico iniciado com “Abacab” e cujo penúltimo capítulo remontava a 1986 e a “Invisible Touch”, que, diga-se de passagem, foi número um em tudo o que é sítio. Os três Genesis enaltecem as virtudes do estúdio próprio, que, dizem eles, lhes garante um som impecável. Aliás, pode dizer-se que estão em condições de enaltecer tudo. Phil Collins, então, não tem razões de queixa.

Assim, os motivos que os levaram a não pôr, por enquanto, cobro ao dinossauro são de ordem exclusivamente artística. Faz-lhes falta o som de grupo, a companhia mútua, o acréscimo de criatividade segundo a lei de que “três cabeças trabalham melhor que uma cabeça só”.

“We Can’t Dance” é ainda um objeto terapêutico, uma purga, remédio santo para o “stress” dos artistas: “aliviou-nos da tensão” – garante Tony Banks, o mais tenso dos Genesis, por acaso aquele que dos três se saiu menos bem nas atividades a solo e, por isso, o mais atreito à hipertensão.

Passados tantos anos sobre as saídas de Peter Gabriel e Steve Hackett, os Genesis resolveram que queriam ser “diferentes”. Por exemplo, Tony Banks descobriu que existiam outros registos no sintetizador para além das cordas sintéticas e que era possível, com um sampler, imitar um som de órgão. No próximo álbum, lá para 2010, talvez nos mostre como é possível produzir, com um órgão, o som de um sampler sintético de cordas. Tony Banks é um infeliz. Sente-se “frustrado” pela falta de sucesso dos seus discos. Os outros apiedaram-se.

Para Phil Collins, mais um ou menos um disco dos Genesis tanto se lhe dá como se lhe deu – é mais uma diversão que outra coisa, uma pequena extravagância “raffiné”. Está bem instalado na vida. Não necessita de fazer ondas para fazer dinheiro. Um “aid” aqui, um protesto ali, um depoimento humanitário acolá garantem-lhe a manutenção da imagem “clean” e o caudal de divisas. Condescende em dar-se ares de rufia e diz que gosta de pornografia e que é contra a censura. Ah, valente!

Mike Rutherford toca baixo e tem cara de parvo.

Seria muito bonito, e muito digno, e tudo isso, a lenda, o mito, o nome, se não nos quisessem impingir os discos. Sim, é verdade, o Natal é boa altura para “dar música”. Mas o que é de mais enjoa. Adeus ó vão-se embora.

 

RUI VELOSO


Não edites amanhã o que podes editar hoje, parece ser o lema das editoras neste final de ano. Coincidência ou não, portugueses e estrangeiros escolheram o Natal para deitar cá para fora os frutos, verdes ou maduros, nalguns casos podres, da sua inspiração. É um ver se te avias. À partida, com Rui Veloso, o risco de “flop” comercial é diminuto, tendo em conta que é o nome mais sonante do rock português, o que, com o empurrão das operações de “marketing”, garante desde logo o escoamento do produto.

Encomendado pela Comissão dos Descobrimentos e beneficiando de um “budget” que terá rondado os seis mil contos, “Auto da Pimenta” tem ainda por cima algumas vantagens adicionais: é um objeto de apresentação luxuosa que, independentemente do conteúdo musical, convida à aquisição. Tudo na embalagem, desde o grafismo imaculado à profusão de imagens que piscam o olho ao aventureiro dos mares que vive em cada um de nós, grita “comprem-me”. Goste-se ou não, ouça-se ou não, “Auto da Pimenta” não é difícil adivinhar que vai ser a prenda de Natal mais procurada. É um valor seguro, um “bibelot” cultural capaz de fazer boa figura na discoteca ou na compacteca, da mesma forma que a coleção encadernada das obras completas de Eça de Queirós serve para abrilhantar a estante da biblioteca.

Depois, há os Descobrimentos e blá, blá blá, somos todos heróis, o mar, o fado, caravelas e saudade, ah que saudades do Império (do cinema, bem entendido…), Camões, Fernão Mendes Pinto, o Centro Cultural de Belém e para o ano, se Deus quiser e não houver bronca entretanto, a CEE. Assim, quem este Natal não comprar “Auto da Pimenta”, não é bom português nem bom chefe de família.

O disco, coitado, não tem culpa nenhuma. É um bom disco, tão bom ou melhor que os outros já gravados pela dupla. Rui Veloso e Carlos Tê fizeram o que se lhes pedia, a revisão moderna da epopeia dos Descobrimentos, e fizeram-no bem. “Auto da Pimenta” é um manual honesto do “português moderno”, pintado com as cores do sonho. Uma aventura de trazer por casa.

Battlefield Band - New Spring

 

PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 11 DEZEMBRO 1991 >> Pop Rock >> LP’s

 

BATTLEFIELD BAND
New Spring
CD, Temple, distri. Mundo da Canção

 

Detentores de uma já extensa discografia, os Battlefield Band têm exercido um notável trabalho de dignificação e recuperação da música tradicional escocesa, equivalente, em termos de atitude e formulário estético, ao papel desempenhado na década de 70, em Inglaterra, por grupos como os Fairport Convention ou Steeleye Span. À semelhança dos nomes citados, embora menos sensíveis ao apelo da rítmica rock, os Battlefield Band procuram novas vias para a música antiga escocesa. Os resultados, na forma de disco, têm variado entre o ótimo (“There’s a Buzz”, “Celtic Hotel” e sobretudo o magnífico “Home is Where the Van is”, aqueles em que a vertente tradicional não chega a ser pervertida pela, por vezes despropositada, utilização da “caixa de ritmos” eletrónica) e o sofrível (“Anthem for the Common Man”, pelas razões inversas às atrás apontadas ou “Homeground”, registo ao vivo onde o entusiasmo não serve de desculpa ao tom de “desbunda” para onde por vezes descamba).

“New Spring”, gravado após mais uma alteração na formação dos Battlefield Band (da original permanece o teclista Alan Reid), nada adianta em relação a anteriores trabalhos. Falta-lhe a ousadia, substituída pelo repisar de fórmulas que já se vão tornando gastas. Exemplo desta atitude de “deixar andar” é a balada “Darien”, repescagem melódica de “The rovin’ dies hard”, de “Celtic Hotel”. Permanece intocável a reconhecida competência instrumental dos músicos e o prazer de reescutar a alma céltica no som da gaita-de-foles das terras altas, de Iain MacDonald. Talvez fosse o convívio excessivo com os fantasmas que tenha retirado encanto ao castelo. (6)

16/05/2026

"Revolver" [The Beatles]

 

TELE PÚBLICO
Domingo 08.12.1991

NA CAPA

 

“REVOLVER”

 

Paul, John, George e Ringo são nomes próprios de uma década que sonhou mudar o mundo. Os quatro mudaram mais depressa do que o mundo e um deles mais depressa do que todos os outros. Só as canções são eternas. Há 30 anos tocavam numa “caverna” em Liverpool.




Escrever sobre os Beatles, porque não? Revolver o passado à procura do que não falta dizer. Difícil resistir ao apelo do óbvio, da devassa. Para o leitor é o prazer da mastigação fácil de algo já mil vezes digerido. Para o jornalista, o orgulho, apesar de tudo, de fornecer alguns dados novos.

Os Beatles (“escaravelhos”, sabiam?) eram quatro (sabiam?): John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. O primeiro, faz hoje onze anos, morreu assassinado à porta do seu apartamento em Nova Iorque, com um tiro de revólver. Não fora Mark David Chapman ter acordado mal disposto naquela manhã fatídica de 8 de dezembro e talvez os “fabulous four” de Liverpool tivessem podido realizar o sonho acalentado durante anos por milhões de fãs espalhados pelo mundo, de ver o quarteto de novo reunido, a cantar “All you need is love”. Mas para que tal acontecesse teria sido necessário que o carrasco, em vez de Lennon, tivesse disparado sobre Yoko Ono e Linda McCartney. E já agora, sobre Elton John. Infelizmente escolheu o alvo errado. O destino preferia os Rolling Stones.

Recuemos ao passado. Os Beatles começaram por tornar-se célebres pelo comprimento do cabelo. Foram eles que deram origem ao termo “cabeludos”, em geral utilizado pelos nossos pais com um sentido pejorativo, quando queriam refrear a nossa rebeldia. A música, tendo em conta o que à época se fazia, não era má: uma combinação explosiva dos “rhythm ‘n’ blues”, que então começavam a maçar os jovens britânicos, com uma indesmentível capacidade melódica e um jogo vocal que ameaçavam fazer sombra aos seus rivais americanos Beach Boys.

Foi graças a esta saudável rivalidade entre os dois grupos (ou será mais correto dizer entre Paul McCartney e Brian Wilson?), que a música Pop evoluiu, em termos de composição e de produção. As audiências, de um e outro lado do Atlântico rivalizavam, por seu lado, na histeria e nas receções apoteóticas.

Em agosto de 66 os Beatles editam “Revolver”. Os Beach Boys respondem no mesmo ano com a obra-prima “Pet Sounds”, que se diria inultrapassável em génio melódico e no aproveitamento das técnicas de estúdio. Mas Brian Wilson almeja a perfeição. “Smiley Smile”, aquele que seria o testemunho definitivo do seu génio, sofre sucessivos adiamentos motivados por uma crescente megalomania e insatisfação. Os Beatles não esperam e, em 1967, dão o golpe fatal com o clássico dos clássicos “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”. Para Brian Wilson era o fim.

Libertos do fardo da competição (os Rolling Stones eram um caso à parte e as suas histórias eram outras…) os Beatles têm agora tempo para se dedicarem ao psicadelismo, aos ensinamentos do guru Maharishi e às viagens de LSD em submarinos amarelos. Organizam “Magical Mystery Tours”, abrem boutiques de roupa e uma editora própria. Aproveitam e substituem as mulheres. Paul McCartney casa com Linda. Lennon sucumbe aos encantos (!) de Yoko Ono.

A partir dessa altura as coisas complicam-se. John e Yoko passam a maior parte do tempo nus, em frente às câmaras de televisão, a cantar “Give peace a chance”. Dizem-se virgens e gravam um disco de música experimental “Unfinished Music, no.1”. Paul, por seu lado, é mais dado às lides domésticas. George continua nas aulas de “sitar” enquanto Ringo vai contando anedotas.

Até 1968 e à gravação do célebre duplo-álbum branco, “The Beatles”, para muitos a derradeira obra aproveitável. “Abbey Road” (1969) e “Let It Be” (1970) fecham com chave de lata o jogo da glória. Os Beatles alcançam o estatuto divino (embora já tivessem declarado antes serem mais populares que Jesus Cristo) no momento em que decidem subir ao telhado dos estúdios “Abbey Road” e aí tocarem ao vivo, num gesto que marcaria a sua despedida como quarteto. Nunca chegaram a descer.

 

ARTES E LETRAS
DOM. 8, TV 2, ÀS 00H50