04/11/2026

O despertar dos mágicos [4º Festival Intercéltico do Porto]

 Pop Rock

 

31 MARÇO 1993

 

O DESPERTAR DOS MÁGICOS

 

Barzaz e Battlefield Band preenchem o cartaz musical do primeiro dia do festival. Vibrantes os primeiros, transportam consigo a força dos rochedos e das ondas do mar que esculpe as costas da Bretanha. Mais serenos os segundos, abrigados de momento na calma enseada de um lago escocês.

            Inseridos no movimento de renovação da tradição musical bretã encetada nos anos 70 por Alan Stivell, os Barzaz resultam da confluência de projetos anteriores dos seus membros, investidos da missão de levar a música da Bretanha aos círculos exteriores do mundo celta. Assim, na árvore genealógica do grupo descobrem-se os ramos Skolvan, Galorn, Kornog e La Mirlintantouille. Os Barzaz fazem da beleza, por vezes rude, da música bretã uma arma contra aqueles a quem a história da Bretanha, “secreta e controversa”, incomoda, os mesmos que “ocupam os lugares do poder” e que interpretam essa História “de forma a melhor poderem dispor das suas gentes e do seu tempo”.

            Os Battlefield Band são a instituição folk por excelência da Escócia. “Forward with Scotland’s Past” é o seu lema. Existem há décadas e passaram incólumes pelas tempestades. Da formação original resta o vocalista e teclista Alan Reid. O espírito, esse, manteve-se. Traçaram ao longo de uma vasta discografia os contornos da tradição escocesa sem nunca voltarem costas as problemas sociais do presente. Juntam o canto da tragédia à dança e aos ritos da terra. O novo álbum, “Quiet Days”, é mais intimista que os anteriores. Uma pausa e um segredo entre o clamor da batalha.

 

A voz e o fogo

 

            Sexta-feira é dia ibérico. Atuam Uxia e os Sétima Legião. Para a cantora galega Uxia significa o regresso ao Intercéltico, depois da sua aclamada participação, no ano passado, no projeto "Bailia das Flores” de Tentúgal. Uma voz, belíssima, com frequência desaproveitada. Esteve ligada ao grupo Na Lua onde a sua luz depressa começou a ofuscar os restantes músicos. Disse uma vez numa entrevista: “O importante nun cantor ou cantora é que prevaleza a voz; calquera instrumento que a oculte dificulta a sua comprénsion.” Não por acaso, o melhor trabalho dos Na Lua, “Estrela de Maio”, é aquele em que as vocalizações de Uxia surgem com maior proeminência. Abandonou entretanto o grupo para gravar um álbum algo incaracterístico, “Entre Cidades”, onde é sensível a falta de uma direção definida. Porque não reatar as maravilhas do seu primeiro trabalho a solo, “Foliada de Marzo”?

            Quanto aos Sétima Legião, cujo último álbum, “O Fogo”, foi mal recebido por alguma crítica, vão apresentar no Intercéltico um espetáculo especialmente concebido para o efeito que privilegiará as conotações célticas da sua música. Ao vivo, costumam criar um ambiente festivo, bastante diferente da melancolia que caracteriza os trabalhos discográficos da banda. Veremos se é desta que acendem o fogo.

 

Celebração

 

            Absolutamente a não perder, o terceiro e último dia do Intercéltico. Com dois grupos de passado diferente mas ambos de qualidade musical fora de série: Barabàn, de Itália, e Chieftains, os reis magos da folk irlandesa.

            Formados em Milão em 1982, os Barabàn dedicam-se ao estudo e interpretação da música do Norte de Itália, em particular da Lombardia e do Piemonte. Em disco, assemelham-se em sonoridade aos La Ciapa Rusa, seus vizinhos piemonteses. Baladas, canções de embalar, cantos satíricos e militares ou de protesto, cantigas de jograis e outros modos característicos da tradição (jigas, valsas, alessandrinas, monferrinas, curentas, sestrinas, “carmagnolas”, tuninas, “saltarellos”,…), recolhidos, na maioria, por Aurelio Citelli e Giuliano Grasso, compõem o reportório básico dos Barabàn, servido pela utilização de instrumentos típicos da região: o “organetto” diatónico, flautas, ocarinas, sanfona e, claro, o “piffero” e a “musa” (incluindo a variante solista, a “piva”), a gaita-de-foles do Piemonte. Vão ser decerto, a par dos Barzaz, uma das revelações do festival.

            Finalmente, os Chieftains encerram em glória o festival. Já não há palavras que cheguem para traduzir a importância desta banda lendária. Hoje, os Chieftains, como se tivessem uma varinha mágica, transformam em ouro tudo o que tocam. Depois de anos e anos a levarem ao mundo a música da Irlanda, passaram a trazer a música do mundo para a Irlanda. E a tranformá-la por dentro. Levaram os caminhos da Irlanda ao encontro da China (“The Chieftains in China”), da Bretanha (“Celtic Wedding”) e dos Estados Unidos (“Another Country”). Cumpriram o ciclo nesse ritual apolíneo de convergência dos povos celtas que é “Celebration”.

            Autêntica universidade da tradição onde lecionam alguns dos melhores instrumentistas da Irlanda, os Chieftains iluminaram diversos aspetos da cultura e da História desta nação onde ainda habitam as divindades antigas. O rock presta-lhes atualmente vassalagem. Eles retribuem e convidam músicos desta área para participar nos seus álbuns, mantendo intacta a originalidade e a magia. Mas acabam sempre por regressar ao altar verde da única religião que professam – a música da ilha que lhes é exterior e interior, a Irlanda. O novo álbum, “The Celtic Harp”, tem a participação da Belfast Harp Orchestra. Nesta segunda vinda dos Chieftains a Portugal, ouçam-nos com os sentidos alerta, mas também com o coração.

            Todos os espetáculos no Teatro Rivoli, com início às 21h30.

 

 

ATIVIDADES PARALELAS
 
CONFERÊNCIAS: “L’Art des Celtes”, 1 de Abril, no Institut Français do Porto, e “L’Europe des celtes, Véme-Ier siècle a. C.”, dia 2, na Faculdade de Letras do Porto, ambas por Venceslas Kruta.
 
EXPOSIÇÕES: “Instrumentos Populares Portugueses”, 26 de Março a 18 de Abril, na Rua da Reboleira, Ribeira.
“Suonatori e Strumanti Popolari de’ll Apenninni”, 30 de Março a 3 de Abril, no Teatro Rivoli.
 
ARTESANATO: “Pablo Leal – Um artesão galego”, 1 a 3 de Abril, Teatro Rivoli.
 
VIDEORAMA: “Imagens Musicais Intercélticas”, 1 a 3 de Abril, Teatro Rivoli.
 
DISCOS/REVISTAS: “A música celta e a folk europeia”, 1 a 3 de Abril, Teatro Rivoli.
 
TEMPO LIVRE: “Vidicuestla – o jogo de xadrez celta”, 1 a 3 de Abril, Teatro Rivoli.
 

 

PEREGRINOS

 

O Festival Intercéltico do Porto, chegado à quarta edição, tornou-se uma instituição. Mais do que uma série de espetáculos musicais de música tradicional, o Intercéltico é um local de peregrinação onde, no princípio da Primavera, arribam os apreciadores e amantes destas músicas com raiz na eternidade.

São três dias de festa no verdadeiro sentido da palavra; de celebração, de “diálogo e convívio entre as diferentes músicas e tradições de povos com um passado comum”, como afirma a organização. Os concertos podem ser melhores ou piores, mas o ambiente é único. Come-se bem, bebe-se melhor, ouve-se música, mergulha-se no âmago de uma cultura que também é a nossa. “Celta”, ou “céltico”, o termo está hoje na moda. Mas por detrás do folclore e das imagens que vão formando o “puzzle” de uma Europa genuína, está o amor a uma causa e muito trabalho. Porque nem só de música vive um festival, a organização (desde a primeira hora da responsabilidade da equipa da MC-Mundo da Canção) compreendeu a necessidade de um enquadramento à altura. É assim que, uma vez mais, o Intercéltico apresenta uma lista de atividades paralelas, que neste ano incluem conferências, exposições, videorama, artesanato, banca de discos e revistas e a iniciação ao vidicuestla, o antigo jogo de xadrez celta.

Para completar o círculo (ou a espiral…), refira-se ainda a publicação, à semelhança do que aconteceu nos anos transatos, de um livro-programa de 160 páginas sobre o festival, com informação detalhada sobre toda a programação, incluindo textos e discografias dos artistas presentes, uma “bibliografia céltica”, uma compilação das leis (delirantes) dos Brehons, ou seja, as leis antigas da Irlanda, e até esquemas pormenorizados de algumas jogadas de vidicuestla… Um elogio especial para Mário Correia, d organização, pelo notável trabalho de investigação e divulgação levado a cabo.

Agora é tempo de fazer as malas, rumar ao Porto e viver um fim-de-semana diferente. Num tempo e num local que parecem ter sido tocados pela magia de Merlin. Na companhia das fadas, duendes e elfos que existem, porque a imaginação os materializa. O Festival Intercéltico é essa teia cruzada do mito com a atualidade, do ancestral com o moderno. 

Battlefield Band - Quiet Days


pop rock >> quarta-feira, 31.03.1993

WORLD

 

Battlefield Band
Quiet Days
CD Temple, distri. MC – Mundo da Canção








 


Fase calma, a que os Battlefield Band atravessam de momento. De calma e de uma certa falta de inspiração. Começa a tornar-se evidente que a banda não é a mesma desde a saída de Brian McNeill, como de resto já era visível no álbum anterior, “New Spring”. É que se o espírito de celebração permanece, até porque o grupo carrega sobre os ombros a responsabilidade de se ter tornado numa instituição da música escocesa, a vivacidade e o entusiasmo perderam-se um pouco com a saída daquele músico. A falta faz-se sentir sobretudo ao nível das vocalizações, que em McNeill chegavam a atingir uma dimensão épica e na atual formação não encontraram substitutos à altura, soando os novos desempenhos, por comparação, quase vulgares. Não fariam mal os Battlefield em procurar um vocalista à altura, até porque instrumentalmente, embora se possa sentir a ausência da versatilidade das cordas e do violino de McNeill ou da subtileza das “pipes” de Dougie Pincock, a banda continua em forma. Na tradição dos bons gaiteiros que passaram pelo “campo de batalha”, Iain McDonald assina as melhores prestações de “Quiet Days”, no “medley” de abertura ou dois “tours de force” finais de “Col. MacLean of Ardgour/Pipe Major Jimmy MacGregor/Rocking the baby” e “Now will I ever be simple again?”, passando pelo magnífico diálogo em uníssono com o violino de John McCusker, em “The ass in the graveyard”. (7)

 

Barzaz - An Den Kozh Dall

 

pop rock >> quarta-feira, 31.03.1993

WORLD

 

Barzaz
An Den Kozh Dall
CD Keltia, distri. MC – Mundo da Canção



 







Por norma, associa-se a música tradicional bretã às estridências da bombarda e do “biniou kozh” (gaita-de-foles). Em “An Den Kozh dall”, estes instrumentos apenas aparecem num tema, tocados por convidados. O que significa que sendo o som dos Barzaz forçosamente diferente do habitual, nem por isso deixa de estar ligado com firmeza às raízes culturais daquela região, sobretudo através da voz de Yann-Fañch Kemener, especialista das formas tradicionais do canto bretão e autor de vários volumes de “Chants Profonds de Bretagne”. À ortodoxia do canto responde ainda, segundo os cânones, a flauta de Jean-Michel Veillon. A responsabilidade do que faz a diferença dos Barzaz cabe na maior parte a David Hopkins, músico de origem irlandesa conotado com a “new age” (gravou na Wergo um álbum bastante citado neste género de música: “Gaia – An Ecological Meditation”) que aqui manipula percussões várias, flautas da Amazónia e didjeridu.

A tónica da música dos Barzaz é colocada então na criação de ambientes “naturalistas” criados por Hopkins numa girândola de efeitos, dos lampejos cristalinos de sinos e baques de madeira às “drones” obscuras do didjeridu. As típicas danças “Plinn” e “Fisel” ganham uma dimensão extra de espacialidade em ressonâncias que transportam para a Bretanha ecos das florestas da chuva da Amazónia. Mares que se misturam numa música simultaneamente densa e transparente, da cor dos musgos e das pedras molhadas da Bretanha. (9)

 

Barabàn - Il Valzer Dei Disertori + Naquane

 pop rock >> quarta-feira, 31.03.1993

WORLD

 

Barabàn
Il Valzer Dei Disertori (10)
Naquane (9)
CD Associazione Culturale Barabàn, distri. MC – Mundo da Canção









 

A música das regiões celtas do Norte de Itália, da Lombardia e Piemonte, tem sido até agora praticamente sinónimo dos La Ciapa Rusa. Os Barabàn repartem com o grupo de Maurizio Martinotti o mesmo trabalho de investigação e uma atitude idêntica de “revivificazione” do passado. A par, é claro, da utilização dos mesmos instrumentos populares da região: o “piffero”, o “organetto” diatónico, a sanfona (“ghironda”) e a gaita-de-foles (“musa”). A semelhança entre as duas bandas é percetível sobretudo ao nível das vocalizações masculinas. Temas como “Gentil galente” ou “La brunetta”, de “Naquane”, enquadram-se na perfeição na estética dos La Ciapa Rusa. Em “Il Valzer dei Disertori”, de 1987, a banda de Giuliano Grasso e Aurelio Citelli assinou um trabalho sem mácula, de personalidade mais vincada, que restitui ao presente, com o mínimo de desvios permitido pelo tal processo de “revivificazione”, toda a beleza das baladas, “monferrinas”, “alessandrinas” e, neste caso, das valsas piemontesas. “Naquane” apenas sofre do uso, por vezes despropositado, das programações de computador, algo incomodativas no tema “Stranot di Lisander”, problema que os La Ciapa Rusa resolveram da melhor maneira em “Faruaji” e “Ratanavota”. Pormenor de somenos importância num álbum de aquisição indispensável.

 

Bryan Ferry - Taxi

 

pop rock >> quarta-feira, 24.03.1993

 
Bryan Ferry
Taxi
LP/MC/CD Virgin, distri. Edisom



 







Para entreter enquanto não sai o novo de originais, Ferry, o galã “chic” e decadente que veste “Comme des Garçons”, voltou a apostar na fórmula “álbum de versões”, já seguida, de resto, anteriormente, em “These Foolish Things” e “Another Time Another Place”, com resultados por vezes brilhantes. Só que desta feita pouco se aproveita, sendo demasiado visível que Ferry se limitou a assinar o ponto, num disco totalmente falho de paixão, coisa que deveria estar sempre presente quando se trata de cantar as canções do próximo, e que ele parece ter guardado para o próximo disco. “Taxi” acumula truques de produção, batidas “disco” enjoativas e interpretações que, não raras vezes, roçam a sonolência. Mais valia ter ficado quietinho ou ter-se limitado a um “single”. Até há uma versão engraçada, levezinha, de “All tomorrow’s parties”, que servia bem para o efeito. Entre os convidados isentos de bandeirada estão Robin Trower, Chris Stainton, David Sancious, o português Luís Jardim, Flaco Jimenez, o antigo companheiro nos Roxy Music Andy MacKay e dois velhinhos King Crimson, Mel Collins e Mike Gilles. Bryan Ferry define-se como um perfecionista. Se “Taxi” é o que ele entende por perfeição, vou ali, já venho. Chamada ao telemóvel número... (4)


Sax supersónico [John Zorn]


Cultura >> domingo, 21.03.1993

 

Concerto de John Zorn em Portugal

 

Sax supesónico

 

John Zorn, o saxofonista supersónico, regressa a Portugal, com um concerto marcado para o próximo dia 2 de abril, no Armazém 22, em Lisboa, numa produção da Simbiosis. Acompanham Zorn, nesta sua terceira deslocação ao nosso país, o baixista Bill Laswell e Mike Harris, do grupo “hardcore” Napalm Death, num novo projeto com a designação Painkiller.

Considerado um inovador do saxofone alto e um dos pilares do movimento “downtown” de Nova Iorque, John Zorn revolucionou as bases do “bebop”, para partir ao encontro do rock “hardcore” que o músico considera ter “uma intensidade igual à do ‘free jazz’ nos anos 60” e cuja estética desenvolveu até ao delírio nos Naked City, outro dos seus projetos iniciado nos anos 80, ao lado de Fred Frith, Bill Frisell, Joey Baron e Wayne Horvitz. Em 1989, o saxofonista assinara já a sua versão “hardcore” de temas de Ornette Coleman, em “Spy vs. Spy”.

Adepto da colagem sonora e da velocidade de interpretação, a par do fascínio pelas perversões sexuais sado-masoquistas, conceitos que exercitou em álbuns como “The Big Gundown”, sobre música de Ennio Morricone, “Spillane”, inspirado no escritor policial Mickey Spillane, ou na longa e magistral sequência que ilumina a coletânea “Godard, Ça Vous Chante?” dedicada ao profeta da “nouvelle vague” do cinema francês, John Zorn atingiu o limite em “Speed freaks”, tema de menos de um minuto de duração no qual incorpora 32 estilos musicais diferentes.

Entre os álbuns mais importantes de John Zorn contam-se os dois volumes de “The Classic Guide to Strategy”, “Locus Solus”, “Cobra”, “News for Lulu” e “Torture Garden” (com os Naked City). Quem preferir escutá-lo em perfeito estado de enamoramento pelo “bebop” deve procurar nas águas mais calmas, mas não menos brilhantes, de “Deadly Weapons”, na companhia do pianista excêntrico inglês Steve Beresford, David Toop e a cantora Tonie Marshall.

 

Lisa, a magnífica, contra pacote [Lisa Stansfield]


rádio e televisão >> sexta-feira, 19.03.1993

DESTAQUE

 

Lisa, a magnífica, contra pacote


Uma imagem com Cara humana, vestuário, pessoa

Descrição gerada automaticamente

 

Devemos ser isentos. Informar sem influenciar. De maneira a permitir ao leitor e telespectador um julgamento e uma escolha imparciais. Lisa Stansfield e “Red, Hot and Dance”, um compacto de remisturas de temas famosos (não muito) por artistas de dança, são as propostas para hoje à noite do Últimas Notas, um programa que põe o poder nas mãos do povo que vê televisão.

Lisa Stansfield é uma cantora brilhante, bonita, que veste bem, culta, asseada, filha de boas famílias. Irradia felicidade, beleza e “Coco” Chanel por todos os poros. Em matéria de música, de algum interesse para o seu perfil, forma em 1986 o celebérrimo agrupamento Blue Zone, com os não menos celebérrimos Andy Morris e Ian Devaney. Três anos mais tarde grava o seu primeiro álbum a solo, intitulado “Affection”, que sobe ao segundo lugar do “top” britânico e onde é possível apreciar a cantora no esplendor da sua arte.

Na primavera e verão do ano seguinte realiza digressões triunfais pela Inglaterra, América do Norte e Europa, diante de assistências de mais de mil milhões de pessoas. Mais pessoa menos pessoa. Talvez menos. Grava entretanto “Down in the depths”, um tema de Cole Porter incluído no álbum coletânea de canções deste autor, “Red, Hot and Blue”, editado com o objetivo de ajudar no combate contra a sida. O segundo longa-duração de Lisa Stansfield, “Real Love”, de 1991, atinge vendas na ordem das três milhões de cópias.

Em 1992 vamos encontrá-la a atuar para 75 mil pessoas, no Estádio de Wembley, em Londres, no concerto de homenagem póstuma a Freddie Mercury. O espetáculo a que todos deverão, digo, poderão assistir esta noite foi gravado ao vivo na Wembley Arena. Um espetáculo inolvidável, absolutamente a não perder. Nele vão poder escutar canções maravilhosas como “Set free”, “Little more love”, “Soul deep”, “Time to make you mine”, “This is the right time” e outras tão ou mais belas do que estas. A produção é de Jazz Summers e a realização de Marion Waldorf, uma dupla com provas dadas, não me recordo agora bem onde. Se a sua escolha não incidir hoje em Lisa, depois já deve ser difícil. Sem querer influenciar, como é óbvio.

A alternativa é uma seleção de artistas de dança apertados no pacote “Red, Hot and Dance”, volume de remisturas em pezinhos de dança da série “Red Hot”, que inclui os Inxs, EMF, Seal, Dream Warriors, Jimmy Sommerville, P.M. Dawn e Lisa Stansfield, ela própria, aqui um pouco deslocada. Nada de especial.

A escolha é difícil (Lisa é uma cantora e uma mulher espantosa), mas é sua.

 

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