PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 6 NOVEMBRO 1991 >> Pop Rock >> LP’s
Realidade Virtual
LP, Fast Forward, distri. Ananana & Messerschmitt
Músicas rituais mais ou menos negras e
eletrónica ambiental/industrial constituem o prato forte, ilustrativo das
sombras que procuram descer sobre o mundo e da influência exercida por certos
magos (ou pretensos magos) negros sobre uma determinada camada dos nossos
jovens músicos, de que são exemplo os temas dos Popper W2, um decalque
razoavelmente credível dos Throbbing Gristle da primeira fase e dos Hesskhé
Yadalanah, à procura do estatuto de Hafler Trio nacional. Menos preocupados com
os ardis do demónio, Adolfo Luxúria e os Humpty Dumpty optam pelo rock
industrial operário e os God Speed pela acidez das guitarras. Ao contrário dos
Matrix Run, que preferem dançar ao som da “house” ambiental. Destaque para as
vagas de energia sexual sintetizadas pela guitarra de Rafael Toral, aprendidas
à luz da “estrela da tarde” de Fripp & Eno, e para os deliciosos 16
segundos de Nuno Rebelo aos comandos do computador. Quanto aos estrangeiros,
excetuando as colisões de metal (ressoando a Asmus Tietchens) de Miguel Ruiz, é
a descida ao inferno, no fundo essa “realidade virtual” a que o título alude.
Disponível por via postal, apartado 5204, 1706 Lisboa códex. (7)
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