26/11/2025

Viagens na nossa terra [Fausto]


 PÚBLICO QUINTA-FEIRA, 21 MARÇO 1991 >> Local >> Televisão

 

Viagens na nossa terra

 

fausto.jpg

 

ACABARAM os desentendimentos entre Fausto e a RTP, ou pelo menos assim parece. O cantor exigia que a si próprio e aos artistas portugueses em geral fossem dadas importância e condições idênticas às dos estrangeiros. Tal aconteceu com “Grande, Grande É A Viagem”, espetáculo gravado a partir dos dois concertos efetuados em dezembro último no Teatro S. Luiz, em Lisboa, pelo autor de “Madrugada dos Trapeiros” e “Por Este Rio Acima”. Produzido por Carlos Machado e com realização de Carlos Barradas, “Grande, Grande É A Viagem” apresenta, em grande forma, o autor de clássicos da música popular portuguesa dos últimos anos como “Rosalinda” ou “Navegar, Navegar”.

Fausto concilia na sua música os aspetos mais universalistas da cultura portuguesa, juntando, como em “Por Este Rio Acima”, sonoridades e ritmos do nosso folclore com vibrações africanas e especiosos exotismos do Oriente, sem perder de vista o sonho europeu que se pretende “em construção” – preocupação evidente no álbum de 89, “Para Além das Cordilheiras”, onde canta essa outra incursão das nossas gentes pela Europa dentro, ao som dos bombos e cheiro a sardinhadas. “A Preto e Branco”, o seu disco mais recente, assinala a viagem de retorno às raízes e memórias africanas. Viagem pela poesia negra e pelos sons de guitarra do angolano Mário Rui, também presente no espetáculo ao vivo. Sobre o palco do S. Luiz, estiveram ainda os músicos: André Sousa Machado (bateria), Fernando Molina (percussão e voz), António Pinto (guitarra e voz), Ciro Bettini (piano elétrico) e João Parreira (sintetizadores e voz). Viagens pelo Portugal imaginário.

 

Canal 1, às 22h10

UHF deixam Edisom

 PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 13 MARÇO 1991 >> Cultura

 

UHF deixam Edisom

 

ESTÁ TUDO acabado entre os UHF e a Edisom, na altura em que estava prestes a findar o contrato de três anos que a banda assinara com esta editora – “um divórcio de comum acordo” – nas palavras de António Manuel Ribeiro, líder dos UHF, que aponta como motivos para a separação, aspetos ligados a uma promoção deficiente: “Muitas vezes foi difícil à Edisom furar um certo círculo onde quase todas as chamadas multinacionais trabalham muito bem.” Os UHF queixam-se, por exemplo, de, ao contrário de outros artistas da editora, “nunca terem visto o seu trabalho ser editado em mini-cassete”, formato que consideram ser o que mais vende em Portugal. “Opções editoriais” que a banda de Almada diz “respeitar”, mas não poder já aceitar. Neste momento os UHF preparam o lançamento do seu próprio selo, “UHSom”, que inclusive poderá vir a editar trabalhos de outros artistas. A 15 de abril, António Manuel Ribeiro regressa ao estúdio, para iniciar as gravações de mais um disco da banda bem como da sua estreia a solo.

John Surman - Road to Saint Ives

 PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 13 MARÇO 1991 >> Pop Rock >> LP’s

 

JOHN SURMAN
Road to Saint Ives
LP / CD, ECM, distri. Dargil

Uma imagem com texto, interior, monitor, preto

Descrição gerada automaticamente

Explica-se na capa que a música deste disco se inspirou nas paisagens e história do condado da Cornualha, em Inglaterra. As suas lendas e um dialeto próprio mantido vivo até ao século passado fascinaram John Surman ao ponto de dedicar um disco inteiro a uma estrada dessa região. As faixas têm os mesmos nomes estranhos e mágicos das povoações que assombram a senda para Saint Ives: “Tintagel”, “Mevagissey”, “Lostwithiel”, “Marazion”, “Bedruth Steps”.

            Viagem pelo imaginário celta (já anteriormente recuparado por Surman num disco anterior à fase ECM – “Westering Home”) e pelo lirismo arrebatado dos saxofones e clarinete baixo de um dos seus mestres incontestados. Sopros que sozinhos contam histórias ancestrais, no diálogo que consigo próprios mantêm, feitos de ecos e ritmos circulares (“Lostwithiel”, “Perranporth”, “Kelly Bray”). Noutras paragens sobressaem a grandiosidade do órgão litúrgico, em “Tintagel”, ou as cintilações eletrónicas repetitivas que o músico adotou a partir de “The Amazing Adventures of Simon Simon”, como em “Bodmin Moor”, “Piperspool” e “Bedruthan Steps”. Cada vez mais afastado de uma estética propriamente jazzística (num percurso semelhante, dentro da mesma editora, ao de Jan Garbarek), John Surman prossegue na demanda de uma beleza despojada, buscando o ponto exato, como pensava Platão, onde essência e forma se confundem. ****

 

25/11/2025

Robert Fripp atua em Lisboa

 PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 1 MARÇO 1991 >> Cultura

 

Concerto da “Liga dos guitarristas habilidosos”

 

Robert Fripp atua em Lisboa

 

ROBERT FRIPP atua em Lisboa no próximo dia 15 de abril, em local ainda por confirmar, num espetáculo único organizado por Hernâni Miguel/Contraverso. Acompanham o antigo guitarrista dos King Crimson, a League of Crafty Guitarists, constituída por onze executantes do instrumento, seus discípulos e antigos alunos de seminário.

Fripp é unanimemente considerado, depois de Hendrix, um dos grandes inovadores da guitarra elétrica e nomeadamente da técnica por si inventada a que chamou “Frippertronics” – um sistema de interface entre a guitarra e uma série de gravadores e controladores de som que permite a criação de ciclos repetitivos e estruturas tonais suscetíveis de múltiplas manipulações.

Fundador de uma das bandas mais importantes do denominado “rock progressivo” dos anos Setenta, os King Crimson (atuação memorável, em agosto de 1982, no estádio do Restelo, antes dos Roxy Music), com os quais assina obras capitais como “In the Wake of Poseidon”, “Lizard” ou, em fases posteriores, “Larks’ Tongues in Aspic”, “Red” e “Discipline”, Robert Fripp gravaria posteriormente a solo uma trilogia em que profetizava mudanças radicais para a sociedade ocidental na década de Oitenta (“Exposure”, “God Save the Queen/Under Heavy Manners” e “Let the Power Fall”).

Associa-se a Brian Eno na feitura de dois discos experimentais e obscuros: “No Pussyfootin’” – primeiro em que utiliza as frippertronics – e “Evening Star”. Com Andy Summers, dos Police, grava “I Advance Masked” e “Bewitched”. Participa como músico convidado em discos de Peter Hammill, Peter Gabriel, David Bowie, Talking Heads, Blondie e Toyah Willcox (com quem viria a casar).

 

Práticas tântricas

 

A meio da década de 80 retira-se para um mosteiro em Inglaterra, dedicando-se a meditação e a práticas tântricas de autodisciplina inspiradas nas doutrinas de J. G. Bennett, discípulo de Gurdjieff. A partir de 1985 dá aulas de guitarra e realiza seminários sobre novas técnicas para o instrumento. Escolhe alguns dos seus melhores alunos e forma a League of Crafty Guitarists, grupo que a partir de então o tem regularmente acompanhado em atuações ao vivo. “Robert Fripp and the League of Crafty Guitarists”, de 1986, é até agora o único registo discográfico desta formação.

Desenvolvendo-se segundo combinações instrumentais que vão desde o simples dueto até complexas polirritmias e explorações tímbricas praticadas pela totalidade dos doze intérpretes, a música da “Liga dos guitarristas habilidosos” é o contraponto estético e estilístico da visão “brutista” e totalitária das orquestrações para guitarra elctrica, de Glenn Branca. Abril, em Lisboa, as guitarras vão cantar.

 

James Brown - & Friends

 PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 27 FEVEREIRO 1991 >> Pop Rock >> Vídeos

 

JAMES BROWN & FRIENDS
James Brown & Friends
Music Club, distri. Anónima, 57 min.

Uma imagem com texto

Descrição gerada automaticamente

Para os amantes da música “soul” este registo ao vivo das atuações de James Brown e alguns convidados muito especiais, no “Taboo Club” de Detroit, Michigan, em 1987, é uma peça de arquivo fundamental. Para todos os que não se incluem na categoria restrita atrás enunciada, funciona como um entretenimento agradável e apenas isso. Não há quaisquer efeitos especiais, para além daqueles eventualmente provocados pela audição da música. Um apresentador apresenta, como lhe compete. Os instrumentistas tocam, como se lhes pede. Os cantores cantam, como seria de esperar. Boa oportunidade para se recordar clássicos da “soul music” na voz de um dos seus expoentes – “Papa’s Got a Brand New Bag”, “In the Midnight Hour”, “When a Man Loves a Woman”, entre outros.

James Brown apresenta-se com o bom-gosto habitual: “smoking” prateado e reluzente, decotado até ao umbigo, cabelos cimentados de laca, penteados ao estilo Freddy-Mercury-de-peruca. À medida que os convidados vão chegando, a coisa aquece: primeiro Wilson Pickett, outro senhor da “soul”, seguido de Billy Vera e Joe Cocker, este para interpretar “When a Man Loves a Woman”. Robert Palmer (impecável, de barba bem aparada, gravata e fato completo, de corte irrepreensível) interpreta “Sugar & Spice” em dueto com Brown e, a solo, um dos temas que lhe deu fama e proveito, “Addicted to Love”.

Aretha Franklin, decotada e dificilmente contendo dentro do vestido os excessos de adiposidade, dança um “slow”, agarradinha ao chefe Brown, e canta como só ela sabe. Por fim, juntam-se todos no palco para, felizes, cantarem em coro “Living in America”. E acabou. Muito para uns, pouco para outros. É como tudo na vida. **

 

Ambitious Lovers - Lust

 PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 27 FEVEREIRO 1991 >> Pop Rock >> LP’s

 

O PECADO GENIAL

 
AMBITIOUS LOVERS
Lust
LP, MC e CD, Elektra, distri. Warner port.

 1.jpg

             Depois da avareza (“greed”) e da inveja (“envy”), os Ambitious Lovers voltam a pecar, desta feita incorrendo na falta da luxúria (“lust”). Por esta nova amostra, apetece dizer: pequem muito, pequem sempre. Os pecadores são Arto Lindsay e Peter Scherer.

Há pouco gravaram um disco repleto de ambientalismos experimentais para a série de luxo belga Made to Measure. O disco chama-se “Pretty Ugly” e é excelente. Agora regressaram aos prazeres mais imediatos da canção e da dança. E de que maneira! “Lust” é fabuloso da primeira à última espira. Provoca emoções e empurra o pé para a dança. Excita o corpo e seduz a inteligência. Junta com todo o à-vontade os tropicalismos brasileiros, caros a Lindsay, à imaginação tecnodelirante de Scherer. Arto (guitarrista dos originais Lounge Lizards) é a palavra, inglesa e portuguesa, a alma calorosa aprendida no sertão. Peter compõe a música, arranja-a e mostra como o “sampler” e a eletrónica, quando manejados, como é o seu caso, por mãos e cabeça que sabem, não têm realmente limites. Desde a bossa nova melancólica, que dá título e início ao disco, até à belíssima balada final para voz e piano, que o encerra (“É preciso perdoar”), o álbum faz desfilar uma sucessão de maravilhas diante do ouvinte extasiado.

Há pormenores engraçados: em “It’s Gonna Rain” e “Monster”, as entoações vocais de Lindsay lembram Annette Peacock (repare-se, por exemplo, na maneira como, em “Monster”, Arto canta os versos “Have you got the stamna/This is worse than non-fiction…”); os arranjos e produção de “Ponta de Lança Africano – umbabarauma” e o mesmo “Monster” recordam idênticas e luxuriantes operações levadas a cabo por Brian Eno em “Remain In Light” dos Talking Heads. Depois, não vale a pena fazer mais comparações nem buscar outras referências – o disco “agarra-nos” e submete-nos à ditadura do desejo e do prazer, fazendo jus ao título e às capacidades dos músicos. “Tuck it in” e, de novo “Monster”, já para não falar dos dois temas que contam com a participação de Nile Rodgers, são brilhantes exercícios de música de dança, excitante e inteligente. “Half out of it” é “technohousefunkyacidbody” experimental – Peter Scherer desmonta e volta a montar os esquemas rítmicos, fornece pistas, cada uma suficiente para compor nova canção, avança e recua ou as duas coisas ao mesmo tempo, enfim, o único adjetivo que se lhe pode e deve aplicar é, sem sombra de dúvida (ou de pecado), “genial”. Escute-se o “scratch” simulado em “Ponta de Lança” (composto por Jorge Ben), o “delay” cintilante do piano eléctrico em “More Light”, a maneira como enriquece cada tema com pormenores brilhantes de concisão e imaginação. Escute-se e pasme-se. Arto Lindsay escreve os textos e canta-os cada vez mais como se tivesse nascido brasileiro. Selva de estrelas. Selva de desejos. “Lust” exibe profusamente as marcas inconfundíveis que definem as obras ditas “primas”. *****

 

A fera amansada [Iggy Pop]

 PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 27 FEVEREIRO 1991 >> Pop Rock

 

A FERA AMANSADA

 

“Sou o rapaz ignorado pelo mundo, aquele que só tenta destruir” – palavras de Iggy Pop, de seu verdadeiro nome James Newell Osterberg. Hoje já não será tanto assim, alargada a distância entre o homem e o mito. Sexta-feira, em Lisboa, sábado no Porto, o fundador dos Stooges regressa, passados dez anos, a Portugal, para duas atuações nos Coliseus (ditos de recreio), onde normalmente se exibem as feras.

 


Iggy Pop representa (ou representou) o lado mais niilista da música rock. Recusou sempre o supérfluo, as modas, a facilidade. A sua vida (que em parte se confunde com a obra) tem sido uma montanha-russa em que normalmente o carro se solta dos carris. Sobreviveu às sucessivas quedas. Eleito padrinho pelos punks, gostava de se autoflagelar e cortar com lâminas ou cacos de garrafa. Não seria da nossa conta se não o tivesse feito sobre o palco. Orgulha-se do corpo que tem e exibe-o sem vergonha, também sobre o palco. Mesmo sem querer, acaba sempre por dar espetáculo.

 

 

O retorno a Si

 

Recentemente atuou em Inglaterra, na Brixton Academy em Londres e na Escócia, na Glasgow Barrowlands, ao lado dos That Petrol Emotion, em concertos que a crítica louvou e onde o público delirou. Aparentemente a pose mantém-se inalterável: o corte de cabelo de sempre, olhos desmesurados, o tronco nu e cicatrizado enfiado numas “jeans” rotas e desbotadas que teimam em querer escorregar pelas pernas abaixo. E as canções, claro, as antigas e as novas, do recente “Brick by Brick”. Canções ternas e duras: “Raw Power”, “Loose”, “Dirt”, “No Fun”, “I Wanna Be Your Dog”, “Lust for Life”, “China Girl”.

“Brick By Brick”, gravado para a multinacional Virgin, quebra a tendência “clean” de “Blah Blah Blah”, funcionando como catarse autobiográfica do “anarquista rock” por excelência, como lhe chamou há anos Lester Bangs em artigo publicado na “Village Voice”. Apoiaram-no no empreendimento, entre outros, Slash e Duff McKagan, dos Guns ‘n’ Roses, Kenny Aronoff, da banda de John Cougar Mellencamp, John Hiatt e a vocalista dos B-52’s, Kate Piersen. Sobre a sua nova atitude perante a vida são esclarecedoras as declarações que então proferiu, relativas a “Something Wild”, uma das canções do disco: trata-se da “história de um tipo que se sente tudo menos confortável sobre as suas responsabilidades como adulto. É o equivalente humano a um animal selvagem recém-domesticado que não quer ficar no quintal. Às vezes quer, outras não. Isto exprime bem como me sinto atualmente. Estou no quintal, mas não tenho a certeza de quanto tempo vou ficar. Provavelmente até fico, mas a luta é enorme”. Significativo.

 

Anjo maldito

 

Iggy Pop nasceu em Detroit, filho de uma família típica da classe média americana. Fez parte de um grupo de escuteiros. Depois descarrilou. Com os Iguanas ganhou o epíteto que nunca mais o abandonaria. Quando “Fun House” e “Raw Power” rebentaram como bombas na cena pop anglo-americana (respetivamente em 1970 e 1973, em pleno período áureo dos “sinfonismos” progressivos), o rock ‘n’ roll nunca mais voltou a ser o mesmo. Seis anos antes de os punks ensaiarem os primeiros passos, já Iggy dominava o ruído, a velocidade e a distorção, aplicando-os à música e ao corpo por igual.

Era a época dos excessos, a todos os níveis – entre a dor e o prazer máximos –, do consumo desenfreado de ácool e heroína. Os Stooges não aguentaram o andamento e abandonaram. O que tinham a dizer, disseram-no em pouco tempo. Iggy Pop perdeu todos os contactos que o ligavam aos antigos companheiros, com os quais, afirma, nada tem hoje em comum, apelidando-os de “gordos, bêbedos incontinentes e dependentes da metadona”, o que aconteceu, de resto, a quase toda a gente com quem trabalhou. “Os velhos tempos morreram” – como gosta de dizer.

Talvez não o pudesse ter dito se não lhe tivesse aparecido um anjo da guarda na altura certa. Esse anjo apareceu e chamava-se David Bowie. Anjo, também ele com problemas de droga – no caso a cocaína. Só que Bowie tinha a capacidade de se inventar e libertar da própria pele, como se fosse ele afinal o verdadeiro iguana. Libertou-se e libertou o amigo, anjo como ele mas da casta dos malditos. Foi buscar Iggy ao hospital psiquiátrico onde apodrecia e, se calhar, tirando-o do inferno. Partiram juntos para Berlim e daí para França, onde, em 76, gravaram “The Idiot”, primeiro trabalho de Iggy Pop sem os Stooges. Depois seriam obras fundamentais como “Lust for Life” (77), “New Values” (78) e, dez anos mais tarde, “Instinct”, de 88. Pelo meio ficavam “Soldier” (80), “Party” (81), “Zombie Birdhouse” (82), “Blah Blah Blah” (86) e o “pirata” “Metallic K.O.” (74, registo ao vivo do derradeiro concerto dos Stooges, no Michigan Theatre de Detroit).

Muitas histórias haveria ainda para contar, das mais sórdidas às sublimes. Enfrentando a década de 90 com o entusiasmo e a energia que sempre o caracterizaram, Iggy Pop parece finalmente ter aprendido a crescer, assumindo a paternidade de um filho nascido de uma relação antiga com uma “groupie” e recusando de vez os consumos ilegais. Refere-se à presente fase da sua carreira como “acessível”, “compreensiva” e “adaptável” e a si próprio como “homem casado que paga os seus impostos e faz o seu trabalho cuidadosamente”. Em todo o caso, talvez seja melhor desconfiar.