PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 22 JULHO 1992 >> Pop Rock >> LP’s
Water
CD Made to Measure, distri. Contraverso
O principal problema com que
a Made to Measure (MTM) se confronta atualmente é a imagem que, ao longo dos
anos, criou de si própria. Se a etiqueta de “músicas de circunstância” é
suficientemente vasta para incluir uma variedade de estilos e abordagens
musicais que garantam a diversidade, verifica-se por vezes na MTM, sobretudo em
algumas das suas produções recentes, a tendência para uma certa lassidão,
traduzida em bandas sonoras anódinas, que pouco mais são que uma forma
sofisticada de “muzak”. “Water”, coleção de instrumentais do ex-mentor dos
Flying Lizards, inclui-se nesta categoria de paisagens ambientais que não
apontam para lado nenhum, repetindo até ao infinito as lições há muito
enunciadas por Brian Eno. Um piano flutua no vazio. Sombras, ritmos hesitantes,
esboços de melodias, um tom geral de aguarela semelhante ao dos discos gravados
nesta mesma editora por Peter Principle. Há a curiosidade de Robert Fripp tocar
num dos temas, se bem que não se note muito na audição. “Laissez faire, laissez
passer” parece ser o lema. Não por acaso, as notas da capa, explicam tudo muito
explicadinho, com as habituais teorias sobre “continuidade e espaço acústico”,
aconselhando finalmente o ouvinte a um “ato de imaginação”, de modo a ter a
oportunidade de “explorar um método de audição que não é baseado na natureza
usual da forma clássica ou da arte musical europeia”. Quer dizer: o que o
músico não faz tem de fazer o ouvinte. Não deixa de ser agradável, sobretudo
para quem tem imaginação. (7)
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