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24/09/2026

Chet Atkins & Jerry Reid - Sneakin' Around

 

PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 6 MAIO 1992 >> Pop Rock >> LP’s

 

Chet Atkins & Jerry Reid
Sneakin’ Around
LP/CD, Columbia, distri. Sony Music

Uma imagem com texto

Descrição gerada automaticamente

 

Que Chet Atkins tem um passado ninguém duvida. O homem é uma espécie de avô da “country music”. Tocou com Elvis Presley e Hank Williams e ajudou a definir o denominado “Nashville sound”. Aconselha-se então a audição desse passado e de álbuns como “Stay Tuned” ou “Chester & Lester”.

“Sneakin’ Around”, ao contrário do anterior “Neck and Neck” (gravado de parceria com Mark Knopfler) não faz jus a esse passado. A receita “country” com um cheirinho a jazz dos anos 50 regado com “chantilly”, e contando de novo com a presença de Knopfler num par de temas, resulta aqui em enjoo “mainstream”, que nem a técnica de guitarra – irrepreensível – de Atkins e de Reed (“toca guitarra como Ray Charles tocava piano”, diz o amigo Chet) consegue tornar apetecível.

Interessantes o ambiente muito “varieté” de “Vaudeville daze” e a evocação dos grandes “westerns” de antanho do título-tema, ao estilo de “Era uma vez na América”, com a harmónica solitária da praxe. Desce-se ao execrável em “Cajun stripper”, em que o dito “cajun” se despe sobre uma batida “disco”. Shit Atkins, não! (5)

02/08/2016

Chet Atkins & Mark Knopfler - Neck And Neck

Pop Rock
1990

CHET ATKINS & MARK KNOPFLER
Neck and Neck
LP e CD, CBS, distri. CBS portuguesa


Dois heróis da guitarra, de duas gerações distintas, juntam-se para glorificar o instrumento. Chet Atkins é uma lenda viva, considerado pela revista “Guitar Player” como um dos guitarristas cujo estilo mais influenciou outros músicos. Foi um dos criadores do denominado “Nashville sound”, matriz essencial da “country music”, cimentada nos cânones tradicionais acrescidos de doses industriais de eco e outros efeitos eletrônicos. Depois de 36 anos na RCA, passou-se para a Columbia e foi acusado de abandonar a “country” para se entregar às práticas suspeitas da “new age” e do jazz. Mark Knopfler, “Sultão do Swing”, todos o sabem, faz parte dos Dire Straits. Trabalhou com Dylan, Van Morrison, Bryan Ferry e Phil Everly, entre outros. Produziu a superbanda caquética Notting Hillbillies e, não pondo em causa as suas inegáveis virtudes como instrumentista, assinou xaropadas intragáveis como a banda sonora de “The Princess Bride”. Chet e Mark já antes haviam tocado juntos. Ao vivo, como toda a gente, no concerto a favor da Amnistia Internacional. Em estúdio, no álbum do primeiro, “Stay Tuned”. Ambos partilham a paixão pela sonoridade da guitarra Gibson. “Neck and Neck” é, na personalidade e no som, sobretudo um disco do mais velho e, de certo modo, ainda bem que assim é, pois mais simples foi evitar as facilidades com que o homem dos Straits por vezes condescende. Mesmo assim ainda conseguiu meter uma composição sua a fechar o disco: “The Next Time I’m in Town”. Nada de pânico, porém – a faixa não destoa e Mark até finge ser um entendido da “country”. “Country”, da pura e dura, só “Just one Time” (de Don Gibson), e “Yaketi Axe” (de Boots Randolph, James Rich e Merle Travis, com violino e “dobro” e dança no celeiro). De resto a “música do campo” serve de pretexto para outras aventuras e sons mais contemporâneos. “Sweet Dreams” (também de D. Gibson), por exemplo, é um tema belíssimo, instrumental lento e misterioso, vogando nas cadências noturnas das guitarras (incluindo a “pedal steel”), como se Peter Pan espreitasse em “slow motion” às janelas da cidade adormecida. “There’ll be some Changes Made” (Billy Higgins) insere o tom de comédia das palavras no “boogie” atmosférico e nostálgico, ilustrativo de um filme antigo, a preto e branco e sem legendas. Em “So Soft, your Goodbye”, aflora o espectro delicodoce de “The Princess Bride”, mas a pungência do violino é sincera, evoca tragédia e abandono, suspiros lancinantes e pancadas no peito, melodrama talvez sem final feliz. Violino distraidamente triste em “Tears” (assinado pelos monstros da guitarra, Django Reinhardt, e do arco na corda, Stephane Grapelli), lágrimas vertidas por uma “star”, cadente e decadente. Felizmente que nem só de tristeza vive o disco. Em “Tahitian Skies” há azuis de céu a tocar o oceano, sempre de Verão. Conchas, ananazes, Tahiti duche, cruzeiros de nunca mais voltar. Felizes as guitarras, sorridentes. E no “swing” de “I’ll See you in my Dreams”, dançam abraçadas. “Neck and Neck” desliza como uma brisa morna. Sem sobressaltos. Exercício descontraído e descomprometido de dois grandes guitarristas. Música suave e calorosa, de guitarras levitando num silêncio de cristal. ***