22/09/2026

O guitarrista que é conforme [Pat Metheny]

 

PÚBLICO SÁBADO, 4 ABRIL 1992 >> Televisão e Rádio >>Televisão

 

O guitarrista que é conforme

 

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            É bom? É mau? Pat Metheny é conforme. Tecnicamente é um músico perfeito. O discurso da sua guitarra, acústica ou sintetizada, possui a força e a limpidez de um caudal de água. A nitidez do fraseado aprendeu-o com os mestres: Jim Hall, Django Reinhardt, Wes Montgomery. O buril de Manfred Eicher, durante toda a fase ECM, fez o resto, eliminando qualquer aresta mais áspera que pudesse subsistir. Os discos com o vibrafonista Gary Burton aí estão para o demonstrar. Mas é conforme. Quando a coisa descamba para o mau gosto, Pat Metheny cede ao pior dos vícios, o da facilidade, traduzida num jazz-rock de hipermercado que torna irrelevante um disco como “Still Life (Talking)” e quase repelente outro como “Letter From Home”.

            A alternativa é esquecer estes pecadilhos (melhor ainda é não chegar sequer a ouvi-los) e procurar noutras latitudes. Três momentos chegam para não levar o guitarrista muito a sério quando afirma que a sua “primeira pulsão sexual” foi provocada pela voz de Astrud Gilberto, em “Garota de Ipanema”, ainda por cima na televisão: “Question and Answer”, com Dave Holland e Roy Haynes, “Song X”, com Ornette Coleman (um dos seus mestres assumidos embora não seja provável que o saxofonista lhe tenha provocado uma pulsão do mesmo tipo que Astrud Gilberto) e “Electric Counterpoint”, uma peça minimal repetitiva composta por Steve Reich.

Outras pulsões, hoje em “Outras músicas”, para ouvir ou experimentar. É conforme.

 

Canal 2, às 19h45

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