22
de Abril 1992
Dance the Devil Away
CD Hannibal, distri. MVM
Martin Craddick e Graham Wiggins tocam respetivamente
guitarra e “didgeridoo”, o tal instrumento de sopro dos aborígenes australianos
em que Charlie Parker nunca soprou. Onde “Baka”, o álbum anterior, primava por
uma certa contenção, “Dance the Devil Away” desvaria por completo. Sagar N’Gom,
em instrumentos de percussão africanos, e Paddy LeMercier, um violinista que já
tocou com os Malicorne, juntam-se à firma Craddick & Wiggins, que, por seu
lado, não se esqueceu de se artilhar com toda a espécie de instrumentos
étnicos, de designações exóticas, como convém.
Há
de tudo em “Dance the Devil Away”: ritmos afro-cubanos, folclore marroquino
tocado em bombardas bretãs, batuques africanos a granel, uma melodia japonesa
baseada numa canção grega (?), um exorcismo rítmico egípcio para espantar
demónios e, claro, o “didgeridoo” a quem foi dado livre-trânsito para roncar
com o à-vontade de um rei. O único problema reside na ligeireza da guitarra de
Wiggins, que, tema após tema, parece apostado em dar aos Outback a imagem de
uns Gipsy Kings da “world music”. Mas a diversidade e originalidade do projeto
acabam por torná-lo numa agradável diversão. Afinal de contas, talvez não passe
de uma brincadeira!... (6)
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