15/10/2014

Schlammpeitziger + Fumble



29 de Aetembro 2000

Brincamos!

Schlammpeitziger
Augenwischwaldmoppgeflöte (7/10)
a-Musik, distri. Ananana

Fumble
Fumble (6/10)
Karaoke Kalk, distri. Ananana

            “Jo Zimmerman é um músico bem disposto e disposto a pôr-nos bem dispostos”, afirma, bem disposta, a distribuidora. Jo Zimmerman, aliás Schlammpeitziger, depois do singelamente intitulado “Spacerockmountainrutschquartier”, tornou-se em definitivo o rei da Clusterlândia. Voltando a apostar num título curto e incisivo, como “Augenwischwaldmoppgeflöte”, Jo prova uma vez mais o seu gigantesco talent para a construção de máquinas de Flipper do fabricante “Moebius & Roedelius” que, uma vez ligadas, são impossíveis de desligar. Nunca a eletrónica provocou tamanho ronronar, poucas vezes deu tanta vontade de saltar para o carrocel, raramente os sintetizadores se enfeitaram com as cores do Carnaval como neste Augenwischwaldmoppgeflöte”. Tudo neste álbum afasta a depressão e os céus mais carregados de projetos – apesar de tudo não tão distantes como isso dos Schlammpeitziger – como FX Randomiz, Schnitstelle ou Schneider TM. Não é música boa para fazer ginástica mas serve na perfeição para fazer massagens. Mas apetece perguntar ao senhor Zimmerman até que ponto as suas citações aos mestres se aproximam, nalguns casos, da cópia. “Restwasserstveitgebettel” e “Beingodick” são postais “DeLuxe” dos Harmonia, o que significa que Jo se afastou aqui um bocadinho dos Cluster. Só um bocadinho, se ouvirmos “Klapperhofohrkester” e compararmos com “Sowiesoso”. Na maior parte do tempo, porém, é “Zuckerzeit” a funcionar. Os Kraftwerk, como não podia deixar de ser, aparecem citados de “Ralf and Florian” em “Winmweltbestaubung” (estes títulos, não garanto que estejam bem escritos, e também já me irritam um bocadinho). A brincar, a brincar, com os Mouse on Mars, Kreidler, B Fleischmann, Isan, Pluxus ou Nova Huta, os Schlammpeitziger encontraram a estrada dos tijolos amarelos (ou, já agora, o submarino amarelo) da eletrónica para o grande “smile”. Mas, já agora, não podiam brincar a outra coisa sem ser aos Cluster?
            Comparados com isto, os Fumble, alter-ego de Jens Massel, são um tratado de estruturalismo. Coisa para franzir o sobrolho. Envolvido em outros projetos como Senking, Kandis e Genf, Massel prova com “Fumble” as suas aptidões de designer que sabe cozinhar o “dub” e a eletrónica fria dos Oval (digamos Mouse on Mars congelados) como ementa de salão de baile para disléxicos, ou de programador competente de ruídos digitais a fingir de tribais, muito Mille Plateaux, mas os compartimentos onde o seu cérebro habita visitam-se durante alguns minutos, aprecia-se o rigor o volume e da cor, para se chegar à conclusão de que lá fora se está melhor. Provavelmente a ouvir “Augenetcvejamláseparaapróximaencurtamestamerda”. É Schlammpeitziger, ninguém leva a mal.

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