PÚBLICO QUINTA-FEIRA, 14 MAIO 1992 >> Cultura
Música em espiral
Integrados no “Circuito das
Tradições Musicais Europeias”, organizados pela Etnia, os concertos dos galegos
Trisquel voltam a trazer ao Norte de Portugal as vibrações e a magia da música
tradicional. Depois de ter atuado no passado dia 6, em Guimarães, a banda da
Galiza tem espetáculos agendados para hoje, na Guarda, no Estúdio Oppidana, dia
16 no Porto, no Teatro Municipal Rivoli, e dia 17 em Viana do Castelo, no
Instituto Politécnico. Todos às 21h30.
Os Trisquel (não confundir
com os bretões An Triskell) vêm creditados como “o grupo revelação” pela
imprensa de Lorient, na Bretanha, local de realização de um dos mais
importantes festivais de música tradicional da Europa. Nascidos em Vigo, em
finais de 1989 e, à semelhança de outros grupos, no seio da escola de
instrumentos populares galegos do “Obradoiro”, os Trisquel integram na sua
formação atual Carlos, Nancy, Chiqui, Alberto e Bouza que à sua conta tocam em
palco cerca de 25 instrumentos, todos acústicos, incluindo a sanfona,
gaita-de-foles, flauta de bisel, bombo, requinta, alaúde, acordeão, clarinete,
“tin whistle”, tambor, pandeireta, congas, “bodhran” e conchas.
Com prémios obtidos nos
festivais de Vilagarcia e Santiago, os membros dos Trisquel não se importam em
demasia em ser ou não celtas. São-no, não por escolha, mas por essência e pelo
chamamento da terra onde nasceram. Mais importante que todas as etiquetas é
cantarem a Galiza, o seu passado, as suas lutas e lendas, os seus sonhos
geradores de futuro e afirmativos de uma identidade que apenas aceita
integrar-se num país onde as leis não são ditadas pelos senhores deste mundo.
Assim diz o seu nome – a espiral tripla –, símbolo da unidade e consonância dos
três mundos: do céu, dos homens e da natureza.
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