Pop
Rock
3
ABRIL 1991
LP’S
Blast the Human Flower
LP / CD, Sire, distri. Warner port.
Na
frente da capa, luminosa, Danielle Dax tem olhos e cor de fada. No verso, o
inverso – arma em punho, colar de balas, maquilhagem de negro e desespero, em
pose de mulher habituada à escuridão. Imagens opostas definidoras de uma
atitude ambígua perante o mundo. Danielle inclui-se naquela faixa obscura de
cantoras marginais, nascidas da “new wave”, que não sabem muito bem para onde
se hão-de voltar. Mas enquanto se deixa ficar no limbo das indecisões, consegue
perturbar. Agita fantasmas e acorda outros. Professa uma religião estranha,
segundo os ritos de um “rock’n’roll” cinzento e doentio atravessado por
bizarras incursões de psicadelismo orientalizante (“Tomorrow never Knows”),
versão do tema da dupla Lennon/McCartney, em espirais de “loop” próximas das de
Brian Eno em “No one Receives” e o tema final “16 Candles”, sombrio e obsessivo
à maneira dos Velvet Underground).
“Bayou”
abre-se ao canto de criaturas nocturnas voando sobre ritmos tribais. O espectro
dos Velvets e de Nico em particular assoma de novo em “Daisy”. “King Crack”
destila veneno e violência por todos os poros e “Deadman’s Chill” faz enregelar
a alma. Versão britânica, bem mais convincente, de Nina Hagen, Danielle Dax faz
passar discretamente a mensagem: “Ao canto de cisne do planeta Terra/
maravilhamo-nos com um remédio bem simples/ pegar na roupa/ limpar a ardósia/
retirar calmamente a fina camada de ferrugem/ e fazer ir pelos ares a flor
humana.” Perigosa, a senhora. ***

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