PÚBLICO QUINTA-FEIRA, 21 MARÇO 1991 >> Local >> Televisão
Viagens na nossa terra
ACABARAM
os desentendimentos entre Fausto e a RTP, ou pelo menos assim parece. O cantor
exigia que a si próprio e aos artistas portugueses em geral fossem dadas
importância e condições idênticas às dos estrangeiros. Tal aconteceu com
“Grande, Grande É A Viagem”, espetáculo gravado a partir dos dois concertos
efetuados em dezembro último no Teatro S. Luiz, em Lisboa, pelo autor de
“Madrugada dos Trapeiros” e “Por Este Rio Acima”. Produzido por Carlos Machado
e com realização de Carlos Barradas, “Grande, Grande É A Viagem” apresenta, em
grande forma, o autor de clássicos da música popular portuguesa dos últimos
anos como “Rosalinda” ou “Navegar, Navegar”.
Fausto concilia na sua música os
aspetos mais universalistas da cultura portuguesa, juntando, como em “Por Este
Rio Acima”, sonoridades e ritmos do nosso folclore com vibrações africanas e
especiosos exotismos do Oriente, sem perder de vista o sonho europeu que se
pretende “em construção” – preocupação evidente no álbum de 89, “Para Além das
Cordilheiras”, onde canta essa outra incursão das nossas gentes pela Europa
dentro, ao som dos bombos e cheiro a sardinhadas. “A Preto e Branco”, o seu
disco mais recente, assinala a viagem de retorno às raízes e memórias
africanas. Viagem pela poesia negra e pelos sons de guitarra do angolano Mário
Rui, também presente no espetáculo ao vivo. Sobre o palco do S. Luiz, estiveram
ainda os músicos: André Sousa Machado (bateria), Fernando Molina (percussão e
voz), António Pinto (guitarra e voz), Ciro Bettini (piano elétrico) e João
Parreira (sintetizadores e voz). Viagens pelo Portugal imaginário.
Canal
1, às 22h10
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