PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 13 MARÇO 1991 >> Pop Rock >> LP’s
Road to Saint Ives
LP / CD, ECM, distri. Dargil
Explica-se na capa que a música deste
disco se inspirou nas paisagens e história do condado da Cornualha, em
Inglaterra. As suas lendas e um dialeto próprio mantido vivo até ao século
passado fascinaram John Surman ao ponto de dedicar um disco inteiro a uma
estrada dessa região. As faixas têm os mesmos nomes estranhos e mágicos das
povoações que assombram a senda para Saint Ives: “Tintagel”, “Mevagissey”,
“Lostwithiel”, “Marazion”, “Bedruth Steps”.
Viagem pelo imaginário celta (já
anteriormente recuparado por Surman num disco anterior à fase ECM – “Westering
Home”) e pelo lirismo arrebatado dos saxofones e clarinete baixo de um dos seus
mestres incontestados. Sopros que sozinhos contam histórias ancestrais, no
diálogo que consigo próprios mantêm, feitos de ecos e ritmos circulares
(“Lostwithiel”, “Perranporth”, “Kelly Bray”). Noutras paragens sobressaem a
grandiosidade do órgão litúrgico, em “Tintagel”, ou as cintilações eletrónicas
repetitivas que o músico adotou a partir de “The Amazing Adventures of Simon
Simon”, como em “Bodmin Moor”, “Piperspool” e “Bedruthan Steps”. Cada vez mais
afastado de uma estética propriamente jazzística (num percurso semelhante,
dentro da mesma editora, ao de Jan Garbarek), John Surman prossegue na demanda
de uma beleza despojada, buscando o ponto exato, como pensava Platão, onde
essência e forma se confundem. ****
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