7 de Outubro 1992
LP’S
Jig
CD, Numérica, distri. MVM
Agora que
já são irlandeses, os Jig, do Porto, poderiam começar a pensar em mudar a
nacionalidade. Porque não portugueses? Não há muitos… Ao vivo, a banda
portuense não tem grandes problemas. Uma cadência mais rápida, um “whiskey in
the jar” vertido na altura certa, chegam para fazer o pessoal perder o tino e
dançar. Depois de uma estreia auspiciosa no Intercéltico do ano passado, os Jig
têm vivido um pouco à sombra desse êxito.
A audição
do disco é como que um testemunho dessa primeira fase de trabalho dedicado à
reconversão do estilo “bluegrass” que caracterizava a banda nos tempos em que
se chamava King Fisher’s Band, no bê-á-bá do cancioneiro irlandês. O problema
está em que se ao vivo a coisa resulta, no CD fica a sensação de se estar
perante aprendizes orgulhosos de terem feito bem o trabalho de casa. Há a
preocupação de tocar certinha mas falta a chama, a cadência natural que só se
aprende sendo-se irlandês. Os Jig nasceram uns graus mais a sul de latitude. Um
irlandês, por exemplo, sabe que a sua terra se escreve “Ireland” e não
“Irland”, como aparece mencionado em todas as faixas, e “mandolin” em vez de
“bandolin”. Em “inguelês” porquê? Para eles, irlandeses, ouvirem e aprenderem a
tocar a sua música como deve ser? Ou a escrever como não deve ser?
Tem piada escutar o violino de Arlindo Silva e a flauta de Manuel
Apolinário, razoáveis instrumentistas, em clássicos como “Geordie”, “Whiskey in
the jar” ou “Wild Rover”. Mas… e se já se tiver escutado antes os outros, os lá
da terra deles? Pois é, as comparações são um problema. Fazendo de conta que os
mestres não existem, Isabel Leal confirma as suas capacidades vocais e é com
renovado prazer que se ouve a sua prestação no tradicional do Canadá “The ten
commandments”. Os Jig têm futuro. Mas em Portugal e com música portuguesa. Se
eles assim o quiserem. (5)

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