PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 29 JULHO 1992 >> Pop Rock >> LP’s
Retrospectives, Volume 1
CD, Les Disques du Crépuscule, distri. Edisom

Este primeiro volume de uma
retrospetiva da obra do compositor belga, que a si próprio se considera um
génio portador de uma mensagem redentora, apresenta a sua faceta melódica e
acessível, bastante mais próxima do romantismo (sobretudo nas peças para piano)
do que da escola minimalista que caracterizava as suas obras iniciais com os
Soft Veredict (aqui representadas por três temas extraídos de “Struggle for
Pleasure”, “Maximizing the Audience” e “Vergessen”).
São aquelas melodias
eternamente recorrentes que, disco a disco, faixa a faixa, parecem descobrir
novas formas de construção e adaptação. É aquela voz de “falsetto”, às vezes
tão próxima do “castrato”. São as mãozinhas de veludo que tão bem sabem elaborar
no piano as tais melodias que não se consegue deixar de trautear. Mas antes
isto que os solos de sopro intermináveis de “Instrumental Songs” ou o
megapesadelo conceptual de “Alle Dinghe”. Fora estes desvios de grande criador
(demasiado grande, em “Alle Dinghe”, são quase sete horas de genialidade pura,
do tipo, a ideia é magnífica, a audição uma tortura), Wim Mertens é o
Clayderman dos intelectuais. Fica-lhe bem um “napperon” e uma jarra de flores
sobre o piano e, em fundo, imagens de um bosque ou de um céu azul com
passarinhos. Mas, lá está, as melodias não nos saem da cabeça... (8)
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