27/10/2026

Steve Roach + Kevin Braheny + Michael Stern


pop rock >> quarta-feira, 20.01.1993

FORA DE SÉRIE

 

Steve Roach & Kevin Braheny
Western Spaces (8)
CD, Fortuna

Steve Roach, Kevin Braheny & Michael Stearns
Desert Solitaire (7)
CD, Fortuna

Steve Roach
World’s Edge (8)
2xCD, Fortuna

Todos import. Ananana


Em “Western Spaces” e “Desert Solitaire”, primeira e segunda partes de uma obra conceptual, os compositores procuraram “captar a essência” do deserto. Em concreto, das regiões áridas do Sudoeste da América do Norte, da Califórnia e das vastidões do Mojave, cujas areias serviram de inspiração a estas paisagens impressionistas.

Steve Roach e Kevin Braheny fazem parte da cena eletrónica da “West Coast” americana, de tendência sintetista. Nesta aventura a dois, cujo segundo tomo conta ainda com a colaboração de Michael Stearns, proveniente da mesma área musical, procederam de forma idêntica ao projeto paralelo de Steve Roach com Robert Rich, que tão bons resultados proporcionou até agora, em “Strata” e “Soma”: eletrónica mais sonoridades étnicas, reais e sampladas. No fundo, um entre vários ramos da árvore, cada vez frondosa, que Jon Hassell plantou em “Possible Musics”. Música de movimentos e reverberações tão amplas como as do deserto, de flutuações e alterações subtis, repetindo a sucessão impercetível de contornos das dunas do deserto.

“Desert Solitaire” tem como defeito pouco adiantar em relação ao disco anterior. Diz as mesmas coisas da mesma maneira, sem apresentar inovações. Temas há que parecem repetições de “Western Spaces”. Cai por momentos na monotonia e na “new age” bem comportada. Mas será talvez a monotonia aparente do próprio deserto que exige a disponibilidade e a atenção dos máxima dos sentidos.

O disco a solo de Steve Roach não se afasta muito, em termos formais, dos outros dois álbuns. Nele o compositor parte da metáfora da “chegada à beira do abismo” e do impulso de “saltar no vazio, ganhando asas antes da queda”. Voo e gravidade, expressos num maior contraste dos timbres (não falta o inevitável “didgeridoo”) e na utilização sistemática das percussões – das profundezas das “frame drums” ao retinir de sino rituais tibetanos e aos ecos de cerâmica do “dumbek”. A exceção é o tema com cerca de uma hora que ocupa a totalidade do segundo disco, “To the threshold of silence”, longa progressão ondulatória, tão silenciosa como “Thursday afternoon”, de Brian Eno, ou “Waiting for Cousteau” (que ninguém se espante, é diferente de tudo o que este autor fez até à data), de Jean-Michel Jarre, aquele que mais se aproxima do sentido xamânico que Roach procura imprimir à sua música.


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