PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 4 NOVEMBRO 1992 >> Pop
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Good as I Been to You
LP/MC/CD Columbia, distri. Sony Music

Que se pode esperar do velho
Fred [sic], hoje em dia? Palavras levadas pelo vento? Lições de
harmónica? Suspiros de enfado? Publicidade ao Nasex? “Good As I Been to You”
acaba por conseguir o inesperado: surpreender-nos. Uma voz, um nariz e uma
guitarra afinal são mais do que suficientes para fazer um disco de boas
canções. Há também as palavras, às quais já ninguém liga muito, mas pronto, é
Bob Dylan, grande poeta, a “beat generation”, blá, blá, blá... Neste caso é
diferente. As canções são todas tradicionais, arranjadas por Dylan da forma
mais simples possível: em baladas intimistas, de uma serenidade típica de quem
já disse há muito o que tinha a dizer, e também dos velhos. Mas nem é esse o
caso. “Good As I Been to You” soa surpreendentemente fresco, limpo e
despoluído, num regresso às raízes “country” e dos “blues” que pelo caminho dá
a escutar algumas das mais sentidas interpretações do trovador: “Black Jack
Davey”, “Canadee”, “Sittin’ on the top of the world”, “Arthur McBride”, “You’re
gonna quit me”. Apetece dizer que Bob Dylan soa desta vez quase como um
“absolute beginner”. (6)
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