PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 14 OUTUBRO 1992 >> Pop
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Snake Bite Love
CD, A&M, distri. Polygram

Rock ‘n’ roll com as cores do
“bayou”, dos jacarés e dos mosquitos, do “voodoo” e da mitologia cajun em geral
é a proposta de Zachary Richard, um americano que passou anos a cantar e a
gravar discos em francês (costuma ser deliciosa a música cajun quando cantada
nesta língua, com a pronúncia híbrida que lhe é característica em Nova Orleães
e no Quebeque) para finalmente regressar às origens do Louisiana. “Nunca
pretendi ser um músico de cajun tradicional”, diz ele. O que Zachary pretende
então é recriar este género, depois de o ter domesticado através do rock. Não
por acaso, o autor cita, entre as suas influências, os Beatles e Neil Young.
“Snake Bite Love”, a picada
do amor, tão venenosa como a da cobra, é interessante sobretudo ao nível dos
textos que relatam histórias do Sul ou da comunidade “acadiana” dos imigrantes
franceses no Canadá, um dos centros fulcrais da cultura cajun, já que a música
é bastante convencional. Os típicos acordeões, banjos e “washboards” da
tradição cajun são remetidos para as traseiras, pela mesa de misturas,
assomando uma ou outra vez à superfície das canções. Não se pode pedir mais a
quem, como Zachary Richard, nunca quis ser um purista. Só que músicos de cajun
não os há assim tantos e “rockers” da sua categoria há-os aos milhares. São
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