PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 25 NOVEMBRO 1992 >> Pop
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O ESCUDEIRO DA TÁVOLA REDONDA
Sir John Alot (5)
The Lady and the Unicorn (6)
A Maid in Bedlam (7)
CD’s
Shanachie, distri. MC – Mundo da Canção

No início dos anos 70, os
Pentangle eram um dos grupos de ponta do movimento de revivalismo folk
britânico. John Renbourn, guitarrista do grupo (que também incluía a vocalista
Jacqui McShee, o contrabaixista Danny Thompson, outro guitarrista, Bert Jansch,
e o percussionista Terry Cox), cedo deu mostras de se interessar pela música
antiga. “Sir John Alot” foi o primeiro disco em que concretizou esse interesse,
posteriormente disseminado por obras, além das outras aqui criticadas, como
“The Hermit”, “The Black Baloon” e “Enchanted Garden”. O interesse maior deste
exercício prévio reside no contraste e na passagem do estilo “bluesy” e das
técnicas de “fingerpicking” a uma abordagem medieval da guitarra, utilizada
como se fosse um alaúde. O disco soa hoje bastante datado, revelando uma visão
superficial da música antiga, por parte de Renbourn, então pouco mais que um
aprendiz compenetrado.
“The Lady and the Unicorn”
aprofunda as ideias do álbum anterior, abandonando em definitivo a linguagem
dos “blues”. Com um acompanhamento instrumental mais “encorpado”, o álbum tem
como principais focos de interesse os solos de Terry Cox, no “glockenspiel” (um
carrilhão em miniatura) e a verificação de quão pouco à vontade um violinista
como Dave Swarbrick se movimenta no reportório antigo. Apesar de títulos como
“Lamento de Tristan”, “Veri Floris” e “Melancholy Galliard”, não seria por aqui
que John Renbourn se aproximaria dos calcanhares de um Hopkinson-Smith.
Com a entrada em cena de Sue
Draheim (ex-Albion Band), no violino, Keshav Sathe, nas percussões indianas,
Tony Roberts, flautas e oboé, e sobretudo da vocalista Jacqui McShee, recrutada
dos Pentangle (grupo, aliás, do qual ainda faz parte), a música deu um salto
qualitativo, natural, já que em “A Maid in Bedlam” Renbourn infletiu na música
tradicional, preocupando-se menos com a Idade Média e mais com uma
caracterização exótica de “clássicos” como “Black waterside”, “John
Barleycorn”, “Reynardine”, “My Johnny was a shoemaker” e “Death and the lady”.
Excelentes, ao longo de todo o disco, as vocalizações de Jacqui McShee e o
“quator” vocal do tema final “Talk about suffering”. Bem complementados por
instrumentais onde a Idade Média se estende da Távola Redonda a Katmandu.
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