21/10/2026

O Escudeiro da Távola Redonda [John Renbourn]

 

PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 25 NOVEMBRO 1992 >> Pop Rock >> World

 

O ESCUDEIRO DA TÁVOLA REDONDA

 

JOHN RENBOURN
Sir John Alot (5)
The Lady and the Unicorn (6)

THE JOHN RENBOURN GROUP
A Maid in Bedlam (7)

CD’s Shanachie, distri. MC – Mundo da Canção

Uma imagem com texto, moldura de fotografia

Descrição gerada automaticamente

 

No início dos anos 70, os Pentangle eram um dos grupos de ponta do movimento de revivalismo folk britânico. John Renbourn, guitarrista do grupo (que também incluía a vocalista Jacqui McShee, o contrabaixista Danny Thompson, outro guitarrista, Bert Jansch, e o percussionista Terry Cox), cedo deu mostras de se interessar pela música antiga. “Sir John Alot” foi o primeiro disco em que concretizou esse interesse, posteriormente disseminado por obras, além das outras aqui criticadas, como “The Hermit”, “The Black Baloon” e “Enchanted Garden”. O interesse maior deste exercício prévio reside no contraste e na passagem do estilo “bluesy” e das técnicas de “fingerpicking” a uma abordagem medieval da guitarra, utilizada como se fosse um alaúde. O disco soa hoje bastante datado, revelando uma visão superficial da música antiga, por parte de Renbourn, então pouco mais que um aprendiz compenetrado.

“The Lady and the Unicorn” aprofunda as ideias do álbum anterior, abandonando em definitivo a linguagem dos “blues”. Com um acompanhamento instrumental mais “encorpado”, o álbum tem como principais focos de interesse os solos de Terry Cox, no “glockenspiel” (um carrilhão em miniatura) e a verificação de quão pouco à vontade um violinista como Dave Swarbrick se movimenta no reportório antigo. Apesar de títulos como “Lamento de Tristan”, “Veri Floris” e “Melancholy Galliard”, não seria por aqui que John Renbourn se aproximaria dos calcanhares de um Hopkinson-Smith.

Com a entrada em cena de Sue Draheim (ex-Albion Band), no violino, Keshav Sathe, nas percussões indianas, Tony Roberts, flautas e oboé, e sobretudo da vocalista Jacqui McShee, recrutada dos Pentangle (grupo, aliás, do qual ainda faz parte), a música deu um salto qualitativo, natural, já que em “A Maid in Bedlam” Renbourn infletiu na música tradicional, preocupando-se menos com a Idade Média e mais com uma caracterização exótica de “clássicos” como “Black waterside”, “John Barleycorn”, “Reynardine”, “My Johnny was a shoemaker” e “Death and the lady”. Excelentes, ao longo de todo o disco, as vocalizações de Jacqui McShee e o “quator” vocal do tema final “Talk about suffering”. Bem complementados por instrumentais onde a Idade Média se estende da Távola Redonda a Katmandu.

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