PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 27 NOVEMBRO 1991 >> Pop Rock >> LP’s
Les Nouvelles Polyphonies Corses
CD, Philips, import. Contraverso
À primeira vista, “Les Nouvelles
Polyphonies…” poderia passar por mais um exemplar, entre muitos, de “world
music”. Os arranjos de Hector Zazou introduzem a diferença, num disco que não
destoaria na série Made to Measure. No canto corso, de reminiscências
gregorianas, por vezes evocativo dos cantares alentejanos, encontrou Zazou
matéria suficiente para mais um exercício de miscigenação. Entre o canto
poderoso dos rituais “paghjella” que ligam a comunidade às forças cósmicas e a
eletrónica. Tradição e futuro irmanados no desejo de elevação. Síntese do antigo
e do novo, do Oriente e do Ocidente, do corpo e da tecnologia.
Ponto fulcral de cada tema, as vozes e
a sua harmonia determinam a orientação dos arranjos de Hector Zazou e as
interpretações de uma constelação de grandes músicos, sensíveis à grandiosidade
do terramoto vocal e à essência do canto corso: Ryuichi Sakamoto, Ivo Papasov,
Steve Shehan, Richard Horowitz, Manu Dibango, Jon Hassell, John Cale e o grupo
de música eletrónica Lightwave, para além do próprio Zazou. Como se pode ler na
contracapa: “Declaração de amor, poemas de esperança ou de sofrimento, as
polifonias cantam também a terra queimada pelo sol, a água que corre, o
crepúsculo e a alvorada, a alma profunda do povo corso. (8)
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