15/10/2016

Música de minorias no 13º Cantigas do Maio do Seixal

CULTURA
SEXTA-FEIRA, 24 MAI 2002

Música de minorias no 13º Cantigas do Maio do Seixal

Festival de “world music” no primeiro de dois fins-de-semana

Berroguetto, hoje, e Gjallarhorn, amanhã, são as duas apostas mais fortes para o primeiro fim-de-semana de "world music" que o festival Cantigas do Maio leva pela 13ª vez ao Seixal, este ano subordinado ao tema "Músicas de Minorias".
                Com os galegos Berroguetto, que já atuaram antes neste mesmo festival, é difícil separar na sua obra o amor pela tradição de um genuíno desejo de transgressão. O novo álbum deste grupo galego, intitulado "Hepta", foi buscar inspiração ao número "7", considerado sagrado nos circuitos herméticos, bem como à obra do artista plástico Georges Rousse, em particular uma instalação realizada na antiga fábrica de Sargadelos, hoje em ruínas.
                "Hepta" é folk, é jazz, é síntese, é a "xeometria heptacéfala, completa metamorfose dos agoiros oraculares nos pétalos encarnados da flor da realidade". É, sobretudo, a grande música de um dos mestres atuais da música galega, Anxo Pintos. Os Berroguetto atuam esta noite, por sinal também numa antiga fábrica, a Mundet. Completam a programação para hoje as percussões dos O Ó Que Som Tem, projeto em contínua evolução, orientado por Rui Júnior, de quem se espera a sucessão, para breve, do álbum "O Mundo Não Quer Acabar", editado em 1998.
                Os Gjallarhorn, da Finlândia, que atuam amanhã na Fábrica Mundet, são representantes da já vasta escola escandinava por onde passam os Hedningarna, Den Fule, Garmarna, Vasen, Hoven Droven, Varttina, Sirmakka, Pirnales, JPP, Niekku e Maria Kalaniemi, entre muitos outros. A sua música, audível no novo álbum "Sjofn", além de uma capa que decerto atrairá as atenções da fação masculina, mergulha nas baladas tradicionais dos arquipélagos finlandeses do Golfo de Bothnia, mas está longe de poder ser considerada anacrónica.
                Espere-se, em vez disso, uma combinação agradável da voz sensual da vocalista Jenny Wilhelms com o tipo de sonoridades com as quais os apreciadores da "nordic folk" já estão familiarizados, feita de violinos, percussões e flauta tradicionais, mas aqui com o toque exótico do didjeridu e da harpa judaica.
                Completam o programa de sábado os italianos Zoè, da região de Puglia. São especialistas em tocar a "pizzica", um tipo especial de pandeireta. Diz-se que com tal frenesi que as mãos dos músicos chegam a sangrar. Esperemos que não seja necessária a intervenção da equipa médica.

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