PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 6 MAIO 1992 >> Pop Rock >> LP’s
Bloodlines
LP/CD, Mute, distri. Edisom
Eletrónicos da treta há
muitos. Discípulos diplomados dos Kraftwerk contam-se pelos dedos. Os Recoil,
“alter ego” de Alan Wilder, incluíam-se até há bem pouco tempo na categoria dos
que entenderam o essencial da mensagem veiculada pelos magos de Düsseldorf: o
manifesto da arte matemática e da pop gelada gerada nos laboratórios Kling
Klang e endereçada à nova sensibilidade cibernética do pós-“menos que zero”.
“1+2” e “Hydrology” eram exercícios brilhantes de contenção, de poesia digital,
de programação de sinais elétricos segundo o rigor minimal e a sedução tonal e
tímbrica permitida pelo uso imaginativo do computador e do “sampler”.
“Bloodlines” é o oposto de tudo isto e um enorme passo à retaguarda. A
totalidade dos temas é cantada, o que desde logo distingue o disco dos seus
antecessores. Vozes escolhidas de acordo com as necessidades (poucas) de cada
tema, com destaque para as de Douglas McCarthy, dos Nitzer Ebb, e Toni
Halliday, dos Curve, que se encarregam de os transformar em pouco mais que
banalidades. Os Recoil apontam agora às pistas de dança (“Curse” inflete nos
domínios do “rap” e do “hip-hop”, como se só agora Wilder tivesse começado a
ler o catálogo) e ao som pop “made in ‘Fatory’” em que a eletrónica passou de
protagonista principal a mero adereço manufaturado a metro. (4)
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