PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 6 MAIO 1992 >> Pop Rock
UM “ENTERTAINER” DE EMOÇÕES
“Sweet Baby James” é a canção por que todos o
recordam. É pouco, para quem, como James Taylor, anda pelo mundo há mais de uma
década às voltas com as canções. Arriba a Portugal na sexta-feira, ao Casino
Estoril, e repete no dia seguinte, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Com as
baladas que o tornaram célebre e das quais diz que “o mais fácil é começá-las,
o pior é o resto”.
Para este cantor, nascido em
Boston e hoje com 44 anos de idade, pouco mudou entre o álbum de estreia “James
Taylor” (de 1968, inclui duas canções conhecidas, “Carolina in my mind” e
“Something in the way she moves”) e “New Moon Shine”, do ano passado: as mesmas
baladas doces e um modo suave de introspeção adequado à época dourada dos anos
60 e 70, que lhe permitiu ombrear com outros “singers/songwriters” da época,
como Carole King, Melanie e Joni Mitchell. Pelo caminho foram ficando melodias
agradáveis como “Fire and rain”, “You’ve got a friend” (esta tornada mais
popular na voz de Carole King) e “How sweet it is”.
Também é costume as pessoas
referirem-se a James Taylor por ter sido casado com Carly Simon, a mulher dos
lábios mais carnudos à face da Terra, mas isso é outra história, se calhar mais
interessante que a da sua biografia.
Coisa curiosa: os seus discos
venderam-se sempre bem, tendo atingido o “top” de vendas nos Estados Unidos uma
quantidade de vezes e sido “discos de ouro” outras tantas. “Sweet Baby James”
(o tal disco, a tal canção), de 1970, e “Mud Slide Slim and the Blue Horizon”,
do ano seguinte, alcançaram ambos o terceiro lugar. “One Man Dog”, de 1972,
atingiu o 4º posto, “Walking Man” (1974) foi 13º, “Gorilla”, de 1975, o 6º,
“JT”, de 1977, conseguiu o 4º, “Flag” (1979) e “Dad Loves His Work” chegaram a
10º. O mais recente, “New Moon Shine”, vendeu a velocidades supersónicas.
James Taylor, por este lado,
não tem razões de queixa, até porque para ele, embora seja importante “estar
nos tops”, esse não passa de “um objetivo muito pobre quando se é músico”. Da
mulher, Carly Simon, a tal dos lábios, com quem se casou em 1972, deve ter tido
algumas, já que se divorciou dela dez anos depois.
E foi assim que tudo se
conjugou para que James Taylor viesse aportar a este cantinho mimoso à beira
mar plantado que é a nossa terra, o nosso Portugal. E logo ao Casino Estoril,
ponto de encontro da nossa melhor sociedade. Por aqui se vê que Taylor é um
artista de classe. A sério. E ecológico, ainda por cima: é amigo de Sting (de
quem diz ser “uma pessoa completamente natural e imunizada à moda”), outro
ecológico, e participou no megaconcerto “No Nukes”, contra o nuclear e as
bombas antónias.
Nas fotos promocionais, James
Taylor tem aparecido frequentemente com um aspeto bronzeado. Não por acaso,
pois o cantor é um frequentador assíduo do festival “Rock in Rio”. Ou então é
da qualidade das fotografias.
No Casino vai emocionar os
corações da, repete-se, não vá aparecer alguém sem gravata, melhor sociedade
lisboeta e proporcionar decerto mais um ritual de “aceno de lenços” tão do seu
agrado. Nem poderia ser de outro modo, já que o próprio James Taylor se afirma
um “’entertainer’ a quem dá muito gozo e emoção tocar ao vivo”.
Do lote de canções que James
Taylor interpretará em Portugal, na maioria extraídas de “New Moon Shine”,
fazem parte “Copper line”, “You can’t go home again”, “Down in the hole”, “I’ve
got to stop thinking about that”, “Shed a little light” e “Frozen man”, que
fala de “um marinheiro britânico do séc. XIX que se perde no mar, junto ao
Ártico, e que, uma vez descongelado, descobre que o seu mundo acabara há cem
anos atrás”, uma das preferidas do autor, inspirada num seu antepassado, também
ele “perdido para sempre no mar”. James Taylor – um homem do mar que em
Portugal procurará não meter água.
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